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Crítica: Caminhos da Floresta

Into the woods-1A Disney jamais desperdiçaria a oportunidade de adaptar o popular musical Into the Woods (Caminhos da Floresta no Brasil) para o cinema, afinal a história faz uma ligação entre personagens, a maioria deles criados pelos irmãos Grimm, já usados pelo estúdio em seus filmes e animações, como Cinderela, Chapeuzinho Vermelho. Caminhos da Floresta também se encaixa na nova proposta da Disney de repensar a maneira de enxergar os seus personagens e suas histórias.

Na fábula, um casal de padeiros (James Corden e Emily Blunt) sonham em ter um filho, mas descobrem que não podem por causa de uma maldição feita por uma bruxa (Meryl Streep). A bruxa aceita acabar com maldição desde que o casal dê para ela três itens, um sapatinho dourado (Cinderela), uma capa vermelha (Chapeuzinho Vermelho), uma vaca branca (João de João e O Pé de Feijão) e um longo cabelo dourado (Rapunzel).

Into the woods-2Os próprios autores do musical Stephen Sondheim, responsável pelas composições, James Lapine, autor da história, repetiram os mesmos papéis na adaptação, Lapine preferiu não fazer grandes mudanças na trama original e repete até a divisão da trama em dois atos, essa divisão faz Caminhos da Floresta parecer dois filmes em um só, o que não é bom no resultado no final. Como um musical propriamente dito Caminhos da Floresta não traz nada de novo, uma sequência de músicas normais e nenhuma daquele tipo que fica na memória após o fim do filme. Rob Marshall, que trabalhou com a Disney em Piratas do Caribe: Navegando em Águas Misteriosas e tem uma elogiada experiência em musicais com Chicago, assume a direção da adaptação, mas parece apenas ter sido contratado para seguir o roteiro.

A primeira parte, e ato, é bastante divertida, tem um tom leve e mistura bem a história da aventura do casal de padeiros em busca dos itens com as clássicas fábulas. O casal de padeiros são personagens bastante carismáticos, James Corden e Emily Blunt protagonizam os momentos mais engraçados da trama. As quatro fábulas ganham um tom mais bem humorado ao rirem de si mesmo; Cinderela (Anna Kendrick) com sua mania de fugir do Príncipe (Chris Pine) é bastante cômica, Kendrick encanta tanto pela sua voz como pela sua simpatia; Chapeuzinho Vermelho (Lilla Crawford) é uma criança bastante levada e tem um curioso confronto com o Lobo Mau (o onipresente Johnny Depp); João (Daniel Huttlestone) encanta com seu jeito agitado e até parece um ladrão compulsivo, o ponto negativo fica para a parte de Rapunzel (Mackenzie Mauzy) e seu príncipe (Billy Magnussen). Os dois príncipes protagonizam a melhor e mais engraçada canção da primeira parte e que revela um talento escondido de Chris Pine como cantor. No meio de todos estes personagens está Meryl Streep como sempre magnífica e roubando a cena como a bruxa, papel pelo qual está indicada ao Oscar de Melhor Atriz Coadjuvante, sua 19ª indicação ao prêmio!

Into the woods-3Caminhos da Floresta em seu segundo ato muda radicalmente de tom, o humor se perde e é trocado por uma história bastante sombria, sobre ganância, poder, traição e se torna até um filme não muito recomendando para crianças. As músicas, ainda com a irritante mania de citar a tal floresta em quase todas as letras, são sombrias e mais reflexivas. Quebrando ainda mais paradigmas, os clássicos personagens das fábulas revelam suas verdadeiras personalidades, por exemplo o príncipe de Cinderela comprova ser um verdadeiro canalha.

Esse choque entre os atos talvez poderia ter sido evitado se o primeiro ato não fosse tão alegre e o segundo tão obscuro, duas narrativas completamente opostas que quando colocadas no mesmo contexto não combinam. A história enfatiza que finais felizes na vida real raramente acontecem e traz um mensagem sobre ter cuidado com o que você deseja. Caminhos da Floresta consegue tirar das crianças, e dos adultos, a esperança de uma vida como a dos contos de fadas.

tres

2 comentários em “Crítica: Caminhos da Floresta

  1. Eu não sou uma grande fã de musicais, mas tem aqueles que me chamaram atenção…

    Eu pensei que Into the Woods fosse ser incrível porque a ideia de desconstruir contos de fadas era uma ótima oportunidade de fazerem um filme diferente e divertido. E não foi, eu não via a hora de terminar(até pensei em abandonar, mas por obra de algum feitiço da bruxa, não desisti).
    E este filme tem o mesmo problema que o Mágico de Oz tem. A história central é muito boa e o foco deveria ser nela e não em músicas chatas que só atrapalham e geram cenas entediantes.
    E geralmente todo musical tem uma canção que gruda em mim, mas este só tem música esquecível.
    Eu gosto do Chris Pine e uau ele sabe cantar, mas ele um rosto estranho, parece photoshopado, o que é bizarro porque photoshop é coisa de revista e não de cinema.😀
    Você deu três estrelas, eu daria 3 meteoros para acertar este filme horroroso!!!

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