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Crítica: A Entrevista

a entrevista-1É assustador pensar que uma comédia tão ruim e sem graça como A Entrevista possa ter sido levado a sério a ponto de criar uma crise diplomática entre os EUA e a Coreia do Norte. Segundo a Casa Branca, o diretor da Coreia do Norte Kim Jong-un foi o mandante do ataque de hackers contra o sistema da Sony Pictures  que levou ao vazamento de importantes informações do estúdio, desde ideias de futuros projetos a conversas entre os chefões da Sony, algumas delas com fortes ofensas a alguns famosos artistas.

Se não bastasse o ataque ao site, falsas ameaças de ataques terroristas foram feitas a Sony e as salas de cinema em uma tentativa de evitar o lançamento de A Entrevista. A Sony Pictures chegou até pensar em cancelar o lançamento, mas depois de sofrer duras críticas por essa decisão a comédia acabou sendo lançada nos cinemas e na internet, batendo recordes de download, algo que aconteceu unicamente por toda essa polêmica envolvendo o filme. Como sempre acontece nestes casos, o povo americano viu essa história como um ataque a sua liberdade e abraçou o filme como se ele fosse um exemplo contra o terrorismo e defensor da liberdade de expressão, mas a Entrevista não é nenhum dos dois.

a entrevista-2Na pífia trama, Aaron (Seth Rogen) é um produtor de um popular programa sensacionalista apresentado por Dave Skylark (James Franco), as matérias do programa giram em torno de revelações bombásticas, e ridículas, sobre pessoas famosas, como Eminem assumir ser gay. Aaron sofre preconceito de seus colegas jornalistas por produzir um programa que não pode ser considerado como jornalismo sério e por isso pensa em abandonar o programa. A oportunidade de mudar isso surge quando Aaron e Dave descobrem que o ditador norte-coreano é um grande fã do programa e que Kim Jong-Un aceita ser entrevistado por Dave. A CIA vê isso como a oportunidade perfeita para eliminar o ditador norte-coreano e coloca nas mãos, literalmente, dos atrapalhados Aaron e Dave a missão de assassinar Kim Jong-un.

A Entrevista apenas cria uma versão de Kim Jon-un (interpretado de forma caricata por Randall Park) distorcida e com uma visão bastante fechada e ocidental do líder norte-coreano, lembrando o mesmo que foi feito com Saddam Hussein em comédias hollywoodianas dos anos 80 e 90, trocando apenas de país e ditador. O pior ainda é mostrar o ditador como um amante da cultura pop americana, fã da cantora Katy Perry, já que na cabeça dos americanos ninguém consegue escapar da sua enorme indústria pop. O roteiro insiste na ideia de que o ditador nada mais é do que um homem com problemas com seu pai e que não aceita ser contrariado.

a entrevista-3O longa foge parcialmente do amor patriótico ao tirar sarro da conhecida tática do governo dos EUA de matar os líderes dos países com quem não consegue negociar e colocando em seu lugar alguém que possa controlar, estratégia que não deu certo nas últimas invasões e guerras feitas pelos norte-americanos. A Entrevista segue o estilo de humor adolescente de outras produções de Seth Rogen e Evan Goldeberg (dupla de É o Fim), que assinam o roteiro e dirigem, um estilo de humor de péssimo gosto e que se apoia principalmente em piadas escatológicas, a maioria delas sobre o ânus.

A Entrevista não tem graça como comédia, não funciona como sátira política e somente ajuda a manter a visão fechada dos estadunidenses sobre o resto do mundo. Se o ditador Kim Jong-un não tivesse ficado tão ofendido, provavelmente o filme seria um fracasso de bilheteria e esquecido em poucos meses, o que de qualquer vai acabar acontecendo.

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