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Orphan Black – Segunda Temporada

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No meu texto sobre a primeira temporada de Orphan Black comentei que a história tinha perdido uma pouco de suas qualidades e ritmo na segunda parte da temporada e infelizmente essa falha se prolongou por todo o segundo ano e bastante mediano ano da série.

A opção da equipe criativa foi fazer um segundo ano centrado quase totalmente na mitologia sobre os clones, o que considero o maior erro do ano porque desta maneira Orphan Black perdeu duas das suas principais qualidades, o humor e o desenvolvimento das personalidades dos clones.

Cada um dos clones foi prejudicada por essa opção de centralizar-se na parte ficção científica da trama; Sarah Manning transformou em uma nova personagem e mais chata, uma mãe super protetora que ficou boa parte da temporada protegendo, de forma bem ruim, Kira; senti muita falta de ver aquela Sarah falastrona e delinquente do começo e muito mais unida de Fe, que nesta temporada foi usado pessimamente como todos os personagens coadjuvantes. Ao dar mais espaço para Sarah e Kiera e diminui-se o tempo para os outros clones; fez muita falta o humor dos enredos de Alison que quando teve destaque se sobressaiu como na sua passagem pela clínica de reabilitação e sua pazes com Donnie; uma parte que teve um ótimo humor negro com os dois se acertando depois de tornarem-se atrapalhados assassinos.

Ao colocar Cosima na Dyad a personagem ganhou um pouco mais de espaço, o qual não foi bem usado, centrando-se demais nos problemas amorosos com Delphine, a personagem mais burra da série e que espero que vá para Alemanha e nunca mais volte. A questão do sangue de Kira ser talvez a cura para Cosima era um enredo científico interessante, mas que também pecou pelo seu desenvolvimento frio e dramático demais, quando poderia ter ido ainda mais longe. Serei ainda mais polêmico e acredito que faltou coragem para os roteiristas matarem Cosima no último episódio, até fizeram uma pegadinha, mas no final a deixaram viva, resta saber até quando vão enrolar já que a própria mitologia da trama explicou que a sua doença só está piorando e somente o sangue de Kira pode salvá-la.

No elenco dos clones os destaques foram Helena e Rachel; Helena é uma personagem única e que mostrou novos lados de sua personalidade, amei a vingança dela contra os Proletarians ao mesmo tempo que mostrou um lado mais doce com sua aproximação com Kira; um relacionamento bom para mostrar a humanidade de uma personagem que não é mais aquele animal feroz da temporada passada. Em muito episódios me peguei torcendo por Rachel que não considero mais uma verdadeira vilã, mas uma pessoa que tornou-se ruim pela vida complicada e cheia de decepções que levou.

Assim como Helena, Rachel ganhou um lado mais humano com as revelações sobre o seu difícil passado e o reencontro com seu pai Duncan; Rachel é o resultado de uma experiência que a transformou nesta mulher cruel que usa todos como objetos, seja seu pai, os homens e até os clones, para realizar seus desejos. Um enredo que foi bem desenvolvido foi sobre a inveja e ódio de Rachel por Sarah e Kira; Rachel jamais aceitará não ser capaz de ser mãe e por isso vai odiar Sarah para sempre; uma pena que no último episódio colocaram um final tão simplório para a personagem que deve sobreviver ao ataque de Sarah, mas deve perder a visão de um olho, afinal não existe algo mais caricato do que uma vilã caolha.

Antes da estreia do segundo ano especulava-se muito sobre a introdução de novos clones, algo que os fãs realmente queriam muito que acontecesse e tomaram um balde de água fria, pelo pequeno espaço dado aos novos clones. Jennifer serviu muito mais para aumentar o drama envolto de Cosima e seu sombrio futuro se não encontrar a cura. A única surpresa de verdade da temporada foi o surgimento de Tony Sawicki, uma clone que é um transexual! Tony teve uma pequena e memorável participação com seu jeito meio malandro e dando em cima de Fe, com direito até um bizarro beijo; uma pena que Tony foi embora rapidamente e espera-se personagem retorne em um futuro próximo, porque seria um desperdício não colocá-lo na trama.

Parte da decepção com essa temporada está ligada ao espaço e maneira que os personagens coadjuvantes apareceram; Mr. S., Felix, Art, o sumido Paul, Leekie, que pelo menos teve uma morte até cômica pelas mãos de Donnie, e o estreante Cal foram apenas peças mal usadas e encaixadas na história principal sobre os segredos dos clones. Não entendi até agora o motivo da introdução de Cal que pareceu muito mais uma babá de Kira, a opção de colocá-lo como um hacker foi desconexa ao instante que tentaram vender ao mesmo tempo também a ideia de galã, além de ter achado Sarah e Cal um casal sem química.

A ideia de aprofunda-se na mitologia ou se preferir na parte sci-fi da história poderia ter dado certo se os rumos tomados não fossem tão previsíveis e muito decepcionantes; as soluções e explicações dadas não tiveram absolutamente nada de inovador, pelo contrário foram ideias reaproveitadas de outras obras do gênero. A revelação de que os clones foram uma experiência militar era tão óbvia e já tinha sido deixada na temporada passada, a verdade é que as respostas dadas pecaram pela falta de capacidade de surpreender o público. Os militares terem criado o seu próprio exército de clones não foi nenhuma surpresa, é aquele velho clichê do sonho de criar o soldado perfeito; vou mais longe e afirmo que seria muito mais ousado se o clone fosse na verdade o sumido Paul e não Mark, um personagem que passou despercebido por toda temporada e agora ganha importância na história.

A revelação de Mark ser um clone poderia ter o efeito surpresa esperado se o enredo dos Proletheans não tivesse sido tão mal aproveitado, sendo jogado no meio das tramas principais e resolvido rapidamente com Helena matando o líder deles; a versão religiosa de Mark ganha ainda mais importância por estar com a grávida Grace, trama que deve ser prolongada na próxima temporada. Um das muitas tarefas para o próximo ano será transformar Mark em um personagem mais atraente e que ganha atenção necessária do público já que agora virou peça fundamental na trama.

O que coloco em questão é que Sarah descobrir sobre os clones masculinos não muda absolutamente nada na sua vida, dificilmente ela será capaz de sozinha derrotar a experiência e sinceramente porque ela faria isso. Atualmente sua única preocupação é proteger Kira e suas irmãs clones, deve se importar muito mais sobre a existência da clone criança, revelação feita através da misteriosa Marian, personagem que espero que cresça no próximo ano. Na realidade a Dyad está sendo apenas usada para criação de novos clones, algo que não conseguiram mais fazer e em uma das tentativas de repetir a experiência teve apenas uma única sobrevivente que foi a pequena Charlotte que mesmo assim nasceu com uma deficiência física. A introdução de Charlotte é até uma ideia que pode ser melhor aproveitada ao colocar um clone com a idade de Kira, com todas as outras clones acompanhando uma versão pequena delas crescendo, despertando ainda mais o sentimento de irmandade entre elas. Resta saber até onde Marian é confiável e o quanto pode esta usando Charlotte para conquistar a confiança de Sarah e de suas irmãs.

Novamente o grande atrativo e destaque de Orphan Black não foi sua história, mas a espetacular atuação de Tatiana Maslany seja como as clones que conhecemos como também as novas, como o Tony onde parecia realmente uma pessoa completamente diferente. Na temporada passada Maslany foi esnobada pelas principais premiações e até espero que isso não se repita, mas pode acabar acontecendo não por causa da atriz, mas sim pela fraca temporada de Orphan Black. Para celebrar mais uma grande atuação de Maslany o último episódio apresentou a melhor cena da temporada com os clones dançando em uma cena muito benfeita.

Uma temporada centralizada na parte da mitologia dos clones para no final serem dadas respostas pouco convincentes; os ganchos deixados desta parte não empolgação e são o resume da decepção que foi a segunda temporada de Orphan Black. Apesar dos muitos erros cometidos prefiro dar um voto de confiança para equipe criativa da série que diante de tantas e quase unânimes críticas devem aprender com estes erros e agora vão ter um ano para trabalhar em ideias melhores para o terceiro ano de Orphan Black.

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