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Crítica: Invencível

unbroken-jack-oconnell2-600x389Em seu segundo filme como diretora, a atriz Angelina Jolie escolheu novamente uma história ambientada durante a época de guerra, se em Na Terra do Amor e Ódio (2011) a diretora contava a história de um amor homossexual proibido durante a Guerra dos Bálcãs, em Invencível narra a real história do atleta olímpico Louis Zamperini (1917-2014) que enfrentou grandes desafios para sobreviver durante a Segunda Guerra Mundial.

Quando criança Zamperini (Jack O’Connell, de Skins) cresceu na Califórnia, onde sofreu preconceito por ser filho de italianos. Sem encontrar o seu lugar no mundo, foi através de seu irmão que Zamperini descobriu o talento para ser um corredor, o que o levou até histórica Olimpíada de Berlim. O sonho de Zamperini de continuar correndo foi cortado pela Segunda Guerra Mundial, onde serviu na aeronáutica, foi neste período que Zamperini e mais dois colegas ficaram 47 dias à deriva depois da queda do seu avião. Se a falta de sorte não foi o bastante, Zamperini e outro colega acabaram sendo resgatados por e depois presos pelos japoneses.

UNBROKENJolie busca a todo momento dar o máximo possível de realismo para sua história, para que o público sinta o que Zamperini passou primeiro quando ficou ilhado e depois como um preso de guerra. O realismo aumenta ainda mais pela belíssima recriação de época e pela fotografia de Roger Deakins, talvez o grande mentor do olhar de Jolie no filme, trabalho que foi merecidamente indicado ao Oscar de Melhor Fotografia, o filme também concorre a Melhor Edição de Som e Mixagem. Chega ser assustador ver que um roteiro tão fraco e com diálogos melosos foi escrito pelos queridinhos diretores Ethan e Joel Cohen e os experientes Richard LaGravense (O Pescador de Ilusões) e William Nicholson (Gladiador), para escrever o roteiro o quarteto teve como base a biografia de Zamperini, escrita por Laura Hillenbrand.

Um drama sem fim que transforma Zamperini em um super-herói, capaz de superar qualquer desafio e se manter forte e com sua honra intacta, o soldado e homem perfeito. Para uma pessoa que ficou marcada por não ir pelo caminho padrão e pela sua autenticidade é decepcionante ver Jolie narrar sua história com um tom exageradamente patriótico, o que não é nenhuma novidade em um filme de guerra estadunidense. Zamperini é aquele mesmo tendo sido maltratado quando criança pelos norte-americanos, escolheu os EUA como sua pátria e jamais seria capaz de traí-la, o discurso patriótico fica ainda mais forte no conflito entre Zamperini e o sargento japonês Watanabe (o músico Miyavi), onde os americanos são os defensores da liberdade e os japoneses os opressores.

UnbrokenA polêmica questão da fé que percorreu a vida toda, antes e pós-guerra, de Zamperini é esquecida e apenas mencionada discretamente, com o velho discurso do homem que encontrou em Deus a força que precisava na hora mais difícil de sua vida. Invencível prefere o caminho mais simples de apenas homenagear Zamperini e transformá-lo em um exemplo e um herói. Se como atriz, e pessoa em geral, Jolie sempre foi diferente do normal e audaciosa, em sua carreira como diretora é uma profissional presa às regras e sem coragem de ir além da visão comum.

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