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Crítica: As Duas Faces de Janeiro

cdn.indiewireAs Duas Faces de Janeiro adapta para o cinema o livro homônimo de Patricia Highsmith que teve em um passado recente uma outra obra sua adaptada para o cinema com o marcante O Talentoso Ripley, duas com bastante similaridades, mas resultados bem diferentes.

A trama acompanha Rydal (Oscar Isaac, de Inside llewyn Davis), um americano que mora na Grécia e trabalha como guia turístico e que pratica alguns golpes. Rydal conhece o casal Chester (Viggo Mortensen, de O Senhor dos Anéis) e Colette (Kirsten Dunst, de O Homem-Aranha) e logo ficam amigos. Quando o casal recebe a viista de um detetive particular em busca do pagamento de uma divida de Chester com seus clientes, um crime acontece e Rydal acaba tendo que ajudar o casal a fugir do país.

TTFOJ_1103_03411.DNGO prestigiado roteirista Hossein Amini (Drive) faz sua estreia como diretor nesta fiel adaptação ao livro de Highsmith que trabalha o tempo em sua história com contrapontos entre o velho e o novo e o passado e o futuro. A todo instante o filme faz uma ligação entre Rydal e Chester, o passado e futuro de uma vida criminosa, a cada passo da fuga Rydal enxerga cada vez mais de si mesmo em Chester, além de uma analogia da problemática relação de Rydal com seu pai. Outro tema, semelhante a O Talento Ripley, é a questão de um estrangeiro em um país com uma língua e cultura bem diferente da sua, este choque de culturas vai crescendo com o desespero de Chester ao perceber que necessita da ajuda de Rydal que fala grego, uma parceria onde um lado não confia no outro e que vive em constante conflito.

still-of-oscar-isaac-in-the-two-faces-of-january-(2014)-large-pictureO melhor deste contraponto feito entre os personagens principais é atuação de seus intérpretes, o ator em ascensão Oscar Isaac e o excelente e menosprezado Vigo Mortensen, uma dupla que é ofuscada pela errada escolha de colocar a fraquíssima Kristen Dunst em um papel de mulher fatal. Estes contrapontos e analogias da história são realizados de forma bastante didática e excessivamente repetitivos para uma história que exagera em seu ritmo lento. Amini usa sua reflexiva câmera para expor as belezas da Grécia e fazer mais analogias sobre o velho e novo, em uma trama que muitas vezes parece ter inspiração hitchcokiana com seu clima de suspense relacionado a uma história de crime, uma mulher sensual presa em dois homens e um clima que vai se tornando cada vez mais tenso.

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