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Crítica: O Hobbit – A Batalha dos Cinco Exércitos

The-Hobbit-The-Battle-of-the-Five-Armies-Thorin-Oakenshield-850x560Um dos temas principais da obra de J.R.R. Tolkien é ganância do homem pelo poder e como isso o cega, e exatamente isso aconteceu na adaptação de seu clássico livro O Hobbit. Um livro pequeno, com menos de 400 páginas, que foi erroneamente adaptado ao cinema em três partes, uma escolha feita unicamente para aumentar o lucro e que acabou prejudicando muito a história que foi sendo arrastada até chegar a sua terceira e última parte da trilogia com O Hobbit – A Batalha dos Cinco Exércitos, um filme que parece ser mais uma cópia de O Senhor dos Anéis – O Retorno do Rei.

A trama começa exatamente a onde parou o anterior, Smaug destruindo a Cidade do Lago e cabe a Bard (Luke Evans) a parar o enorme dragão. Paralelamente Thorin (Richard Armitage) consegue finalmente recuperar a sua querida montanha de Erebor, mas acaba sendo contaminado pela doença do dragão que o faz ficar obcecado por encontrar a pedra Arken, a qual foi roubada por Bilbo Bolseiro (Martin Freeman). A saída de Smaug da montanha é a deixa para o início de uma longa batalha entre diferentes povos que desejam a qualquer custo se apoderar dos incontáveis tesouros que existem no local.

hobbitEm sua mais de duas horas de duração A Batalha do Cinco Exércitos perde uma em um longo e lento prelúdio que prepara o público para a mais que óbvia batalha que está por vir e que quando acontece também se mostra excessivamente longa. Peter Jackson que ganhou o coração dos fãs com sua impecável adaptação de O Senhor dos Anéis se deixou levar pela ganância do estúdio ao aceitar a adaptação em três partes e com isso acabou mostrando os limites de sua própria criatividade. A Batalha dos Cinco Exércitos parece uma longa e ruim cópia da premissa e das cenas de batalhas do espetacular Senhor dos Anéis – O Retorno do Rei, um filme tão perfeito que jamais poderia ser copiado, nem mesmo pelo seu próprio criador.

O desejo de Jackson de criar um filme ainda maior e uma cena de batalha mais espetacular da vista em O Retorno do Rei faz com que a parte final de O Hobbit seja visualmente espetacular, mas nunca consegue alcança a emoção que se esperava de uma batalha tão grandiosa, é muito espetáculo para pouco conteúdo. Uma cena com um excessivo número de personagens, o que faz com que muitos fiquem perdidos no meio de tantas lutas, elfos, orcs e os próprios anões protagonistas somem e voltam constantemente na trama, sem esquecer do desnecessário, e sem química, romance entre de Tauriel (linda e fraca Evangeline Lily) e Kili (Aidan Turner) que repete o tema já visto em O Senhor dos Anéis do romance de um mortal com uma elfo. O maior prejudicado por tudo isso acaba sendo o próprio protagonista Bilbo Bolseiro, um herói que precisa disputar espaço com Bard e Thorin, mas mesmo assim o pequeno personagem continua sendo o melhor desta adaptação por trazer as qualidades que transformaram a obra de Tolkien em um clássico que conquistou uma legião de fãs.

HBT3-fs-341051.DNGA sensação de déjà vu aumenta ainda mais pela polêmica participação de Legolas (Orlando Bloom), totalmente desencaixado e sem função alguma na trama. Uma liberdade tomada por Jackson na adaptação de O Hobbit foi de criar uma ligação mais clara entre essa história com os eventos que vão acontecer em O Senhor dos Anéis, o que novamente faz de forma apressada e pouco se preocupando se realmente este enredo se encaixa com o resto da história. Pelo menos nesta última parte a ligação entre as duas obras rende a melhor cena de ação do filme com o confronto entre Gandalf, Elrond, Galadriel, Saruman contra Sauron, uma luta curta e direta, muito mais funcional do que a interminável batalha principal.

Peter Jackson conseguiu com O Senhor dos Anéis passar para o cinema a grandiosidade, a beleza e complexidade da obra de Tolkien, uma proeza que jamais será esquecida, mas o próprio Jackson parece ter transformando a sua trilogia no seu próprio “Um Anel”, o que o fez ficar obcecado por repetir e aumentar tudo que já tinha feito até agora com O Hobbit. Essa ganância e mania de grandiosidade destruíram a chance de Jackson de fazer com que a adaptação de O Hobbit fosse digna de ser comparada a de O Senhor dos Anéis. Para Jackson é a hora de jogar o seu Um Anel na Montanha da Perdição e tentar recomeçar sua carreira longe da obra de Tolkien e por favor esquecer qualquer ideia de adaptar, a obra restante de Tolkien, O Silmarillion para o cinema.

tres

Um comentário em “Crítica: O Hobbit – A Batalha dos Cinco Exércitos

  1. Concordo plenamente com sua crítica, meu amigo. Confesso que havia gostado de A Batalha dos Cinco Exércitos quando saí do cinema, mas, com o passar do tempo e, quanto mais penso no filme, ele vem caindo drasticamente em meu conceito. Prova de que a ganância é capaz de arruinar (se não desmascarar) a genialidade de alguns cineastas.

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