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Crítica: À Procura

A Procura-1:A história de uma criança sequestrada e a consequente busca incessante dos pais pela mesma já foi utilizada diversas vezes no cinema, um tema clássico e sempre capaz de emocionar e reutilizado mais uma vez em À Procura.

Matthew (Ryan Reynolds) deixa sua filha Cassandre por minutos dentro do carro enquanto vai comprar uma torta, mas ao retornar para o veículo descobre que a menina desapareceu. O filme não faz suspense e logo revela que a menina cresceu e está há anos presa sob os cuidados de Mika (Kevin Durand), sendo usada como isca para atrair novas crianças para uma rede de pedófilos.

A Procura2Com uma, até então, promissora e elogiada carreira o diretor egípcio, naturalizado canadense, Atom Egoyan dá grandes passos para trás com o prepotente À Procura, pelo qual também co-assina o fatídico roteiro. Egoyan tenta trazer algo diferente para uma história, nada mais óbvio que o envolvimento de uma rede de pedofilia, já conhecida ao quebrar o suspense usando uma prepotente edição, cortando sua narrativa com cenas entre presente, passado e futuro, uma proposta narrativa que contraditoriamente quebra a emoção da trama.

É impossível não fazer comparações entre À Procura e Os Suspeitos (2013), duas histórias que trabalham o mesma tema, mas de maneira opostas. Os Suspeitos tinha como maior qualidade conseguir ligar tanto o suspense sobre o paradeiro da criança raptada como fazer uma análise de como um evento como este muda para sempre as pessoas afetadas. O oposto acontece em À Procura que tenta ser diferente ao colocar o suspense em segundo plano e prefere centralizar sua história nas consequências do desaparecimento da menina n vida de seus personagens que são extremamente inferiores, tanto em atuação como criação, comparado aos de Os Suspeitos.

A Procura-3Egoyan cria personagens com personalidades comuns demais, o pai (Ryan Reynolds) desesperado que se sente culpado e tenta encontrar sua filha a qualquer custo; a dramática mãe (Mireille Enos) que também culpa o seu marido e luta para superar a perda; a sensível detetive mulher (Rosario Dawson) que acaba se aproximando demais dos casos e seu parceiro o detetive (Scott Speedman), mais durão e menos sensível. Este contraponto entre os personagens fica ainda mais evidente ao comparar as atuações do elenco, apesar de interpretarem personagens bem parecidos, Ryan Reynolds não passa a emoção e credibilidade que Hugh Jackman conseguiu em Os Suspeitos, o que fica evidente pela comovente e competente atuação de Enos, essa diferença entre atuações se repete com a espetacular Dawson e o limitadíssimo Speedman.

Em sua prepotência Egoyan tentou, sem sucesso algum, trazer uma elegância para um roteiro sem personalidade alguma, uma história que poderia ter sido contada em um descartável episódio da série Law & Order: SVU.

uma e meio estrela

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