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Crítica: Whiplash: Em Busca da Perfeição

Whiplash-6Em Whiplash: Em Busca da Perfeição (um raro subtítulo nacional que funciona), o diretor e roteirista Damien Chazelle é como um maestro que tem total controle sobre o tempo certo para contar a atraente história, que também escreveu, e que é como uma música de jazz que vai crescendo aos poucos até chegar ao seu máximo.

A história segue Andrew (Milles Teller, de Divergente), um ambicioso jovem baterista de jazz que tem como único objetivo em sua vida ser o melhor baterista da história. A oportunidade para começar a realizar este sonho surge quando é escolhido pelo admirado professor Fletcher (J.K. Simmons, da trilogia Homem-Aranha) para ingressar em sua banda. Fletcher é conhecido tanto pelo seu talento, como também pelo método radical que usa para tirar o melhor de cada um dos seus alunos, seja através de agressões verbais ou física.

Whiplash-2719.cr2Chazelle criou a história baseada em sua própria experiência em um conservatório musical e teve o talento não somente para rodá-la com um estilo refinado como também ao escolher dois atores como Teller e Simmons para interpretar estes personagens tão cativantes. Teller por saber tocar bateria dá ainda mais realismo ao seu personagem e aceita mostrar em close-ups suas reais cicatrizes, consequências de um acidente de carro, em seu rosto para ampliar ainda mais como seu personagem começa como um garoto tímido e fraco, mas ambicioso, mas que graças ao método de Fletcher fica mais seguro, corajoso e disposto a tudo para realizar seu sonho.

É difícil não ir para o lugar-comum ao elogiar a soberba atuação de J.K. Simmons que faz o melhor trabalho de sua já bem-sucedida carreira. Tendo noção de todas nuances de seu personagem Simmons se transforma neste violento professor que não tem paciência para pessoas limitadas e só quer em sua banda aqueles que que estão dispostos a ultrapassar seus próprios limites. Fletcher é um personagem que a cada cena se torna ao mesmo tempo odiável e admirável, você o odeia pelo que faz com seus alunos e por não mudar seu estilo mesmo sabendo o que isso causa em seus jovens alunos. Ao longo da trama é possível admirá-lo ao perceber que é apenas um homem que está cansado de ver um mundo onde apenas um “bom trabalho” é aceitável e que sabe o quanto isso impede o surgimento de grandes talentos.

MV5BOTc2NTk2NjU3N15BMl5BanBnXkFtZTgwODkzMjQ3MjE@._V1_SX640_SY720_Fletcher e Andrew têm em comum uma enorme ambição, o que os faz entrar em um jogo onde um explora o limite do outro, uma relação de admiração e ódio. Chazelle consegue criar perfeitamente com sua câmera este clima de competição entre os dois, sempre mostrando com delicadeza a arma desta luta, a bateria. Chazelle filma a bateria quase como se fosse a mulher mais sexy do mundo, mostrando suas curvas e a desnudando apenas no fim e como aos poucos a mesma se torna uma parte de Andrew que divide com ela o seu suor e sangue.

É raro encontrar um filme como Whiplash: Em Busca da Perfeição que em sua história indaga o quanto nos acostumamos a não mais ultrapassar nossos limites e aceitamos o básico. Chazelle através de Fletcher indaga essa atual maneira de pensar, já que cada vez mais nos sentimos confortável fazendo somente o necessário e com o mínimo de esforço possível, e quem perde com isso é a própria humanidade.

cinco

2 comentários em “Crítica: Whiplash: Em Busca da Perfeição

  1. […] por fora; já na categoria de Melhor Ator Coadjuvante o favorito, e merecedor, J.K. Simmons (Whiplash) foi o grande vencedor. Já nas categorias femininas, a surpresa foi a, injusta, derrota de […]

  2. […] Melhor filme American Sniper Birdman Boyhood The Grand Budapest Hotel The Imitation Game Selma Theory of Everything Whiplash […]

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