4 Comentários

Crítica: A Teoria de Tudo

theory3É um enorme desafio contar a história de uma das mentes mais brilhantes e importantes da história da ciência como a do britânico Stephen Hawking.  O diretor James Marsh, vencedor do Oscar de Melhor Documentário por O Equilibrista em 2008, escolheu em A Teoria de Tudo contar a história de Hawking não através da sua ligação com a ciência, mas pela história de amor entre Hawking e sua primeira esposa Jane, autora do livro que serve de base para a trama.

Quando Jane (interpretada pela no máximo competente Felicity Jones) casou com Hawking (Eddie Redmayne), o cientista começava a apresentar os primeiros sintomas da doença de Lou Gehrig que no final o colocaria em uma cadeira de rodas e o deixaria incapaz de falar. A falha maior de A Teoria de Tudo é não ter um equilíbrio na história de amor que pretende contar, exalta demais o sacrifício da escolha feita por Jane a elevando a um nível quase de santa, o que ela e Hawking nunca foram, e a personagem quase se torna a protagonista da história, algo bastante injusto para um filme que retrata a vida espetacular de Hawking.

TTOE_D17_ 05356.NEFFugindo do padrão de filmes sobre pessoas com alguma deficiência física, a doença de Hawking é retratada com delicadeza, sem exageros dramáticos, dando um enfoque correto a luta de Hawking para continuar a viver, apesar das inúmeras dificuldades. São merecidos os elogios e prêmios que Eddie Redmayne está recebendo pela sua atuação, o ator entra de verdade no personagem e em suas diferentes fases, passando pelo jovem sonhador até o homem preso a uma cadeira de rodas. Redmayne consegue recriar a postura física de Hawking, inclusive seu olhar pelo qual muitas vezes fala mais do que através da máquina que usa para se comunicar.

Ao escolher o drama e romance no lugar da ciência A Teoria de Tudo vai pelo caminho menos perigoso, foge dos fortes debates científicos criados por Hawking e outros polêmicos temas, como o ateísmo, aqui colocado apenas como um dos motivos de confronto entre Hawking e Jane. A Teoria de Tudo segue o mesmo caminho do polêmico Johnny & June, cinebiografia de Johnny Cash e sua esposa June Cash, filme sucesso de público e crítica, mas que desagradou bastante os fãs de Cash. Os fãs do cientista não gostaram, com razão, do filme ao perceber que a parte da ciência é quase um tema secundário, suas descobertas, glórias, seus livros são lembrados, mas não ganham papel principal na trama.

theory-of-everythingO físico teve sua história contada relativamente melhor no telefilme A História de Stephen Hawking, onde foi interpretado por Bennedict Cumberbatch. Stephen Hawking por tudo que fez pela ciência merecia uma cinebiografia mais ousada e com coragem de ir, como o próprio fez, além do lugar-comum.

tres

4 comentários em “Crítica: A Teoria de Tudo

  1. Grande Caio!!! Meu amigo, gostei demais da sua crítica e fiquei preocupado e com pé atrás com este “A Teoria de Tudo”. Termina por ser frustrante que o filme não dê espaço maior à ciência, justamente o que fez a fama de Hawking, além de sua condição, focando mais na história de amor. Nada contra o amor, mas, como o próprio título do filme indica, um pouco mais de teoria não faria mal. Ainda não assisti ao longa mas, após sua crítica, verei com ressalvas. Abraço!

  2. está aqui esperando para ser assistido, mas estou com muita preguiça e ontem lembrei que não sou a maior fã de cinebiografia, então porque baixei este filme? Não me entendo🙂 Gostei da crítica e do primeiro comentário.

Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s