Deixe um comentário

Crítica: Selma: Uma Luta Pela Igualdade

la_ca_1021_selmaSelma – Uma Luta Pela Igualdade tem como seu tema principal a luta de Martin Luther King (interpretado por David Oyelowo) pelos direitos dos negros norte-americanos, a questão do preconceito racial ultrapassou os limites da tela depois de o longa ter recebido apenas duas indicações ao Oscar, Melhor Filme e Canção Original, o que gerou uma quentíssima discussão e a Academia foi até acusada de ser racista.

Nos bastidores, a explicação para o filme ter sido deixado de lado pela Academia estaria ligada a maneira que o filme retrata a postura do presidente Lyndon B. Johnson em relação aos direitos dos negros e o seu papel na ideia da histórica marcha de Selma, no Alabama, em 1965. A discussão ganhou mais força nos bastidores pelo longa ter sido dirigido por Ava DuVernay, mulher e negra, e ter Oprah Winfrey, que também atua, e Brad Pitt como produtores. Se a Academia cometeu uma injustiça foi não indicar David Oyelowo ao Oscar de Melhor Ator, o ator recria com uma grande fidelidade a postura, voz e maneira de falar de King, além de conseguir entrar na alma e questionamentos deste homem que mudou a história.  DuVernay repete comOyelowo a bem-sucedida parceria feita no seu primeiro filme Middle of Nowhere (2012).

Deixando de fora essa discussão sobre possíveis erros históricos, o longa da diretora Ava DuVernay tem realmente um fortíssimo tom político e de ataque contra o governo de Johnson (interpretado por Tom Wilkinson), não somente retratando a discussão do presidente e do FBI sobre a hipótese de um assassinato do líder do movimento negro, como também colocando na tela trechos da investigação sobre King e como a Casa Branca estava constantemente o vigiando. Em apenas uma cena, protagonizada pela própria Oprah, o longa mostra o preconceito através de palavras e atitudes, na maioria do tempo DuVernay prefere exaltar as agressões físicas sofridas pelos negros, através de muitos close-ups e câmeras lentas. DuVernay prefere dramatizar e polemizar através da excessiva violência do que debater de forma mais profunda a questão.

SelmaQuando esse discurso político é abandonado, o longa até consegue fazer um interessante retrato de King, um homem com o dom da palavra e dedicou e deu sua vida a uma causa, um líder que tinha seus momentos de dúvida sobre continuar ou não nesta sua difícil luta pelos direitos dos negros. King sente o peso da responsabilidade ao não ao estar ao lado de seus seguidores na histórica passeata de Selma a Montgomery que terminou com centenas de pessoas feridas após a decisão do então governador George C. Wallace (o ótimo Tim Roth), um racista assumido, de usar a força para acabar com a marcha. Um triste evento que foi o responsável por começar uma mudança na questão da segregação e que terminou com uma nova caminhada liderada por King e que teve a presença de muitos brancos e outros importantes ativistas.

Selma3Mais importante do que a inútil discussão e necessidade de ser reconhecido pela Academia, é Selma – Uma Luta Pela Igualdade ter deixado uma importante marca ao estrear na mesma época que a questão do preconceito racial nos EUA voltou à tona depois dos assassinatos de negros inocentes por policias brancos, o que infelizmente comprova que o conhecido sonho de Martin Luther King ainda está longe de virar uma realidade.

tres_e_meio

Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s