Deixe um comentário

Crítica: Mapas para as Estrelas

d1b5b964b35fa448e42e4b16d29e4930David Cronenberg sempre foi um diretor com um estilo ácido e que nunca se encaixou no padrão comercial de Hollywood, por isso não é surpresa alguma ver Cronenberg fazer a sua maneira uma sátira a indústria cinematográfica americana com Mapas para as Estrelas.

Através do roteiro de Bruce Wagner, o diretor explora e faz críticas ao sistema de Hollywood e também a própria sociedade americana. Havana Segrand (Julianne Moore, ganhadora do prêmio de Melhor Atriz em Cannes por este papel) é uma atriz de meia-idade em decadência que tenta reerguer sua carreira interpretando o mesmo papel que sua mãe viveu anos atrás. Havana é a personificação do sistema patriarcal de Hollywood, onde um sobrenome é garantia de trabalho e fama, também como a indústria descarta seus atores, sempre em busca de novo sangue para poder explorar, além de uma crítica a interminável produção de remakes.

maps-to-the-stars-22abr2014-06.jpg__932x545_q85_subsampling-2A trama se concentra especialmente na excêntrica e caricata família Weiss, o Dr. Stafford (John Cusack) é uma bizarra mistura de massagista e guru da autoajuda que tem como clientes os atores e atrizes mais famosos de Hollywood. Sua esposa é Cristina (Olivia Williams) que não parece se encaixar na indústria e cuida da carreira do seu problemático filho Benjie (Evan Bird), um ídolo adolescente que com apenas 13 anos já é um viciado em drogas e dono de um enorme ego. O melhor deste limitado roteiro é fazer uma sátira sobre os “treinadores de vida” através do personagem de Cusack, nesta parte também aparece um ataque a maneira que os chefões de Hollywood usam até crianças como mercadorias descartáveis e acaba criando monstros. A vida deste grupo de personagens muda com a chegada de Agatha (Mia Wasikowska) que com suas cicatrizes e seu jeito misterioso parece um fantasma, Agataha trabalha como assistente para Havana e tem um romance com um chofer de limosine (Robert Pattinson) e aspirante a ator, afinal em Los Angeles todo mundo quer ser ator.

Mapa das Estrelas está mais para uma paródia do que para uma sátira sobre Hollywood. Personagens caricatos, cheios de exageros que vivem dramas sem profundidade, a história da personagem de Mia Wasikowska ligada a família Weiss é vergonhosa de tão previsível e onde o roteiro exagera no drama. Cronenberg erra ao colocar tudo como culpa de Hollywood, a família Weiss é apenas formada por pessoas malucas e em qualquer situação terminar da mesma maneira. Um elenco onde ninguém está bem e com vergonhosas atuações, especialmente de Cusack e de Julianne Moore, injustamente premiada por este trabalho.

maps-to-the-stars-22abr2014-04.jpg__932x545_q85_subsampling-2Cronenberg faz um dos piores filmes de sua carreira, tanto na parte da narrativa, como na técnica, a fotografia é péssima e os efeitos especiais beiram ao amadorismo e que estragam as cenas que deveriam ser as mais chocantes. Por ser um forasteiro dentro da indústria, David Cronenberg é incapaz de trazer a visão real sobre o que acontece dentro da indústria, o recente Birdman conseguiu de forma muito mais original e inteligente fazer uma sátira sobre Hollywood.

dois

Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s