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Crítica: Boyhood

Boyhood-14Jan2014Desde a trilogia Antes do Amanhecer, Pôr do Sol e Anoitecer, o diretor e roteirista Richard Linklater mostrou uma vontade de mostrar a vida da forma mais real possível no cinema. Linklater leva este ideal ao extremo com o audacioso Boyhood, filme que rodou durante 12 anos aproveitando o real crescimento de Ellar Coltra dos cinco aos dezoito anos, para contar a história do personagem Mason, interpretado por Coltra, e sua família.

O complexo processo se resumia a apenas a rodar algumas cenas anualmente e depois aguardar mais um ano para continuar as filmagens, um desafio complexo aceito pelo próprio Ellar que expôs seu crescimento na tela e também pelos atores Ethan Hawke como o pai de Manson e Patricia Arquette no papel da mãe, a atriz faz uma atuação simplesmente impecável é muito através de sua personagem que a passagem de tempo tem mais impacto, o elenco conta ainda com Lorelei Linklater no papel de irmã de Manson, a jovem é na realidade filha do diretor que durante o processo de filmagem teve que a convencer a não abandonar o projeto.boyhood11f-4-webEste tipo de longo processo de filmagem de Linklater já foi usado algumas vezes no cinema, mas não de uma maneira tão realista e sincera como a de Boyhood. A contar a história da família de Manson, o diretor e roteirista faz uma longa, são quase 3 horas de filme, reflexão sobre a vida e o crescimento de uma pessoa, desde a infância até alcançar a fase adulta, nesta última o filme chega ao seu ápice quando Manson coloca em questão a discussão sobre encontrar o seu lugar no mundo, algo que muitas pessoas passam a vida inteira tentando encontrar. O que torna essa história tão única e especial é sua capacidade de fácil identificação, é possível que cada pessoa que assista ao filme se identifique com diferentes momentos da trama que se assemelhem as suas próprias experiências de vida. Linklater soube de forma delicada mostrar ao público as longas passagens de tempo da trama, algo que faz utilizando muitas vezes músicas marcantes de cada época ou momentos históricos, Boyhood não deixa de ser um retrato político e do cenário musical dos últimos doze anos nos EUA.

boyhood-richard-linklater-4807Simplicidade e diálogos críveis, estes dois elementos reunidos são os alicerces do realismo que a história passa e que ajuda a criar um rápido apego e curiosidade para saber o que vai acontecer adiante na vida desta família tão real. Em tempos de tantos realitys shows, Boyhood faz o melhor e mais fiel retrato sobre a existência humana, com seus momentos felizes, tristes e toda sua simplicidade, muitas vezes complicadas por nos mesmos. Em seu último diálogo Linklater faz uma das mais bonitas e sinceras reflexões sobre a vida: Sabe quando dizem aproveite o momento? Não sei, mas acho que é ao contrário. Como se o momento nos aproveitasse. Eu sei, é… É constante. Os momentos são… Parece que sempre é o agora, sabe?”

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2 comentários em “Crítica: Boyhood

  1. […] (11/01) com o Globo de Ouro que é um grande termômetro para Oscar, por isso é fácil já colocar Boyhood: Da Infância a Juventude como o grande favorito a estatueta de Melhor Filme, desbancando o até então favorito […]

  2. […] filme American Sniper Birdman Boyhood The Grand Budapest Hotel The Imitation Game Selma Theory of Everything […]

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