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Homeland – Quarta Temporada

Homeland-Season-4-PosterEra difícil encontrar alguém que acreditava que Homeland poderia continuar após a polêmica decisão de matar o seu coprotaognista Brody (Damien Lewis) no final de sua terceira temporada, a qual pareceu muito mais uma finalização da história da série. Por causa disso a quarta temporada de Homeland estreou com a sombra da curiosidade e do receio sobre qual caminho a trama seguiria daqui em diante.

Após terminar de assistir a quarta temporada da série a minha opinião inicial se inverteu e afirmo que a melhor coisa que poderia ter acontecido para Homeland foi Brody morrer, já que sem o romance de Carrie e Brody, a série finalmente conseguiu alcançar o seu potencial máximo. É fácil perceber que apesar de ter tido muitas qualidades o romance de Carrie e Brody atrapalhou a história inicial e objetivo principal da série que é narrar os bastidores da CIA e a guerra dos EUA contra terroristas. A quarta temporada de Homeland entrou com tudo neste mundo ao ambientar a história no perigoso Paquistão acompanhando a luta da agência contra um perigoso terrorista ao mesmo tempo que o roteiro conseguiu tirar tudo que existe de bom, e algumas coisas ruins, da sua complexa personagem principal Carrie Mathison (Claire Danes).

Um roteiro impecável que esteve inicialmente ligado aos eventos anteriores com Carrie lidando com a perda de Brody e com o nascimento de sua pequena e ruiva filha Frannie (que nome bizarro!). Nada mais impactante para começar o ano do que mostrar as dificuldades de Carrie em ser uma mãe comum, o que a levou ao pensamento de matar a sua própria filha. Um tema difícil de ser abordado e que os roteiristas conseguiram fazer muito bem, sem medo de ousar e arriscar, e foi este pensamento que levou Carrie a fugir de perto de sua filha e ficar ainda mais centrada em seu trabalho.

Outro ato ousado de Homeland foi na sua história principal da luta da CIA para pegar o perigoso terrorista Haissam Haqqani, um retrato fiel sobre o tempo que vivemos e que foi altamente baseado em fatos reais que aconteceram nos últimos anos. A história de Haqqani está totalmente ligada a de Bin Laden, a criação de um líder islâmico que com atos de terrorismo contra os EUA conquista uma legião de seguidores e se torna um problema para os EUA; neste caso prefere tê-lo como um aliado disfarçado do que como um inimigo, mesmo depois de Haqqani ter matado vários americanos na memorável cena da invasão a embaixada do país no Paquistão, com a triste perda de Fara (Nazanin Boniadi). A equipe criativa da série foi corajosa ao narrar essa história no próprio Paquistão e não utilizar um país fictício, desta maneira aumentou ainda mais o realismo. Isso ficou ainda mais forte ao retratar o governo paquistanês como um aliado a Haqqani e contra os EUA, o que coloca o tema de como se inicia uma guerra entre dois países, novamente outra ideia baseada em fatos recentes.

Algo que apreciei muito nesta temporada foi como Carrie foi mostrada como uma personagem bastante imperfeita, capaz de manipular todos ao seu redor para cumprir seus objetivos e mostrando poucas vezes remorso por agir desta maneira, seja com Quinn, Fara e principalmente Aayan Ibrahim (o competente Suraj Sharma, de A Vida de Pi). A relação de Carrie com Aayan foi um dos pontos altos desta temporada, novamente Carrie se aproximou de uma pessoa que deveria ser apenas uma peça usada no seu trabalho e acabou criando com o ingênuo jovem um laço afetivo, mais uma vez a história terminou em morte. Carrie repetiu com Aayan o mesmo erro que teve com Brody, ambos acabaram mortos por acreditarem nas promessas de Carrie, mas a morte de Aayan foi impactante pela pouca idade do jovem que tinha como culpa apenas ser parente de um terrorista.

Essa mania de Carrie de usar da confiança das pessoas também se repetiu com Quinn (fraquinho Rupert Friend), este um enredo que deixou um pouco a desejar pela sua falta de criatividade, com a clássica história do agente secreto traumatizado que tenta sair do seu trabalho, mas não consegue por estar preso demais a ele e por não ter mais nada em sua vida. Não gostei da ideia de Quinn se apaixonar por Carrie, foi uma saída fácil e previsível demais, a transformando naquela mulher pela qual todos os homens se apaixonam e foi ingênuo demais da parte dele de achar que ela seria aquilo que faltava para lhe dar coragem para sair do seu trabalho. Um romance encaixado de forma apressada no último episódio com Carrie decidindo corresponder este amor quando já era tarde demais; muito mais crível foi o romance de Quinn com a vizinha e até acreditei que por causa deste relacionamento ele sairia da CIA, mas a vida de espião é para Quinn um vicio difícil de largar.

Essa ideia do homem viciado em seu perigoso trabalho se repetiu com Saul (o memorável Mandy Patinkin) que conseguiu sair da CIA e recomeçar uma nova vida com sua esposa, mas acabou sendo novamente puxado para este mundo perigoso, também por causa de Carrie. Foi de um realismo angustiante o enredo do sequestro de Saul, graças também a atuação de Patinkin que conseguiu passar todo o peso de um homem que estava disposto a dar sua vida em nome de seu país e para não ser usado como um objeto de troca para perigosos terroristas serem libertados. O peso da responsabilidade de ter sido usado como bode expiatório para o plano de Haqqani de invadir a embaixada, fez com que Saul voltasse a atrás em sua decisão sobre deixar a CIA e perceber que ainda tem um trabalho a terminar na agência, agora finalmente recebendo o cargo de líder da agência, posto que deveria ter sido seu há muito tempo.

Aqui mais uma vez Homeland sobre trabalhar a questão política de forma brilhante colocando Saul como aquele que percebeu que a moralidade e o certo e o errado são mutáveis diante de certas situações, Saul sabe que ter Haqqani como um aliado é uma maneira de conquistar a confiança do terrorista para que em um futuro próximo possa derrubá-lo, uma estratégia mais inteligente do que entrar em uma guerra sem fim. Al Adal retornou no fim da temporada para mostrar exatamente como funcionam as relações políticas entre os governos e terroristas, uma relação cheia de segredos e da qual a população não pode saber.

Claire Danes fez mais uma vez uma atuação quase perfeita, exceto pelas suas excessivas caretas, durante a complexa jornada de Carrie nesta temporada que foi como sempre intensa e com muito jazz. Para a grande maioria o episódio o momento mais marcante de Carrie foi quando seu remédio foi trocado, o que resultou em um violento episódio onde a personagem sofreu com fortes alucinações; Carrie ficou transtornada e teve até uma visão com Brody, cena que foi uma das mais marcantes da história da série. Na minha opinião este não foi o melhor momento da atuação de Danes, mas sim quando recebeu a notícia da morte de seu pai, a reação dela foi muito realista e capaz de tirar muitas lágrimas, colocando em questão como os dois eram ligados e sendo completada de forma brilhante com a cena do enterro. O que estragou este momento foi a introdução, na hora mais errada possível, da mãe de Carrie, O surgimento da mãe de Carrie foi mais uma desculpa para a protagonista entender que sua doença não é o motivo para se afastar das pessoas e que é possível ter relacionamentos amorosos, o que Quinn estava disposto a ter com ela, mas diante da falta de uma resposta da parte de Carrie foi embora em uma nova missão.

O último episódio teve uma forte carga dramática, mas pecou pela falta de mais emoção parecendo muito mais um prelúdio do que estar por vir com Carrie agora desejando ser uma mais presente para sua filha ao mesmo tempo que enfrenta uma questão moral no trabalho com Saul voltando a ser seu chefe, mas não aceitando o acordo da agência com Haqqani. Dois promissores enredos e que vão dar prosseguimento a este espetacular reinicio de Homeland, uma série que conseguiu se reinventar e mostrar que ainda tem tudo para melhorar ainda mais.

cinco

2 comentários em “Homeland – Quarta Temporada

  1. Não é segredo pra ninguém que Homeland é minha queridinha, e depois dessa temporada então. Não me lembro de ter visto uma série se reerguer dessa maneira após uma péssima temporada. Comecei com desconfiança e terminei aliviada por eles não terem nos deixado angustiados até a próxima temporada, digo, não tão angustiados…

    • Gostei muito da primeira temporada de Homeland e depois achei que a série caiu muito até voltar às suas origens nesta impecável temporada. Fernanda se prepara porque a próxima temporada pelo que eu liv vai deixar o terrorismo um pouco de lado e vai navegar por outros temas, não sei como, mas vai, bom depois desta temporada confio e muito na equipe criativa da série

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