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Broadchurch – 2ª Temporada

ad_156197485-e1421423604697Apesar do sucesso de público e crítica, a renovação de Broadchurch para sua segunda temporada foi bastante questionada, já que a história do primeiro ano foi concluída de forma esplêndida e sem deixar ganchos para um segundo ano. O canal ITV ao pensar somente na audiência acabou prolongando uma história que já tinha alcançado o seu ápice e que caiu muito de qualidade no seu fraco segundo ano. É até difícil de acreditar que a mesma equipe de roteiristas que escreveu a primeira temporada também foi a responsável por este segundo que fez Broadchurch perder sua qualidade narrativa e se tornar um drama comum, Broadchurch perdeu sua capacidade de ser uma série de suspense e um belíssimo estudo de personagens e se tornou um pífio drama de tribunal.

Tudo que existia de bom na série acabou no instante que Joe (Matthew Gravelle) decidiu voltar atrás e dizer que não matou Danny e desta maneira a história entrou em longo drama de tribunal que teve o final mais previsível possível. O drama de tribunal foi bastante criticado por juízes e advogados do Reino Unido por retratar uma versão exagerada e dramática demais de um julgamento comum. Alguns momentos na parte do julgamento foram tão ridículos que chegaram a ser cômicos, principalmente quando o tribunal acabou sendo um local para o casal Beth e Mark Latimer discutirem os inúmeros problemas de seu casamento, sinceramente o casal ter um novo bebê foi algo bastante estranho e inverossímil para um casal em tamanha crise.

Este drama de tribunal ganhou uma carga ainda mais dramática pela rivalidade que existia entre a advogada de Tom, Sharon Bishop (Marianne Jean-Baptiste) contra Jocelyn Knight (Charlotte Rampling), advogada dos Miller. Aqui foi usado o velho clichê da aluna, Sharon, que quer superar a sua mestre, Jocelyn, para ficar ainda mais novelesco colocaram uma história do filho de Sharon ter sido preso e Jocelyn não ter a ajudado a libertá-lo e também o ridículo enredo de Jocelyn estar ficando cega. Charlotte Rampling e Marianne Jean-Baptiste são duas espetaculares atrizes e fizeram as melhores atuações de todo o elenco, mas os clichês de suas personagens prejudicaram suas interpretações.

Paralelamente ao drama de tribunal, a série apresentou um caso de crime e suspense no estilo do apresentado no primeiro ano, com Alec Hardy (David Tennant) tentando desvendar o caso Sandrbrook, aquele que destruiu sua vida e o fez parar em Broadchurch. Aqui vejo um erro vital que foi tentar humanizar Hardy, tanto por trazer este caso, como também aproximá-lo de sua família e principalmente pelo episódio onde o detetive colocou um marca-passo. Aquele detetive insensível e extremamente profissional foi perdendo as suas principais a qualidades cada episódio e se não fosse ajuda essencial de Ellie (Olivia Colman) não teria desvendado o caso.

Pode parecer mentira, mas juro que na metade da temporada escrevi em minhas anotações que Claire (Eve Myles), Lee (James D’ Arcy deu um show!) e o pai das garotas assassinadas eram os culpados, porém imaginava que o crime tivesse acontecido de maneira bem diferente. Claire é uma excepcional manipuladora de homens, capaz de colocar qualquer um sobre seu controle, fez isso com o pai das garotas, Lee e até com Hardy, foi preciso a visão feminina de Ellie para desvendar a verdadeira face de Claire. Fato é que a química de Tennant e Colman só aumentou nesta temporada e os dois formaram mais uma vez uma das melhores duplas de detetives da televisão. Hardy foi essencial para tirar de Ellie de todo este drama de tribunal e mostrar a força e a inteligência que a detetive tem dentro de si. Ellie passou por um interessante ritual de passagem ficando mais forte com toda essa experiência e lidou muito bem tanto com os problemas com seu filho como com o gênio difícil de Hardy.

Sempre tive certeza que Joe seria declarado inocente, o que aconteceu não pela capacidade de Bishop como advogada, mas pela incompetência da polícia e por causa que a ligação pessoal de todos com a investigação afetou o caso, despertando no júri a dúvida sobre a culpa de Joe. Nada resume melhor essa temporada do que a cena onde todos os principais moradores, incluindo os Miller e Ellie, confrontaram Joe e o baniram para sempre de Broardchurch, uma cena com diálogos e atuações exageradas, novamente o drama sendo mais importante do que a qualidade narrativa.

Mais uma vez Broadchurch concluiu, sem deixar ganchos, sua história, e de forma até bonita com a bela cena de Ellie e os Millers na praia recomeçando a vida deles de verdade e com Hardy finalmente voltando para sua casa e família. Mesmo assim, o ITV repetiu o mesmo erro ao renovar Broadchurch para sua terceira temporada e já confirmou os retornos de David Tennant e Olivia Colman. Tentando ser um pouco otimista, a terceira temporada pode ser a chance da série recomeçar a sua história do zero, já que os dois principais enredos foram fechados e precisam ser deixados para trás!

dois_e_meio

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