Deixe um comentário

Crítica: Dois Dias, Uma Noite

Dois Dias Duas Noites-1Anualmente os meios de comunicação publicam matérias sobre pessoas, geralmente de classes baixas, que encontraram dinheiro, algumas vezes fortunas, e que mesmo sem ter nada devolvem o valor para o seu devido dono. Uma atitude que choca por vivemos em uma sociedade que vive dentro um de capitalismo agressivo e onde atos de altruísmos são cada vez mais raros. Em Dois Dias, Uma Noite, os irmãos diretores Jean-Pierre e Luc Dardenne (O Garoto de Bicicleta) colocam exatamente em questão se ainda é possível existir altruísmo na nossa atual sociedade.

A trama acompanha Sandra (Marion Cotillard), uma mulher casada, mãe de duas filhas e que se recupera de uma grade depressão. Dias antes de voltar ao seu trabalho em uma fábrica, Sandra descobre que perdeu o seu emprego após ser realizada uma votação entre seus colegas de trabalho que tiveram escolher entre ela ser demitida ou eles receberem um bônus de 1000 euros. Sandra recebe uma segunda chance para recuperar seu emprego, mas para isso terá apenas um final de semana para convencer a maioria de seus colegas a votarem a favor dela ficar com o emprego e eles perderem o bônus.

Dois Dias Duas Noites-2Os Dardenne, que também assinam o roteiro, colocam então sua protagonista em uma jornada de humilhação, tendo que implorar aos seus colegas pelo seu direito básico de trabalhar, com a esperança de que o ser humano ainda é capaz de realizar o altruísmo. A própria Sandra é uma pessoa com sérios defeitos, sofre de depressão, mas não parece disposta a querer melhorar e se torna viciada em remédios. Incomoda sua falta de vontade e sua falta de coragem para lutar pelo seu emprego, sendo constantemente impulsionada pelo seu paciente seu marido que trabalha como cozinheiro; um detalhe interessante é a revelação da falta de sexo do casal, problema que parece ser mais importante para Sandra do que a perda de seu emprego.

Uma história que explora os problemas da economia na Europa, e no restante do mundo, e como a classe trabalhadora é a mais prejudicada em tempos de crises, o medo da perda do emprego, faz com que os trabalhadores em nenhum momento questionem a incômoda e injusta posição que são colocados pelos seus chefes. Sempre fascinados pelo comportamento das pessoas, os Dardenne mostram o que existe de melhor e pior no ser humano através das reações dos colegas de trabalho de Sandra e suas justificativas para votarem a favor ou contra a permanência dela. Alguns dão explicações verdadeiras e sinceras e outros não mostram o mínimo de compaixão por Sandra, o maior exemplo é o jovem que não aceita ajudar Sandra e ainda se revolta com seu pai por aceitar fazer isso, o jovem é a personificação de uma sociedade cruel e que instiga constantemente lado mais cruel do ser humano na sua luta pela sobrevivência.

Dois Dias Duas Noites-3Indicada ao Oscar de Melhor Atriz, Cottilard faz uma espetacular atuação e que traz de volta aquela promissora atriz que surpreendeu a todos em Um Hino Amor. Cotillard cria com realismo o olhar e a postura de uma mulher que perdeu a vontade de viver e que não consegue vencer seus próprios problemas internos. A jornada de humilhação de Sandra é uma caminhada para ela reencontrar o amor a vida e descobrir que antes de tudo você precisa ser altruísta para depois exigir o mesmo dos outros. Os Dardenne tentam ser otimistas ao acreditarem que pequenos atos altruísmo são ainda possíveis e que podem fazer a diferença em uma onde sociedade as pessoas perdem a cada dia mais a capacidade de se preocupar e ajudar o próximo.

quatro_e_meio

Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s