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Crítica: Livre

Reese-With-Her-Spoon-Going-WildBaseado na autobiografia de Cheryl Strayed, Livre, indicado ao Oscar de Melhor Atriz (Reese Whiterspoon) e Melhor Atriz Coadjuvante (Laura Dern), conta uma típica história de autoconhecimento e superação, tema que sempre atraí e emociona o público, graças a necessidade que temos de ver o outro superar seus limites para termos coragem de fazer o mesmo.

A história segue Cheryl (Whiterspoon) que depois de viver uma jornada de autodestruição e perder tudo de mais importante em sua vida, decide fazer uma caminhada de 100 dias pela perigosa trilha entre a fronteira do México até o Canadá. Para Cheryl a caminhada será muito mais do que um desafio de superação, mas uma uma jornada de autoconhecimento.

wild-2014-moviePara contar os motivos que levaram Cheryl a entrar nesta longa caminhada o diretor Jean-Marc Vallée (do elogiado O Clube de Compras Dallas) utiliza flashacks fragmentados, trechos do diário da protagonista misturados aos pensamentos dela para que o público entenda aos poucos seu passado. Uma edição que é prepotente e contemplativa demais, muitas vezes confusa e em outros momentos repetitiva, como nas cenas de uso de drogas e sexo. Uma caminhada que logo fica cansativa pela falta de mais emoção, o roteiro a todo instante engana o público de que algo mais forte vai acontecer, mas acaba sempre voltando para sua jornada contemplativa.

As duas indicações ao Oscar que o filme recebeu são bastante contestáveis. Whiterspoon está instável como sempre e não consegue fazer uma atuação completa, está bem na parte da caminhada, quando fala pouco e se expressa através de seus pensamentos, mas não convence de maneira alguma como a drogada e solta sexualmente, A única cena que Whiterspoon consegue passar a mistura de dor emocional e física que sua personagem sente é na abertura do filme quando Cheryl lida com um ferimento nos pés por causa de uma longa caminhada e a perda de uma bota. Ainda mais questionável é a indicação de Laura Dern, no papel de mãe de Cheryl, como atriz coadjuvante, não pela atuação em si, que é no máximo regular, mas pelo pouquíssimo tempo presente de sua personagem e por ter uma história que não apresenta nada de novo ou interessante, além do que outras atrizes mereciam muito mais essa indicação.

Wild-Movie-2014O prestigiado escritor Nick Hornby (Alta Fidelidade), responsável pela adaptação do livro, pouco pode fazer com uma história que não tem absolutamente nada demais, pelo contrário é até comum e cheia de clichês. As atitudes que levaram Cheryl a destruição parecem de uma criança mimada que foi contrariada pela vida, sua jornada de redenção é recheada daquelas insuportáveis frases prontas dos livros de autoajuda. Uma história que passa contraditórias mensagens de amor pela natureza, mas quando é preciso Cheryl não liga nem um pouco em pegar uma carona, e feministas sobre ser dona do seu próprio corpo, o que é contestável diante das tantas escolhas erradas que Cheryl fez em sua vida.

Uma jornada de 120 minutos que não leva a lugar algum, Cheryl não parece mudar ou aprender com seus erros, apenas vai pelo caminho mais fácil ao fazer toda essa caminhada unicamente para encontrar dentro de si desculpas para perdoar os inúmeros erros que cometeu.

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