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Crítica: O Abutre

O Abutre-1Roteirista de filmes comerciais como Gigantes de Aço e O Legado Bourne, Dan Gilroy faz uma estreia marcante e promissora como diretor no ótimo O Abutre.

Jake Gyllenhaal (Contra Tempo) vive Lou Bloom, um jovem que sobrevive de pequenos crimes e que tenta encontrar um emprego. Durante uma noite presencia um grave acidente de carro e descobre um grupo de pessoas que trabalham gravando imagens de acidentes, ou qualquer tragédia, para venderem as imagens para jornais televisivos usarem em matérias sensacionalistas, quanto mais sangue mais caras as imagens valem. Lou encontra o trabalho perfeito e fica cada vez mais obcecado por este mundo violento.

Gilroy, que também assina o roteiro, monta uma história rápida e direta que não tem dó em fazer um duro ataque a imprensa sensacionalista refletida na personagem de Rene Russo como Nina, uma veterana editora de um jornal noturno que não tem medo de passar os limites e não liga para qualidade ou padrões jornalísticas, o que a motiva é colocar a imagem mais violenta e exclusiva para chamar atenção do seu público. Lou e Nina criam uma dupla perigosa, ambos ambiciosos e em busca de mais sucesso e poder, pouco se importando para a dor das vítimas que protagonizam sua matérias.

O Abutre-2Gyllenhaal cada vez mais fica marcado por entrar de corpo em alma nos seus personagens, indo muito mais do que o roteiro pede e criando uma personalidade real para cada papel. Em o Abutre, o ator se transforma em Lou, com sua maneira rápida de falar e seu olhos constantemente abertos e alertas, seu sorriso é ao mesmo tempo contagiante e assustador. Lou é um personagem bastante atual, uma mistura de sociopata e um daqueles palestrantes de livros de autoajuda, uma sagaz crítica aos cada vez mais populares palestrantes e pseudos filósofos existentes na internet que tentam ensinar como as pessoas devem viver.

Lou, um consumista destas palestras na internet, decora e usa constantemente estes discursos, muitas vezes na hora errada, o que faz com que suas frases fiquem sem sentido algum. Pela sua excessiva autoconfiança Lou acaba conseguindo ter um controle fácil sobre todas as pessoas ao seu redor, desde a jornalista ao seu ingênuo parceiro de trabalho, para Lou as pessoas são apenas um alicerce para sua sobrevivência. Lou leva ao extremo este discurso de que todo mundo pode ser um vencedor e que precisa se impor para conseguir isso, desvirtua este ideal ao ponto que a cada matéria fica mais obcecado pela matéria mais violenta possível, passando de um mero telespectador para um criador do show de horrores do jornalismo sensacionalista.

O Abutre-3Gilroy trabalha a televisão como uma terceira visão, seu filme vira muitas vezes um reality show sobre este tipos de programas, seja através da própria tela da televisão ou pela câmera de Lou que parece um animal em busca de sua pressa, no caso a tragédia humana. Ao colocar como protagonistas os fabricantes deste tipo de matéria, O Abutre lembra que este tipo de programa somente existe graças a um próprio público cada vez mais sádico e indiferente a tristeza dos outros. Sarcasticamente o roteiro coloca diversas vezes pessoas falando que não possuem televisão de uma forma como se fosse ao mesmo tempo um crime ou uma salvação.

quatro_e_meio

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