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Crítica: Sniper Americano

TA3A5741.DNGCom seis indicações ao Oscar, incluindo Melhor Filme,  Sniper Americano já é o maior sucesso de bilheteria da carreira de Clint Eastwood e também é o filme mais polêmico da carreira do veterano diretor.

A trama é baseada nas memórias do ex-fuzileiro naval Chris Kyle (Bradley Cooper), considerado o melhor atirador de elite da história do exército norte-americano, com um total de 160 mortes. Com 30 anos de idade e sem saber direito o que fazer com sua vida, Kyle decidiu se alistar e defender o exército dos atentados após o primeiro atentado as Torres Gêmeas nos 90 e consequentemente lutou pelo país após os atentados de 11 de setembro. A polêmica do projeto começa já na própria biografia de Kyle que contém muitos fatos que foram desmentidos após sua morte em 2013. O roteirista Jason Hall, que teve conversas com Kyle antes de sua morte, faz uma dramatização ainda maior sobre o mito envolto do sniper, acrescentando histórias como o relacionamento dele com seu irmão e criando um paralelo cheio de clichês entre Kyle e seu rival, um temido sniper iraquiano.

american-sniper-1out2014-02.jpg__932x545_q85_subsampling-2A maior falha, e crítica em geral, ao filme de Eastwood é que em sua tentativa de tentar ser um filme anti-guerra acaba sendo uma obra pró-guerra. O próprio Eastwood é um conhecido defensor do Partido Republicano, já foi até prefeito pelo partido, o que explica a decisão do diretor a não fazer em nenhum momento uma crítica a absurda e desnecessária Guerra do Iraque, pelo contrário, o diretor não perde chance de mostrar que todos os iraquianos, inclusive crianças, são “selvagens” que precisam ser eliminados. O roteiro sofre um choque interno em discurso anti-guerra, coloca de forma bastante rasa personagens secundários, todos soldados, questionando se deveriam estar lá e com a mesma falta de profundidade mostra o trauma deixado pela guerra em Kyle. Este discurso anti-guerra se perder nos próprios diálogos de Kyle ao defender o combate com seus incessantes discursos sobre como ninguém sabe o que está acontecendo na guerra de verdade e continua a viver sua vida enquanto soldados lutam pelo seu país. Justificando constantemente a presença de Kyle no campo de batalha para matar os “selvagens”, expressão usada pelo próprio sniper em seu livro para descrever os iraquianos.

Eastwood não consegue trabalhar com profundidade e emoção a parte da história que mostra os traumas deixados pela guerra em Kyle e como isso afetou a vida com sua esposa (Sienna Miller). Bradley Cooper faz mais uma atuação impecável e é através dela que o público tem uma melhor noção dos confrontos internos de Kyle, ator que virou alvo de piadas por participar da cômica cena onde seu personagem cuida de um ridículo e visível bebê falso. O diretor prefere gastar mais tempo do seu filme com seu personagem principal no campo de batalha, o melhor do filme realmente está nas cenas de batalha. Eastwood trabalho melhor a questão das armas nos EUA, fazendo uma discreta crítica ao amor dos americanos pelas armas de fogo e como isso é passado de geração para geração.

AmericanSniper21012015eEastwood busca constantemente o realismo para trazer o público a sensação de estar no meio de uma guerra, com uma belíssima fotografia e uma impecável montagem. O diretor faz a guerra parecer algo horrível e ao mesmo tempo emocionante, valorizando trabalho dos soldados americanos e seus esforços para defender seu país, a guerra no filme de Eastwood é muito mais emocionante do que a vida normal do dia adia de uma pessoa comum. Ao fugir das questões políticas que levaram a guerra e não ter a capacidade de se aprofundar nos traumas deixados pelo confronto em milhares de soldados anualmente, American Sniper acaba sendo a propaganda militar dos sonhos para o exército americano ao transformar um homem comum em um herói de guerra, um exemplo para os jovens que estão lotando as salas de cinema dos EUA e muitos deles vão sair desejando ser o próximo Chris Kyle.

tres

Um comentário em “Crítica: Sniper Americano

  1. assisti esse filme ontem, gostei, mas os outros indicados são melhores… só achei o final meio vago e o patriotismo nesse filme ficou um pouco exagerado.
    Adorei a sua critica!😉
    Bjs

    https://claquetegirls.wordpress.com

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