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Crítica: Para Sempre Alice

cdn.indiewireFaleceu neste semana aos 63 anos Richard Glatzer que escreveu e dirigiu, junto com seu marido Wash Westmoreland, Para Sempre Alice. Um filme onde ficção e realidade se misturam, já que ao mesmo tempo que rodava o longa Glatzer começava a sentir os primeiros sintomas da ELA, uma doença que assim como Alzheimer vai destruindo a pessoa aos poucos.

Em Para Sempre Alice, Julianne Moore interpreta Alice, uma respeitada professora de linguística que vive uma vida feliz com seu marido e que é mãe de três filhos adultos. Ao completar 50 anos Alice descobre que está com um precoce início de Alzheimer, doença degenerativa que irá tirar todo conhecimento que adquiriu durante sua vida e também vai apagar as suas memórias.

still-aliceQuem já conviveu com alguém com Alzheimer, eu já tive essa experiência, vai ficar surpreso com a maneira realista que a doença é tratada no filme. Glatzer faz com que seu filme beire ao estilo de um documentário diante da sua busca constante pelo realismo ao retratar a doença, desde os pequenos sintomas até Alice praticamente se transformar em outra pessoa por causa da doença. Com um pouco mais de 90 minutos de duração, os diretores escolheram fazer rápidos avanços no tempo para mostrar a piora de Alice, esse avanço pode até parecer estranho inicialmente, mas faz parte da ideia de mostrar o impacto da doença na vida de uma pessoa.

Nas primeiras consultas o rosto do médico não é mostrado, dando destaque as reações de Alice, o que é importa nesta primeira parte da história é a maneira que Alice lida com com o choque da notícia. “Eu queria ter câncer”. Essa forte frase dita por Alice exemplifica a dor que a personagem vive ao ter que lidar com uma doença que irá tirar aquilo que mais amava, seu conhecimento e as suas memórias. Julianne Moore está magnífica e merecidamente ganhou o Oscar de Melhor Atriz, Moore consegue passar perfeitamente a mudança de Alice antes do diagnóstico e e após alguns anos com a doença. A mudança de Alice causa um choque ainda maior por a personagem ser inicialmente uma mulher extremamente inteligente, forte e bastante prática, até ser dominada pela doença e virar quase uma criança, o que fica mais evidente pelas confusões que faz entre pessoas do passado e presente e com os flashbacks que aumentam ainda mais essa sensação de que a mente de Alice está presa no passado.

e2a73f69-0091-496a-9c84-d347054abefbO roteiro também aborda como cada membro da família de Alice reage a doença e nesta parte é apoiado em um competente elenco de apoio que assume a trama a partir do momento que Alice começa a piorar. Alec Baldwin interpreta John, o marido de Alice, um homem que trabalha em uma empresa que fábrica remédios e que por isso tem total noção do que o Alzheimer fará com sua esposa, um casal que mesmo depois de tantos anos juntos continuam parecendo dois namorados. Kate Bosworth (Superman – O Retorno) vive a afetada filha mais velha que não consegue encarar bem a doença de sua mãe; Hunter Parrish (Weeds) vive o filho do meio que tem pouco espaço e importância na trama; Kristen Stewart (A Saga Crepúsculo) interpreta Lydia, a filha mais nova com que Alice tem uma difícil relação por serem duas pessoas bastante diferentes, mas Lydia acaba sendo a mais presente e que ajuda a sua mãe.

Em seu último filme, Richard Glatzer deixa como legado uma história que não exagera no drama e faz um retrato sincero, real e bastante triste de uma doença cruel que destrói a pessoa portadora e também dos seus familiares.

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