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Downton Abbey – Quinta Temporada

downton-abbey-seasonDepois de uma sonolenta quarta temporada, Downton Abbey chegou ao seu quinto ano provando ser capaz de se reinventar ir mais além do que o seu público espera, trazendo muitas e necessárias mudanças para seus personagens.

Para muitos Downton Abbey é apenas uma história sobre uma família rico britânica e seus empregados, o que discordo totalmente, Julian Fellowes utiliza essa premissa básica para contar a história da sociedade européia, e mundial, e os fatos mais marcantes da nossa história. Neste ano Fellowes trabalhou de forma brilhante importantes fatos que aconteceram em 1924 e outros que serão ainda mais importantes. Temas como a ascensão do rádio, a mudança nos costumes da rica sociedade britânica, a maior dela como os ricos começam a ter menos serviçais, já que aos poucos os empregados percebem que podem ter uma vida melhor. Este enredo foi visto nos estudos de Daisy (Sophie McShera) que é o exemplo de uma jovem que quer algo da vida além de ser uma empregada, mas no fim ficou na casa por causa da fidelidade a Mrs. Patmore a (ótima Lesley Nicol). Patmore foi usada também para falar como a economia para os mais pobres estava mudando e também sobre o legado dos soldados da guerra, com a história do seu parente que foi belamente homenageado, apesar de ser considerado injustamente um covarde, por Robert. Mrs. Patmore ganhou um lado mais humano e sensível tanto com o enredo do seu parente soldado como pelo medo de perder Daisy.

Ainda sobre Daisy que descobriu a paixão sobre os estudos com a professora que trouxe uma revolução em Downton, com seus pensamentos socialistas e brigando com Robert, a discussão deles no jantar foi uma das melhores cenas da temporada. A professora também iniciou o processo de Tom (Allen Leech) perceber que abandonou demais os valores que acreditava e virou mais um aristocrata, preparando o terreno para sua triste despedida que deve acontecer no especial de natal. Uma pena a saída de Tom tanto como personagem como também pelas ideias socialistas que ele encaixava na trama.

As mudanças sexuais da época também foram bem retratadas através de Lady Mary (Michelle Dockery, linda e impecável atuação), seja em sua liberdade sexual tanto de transar com seu pretende para saber se quer casar ou não com ele e ao usar métodos contraceptivos. A maior decepção desta temporada ficou por conta da própria Lady Mary, o enredo de sua busca por um novo amor foi enrolado e chato, tudo por causa de seus nada caristmáticos pretendentes, o meigo Mr.Carson os analisou muito bem no último episódio, tanto é que a personagem vai ganhar um novo pretendente no especial de natal.

Curiosamente Lady Mary teve um ano fraco nesta temporada assim como sua querida empregada Anna, achei chatíssimo e sonolento toda a trama do mistério sobre quem matou Green, o qual provou ser um estuprador em série. Essas idas e vindas da polícia visitando Downton e suspeitando de Bates e Anna só poderia terminar com um dos dois presos e desta será Anna que terá que provar sua inocência. Um enredo criminal bem chato e que se prolongou demais, tomara que tudo seja solucionado logo e não continue na próxima temporada, já que está na cara que não foi Anna que matou Green.

A viagem histórica continuou em um tema muito polêmico e bem encaixado na trama, o preconceito que já existia na Europa com os judeus, com o casamento de Lady Rose (Lily James), e ascensão de Hitler, com a trágica morte de Michael Gregson, o grande amor de Edith, dois temas relacionados a Segunda Guerra Mundial, a qual espero que Downton chegue e retrate essa triste época. A melhor história da temporada foi a de Lady Edith (incrível Laura Carmichael) e sua luta para aceitar a morte de seu amor e ficar mais próxima de Marigold. O tema da filha largada foi muito bem narrado nos episódios desde a luta de Edith para ficar mais próxima da criança até ter ajuda de Cora para encontrar uma maneira de ficar com sua filha. Finalmente Edith ganhou uma atraente trama e que não foi sobre a sua boba rixa com sua irmã Mary.

O último episódio teve ainda uma bela cena com Robert descobrindo a verdade e aceitando Marigold, sempre com a ajuda de Cora. Robert e Cora que tiveram uma histórica briga nesta temporada, uma boba crises de ciúmes da parte dele e ela se deixou levar pelo galã que queria conquistá-la. O que achei um exagero foi matar a fofa cadela Isis, somente porque ela tem o mesmo nome ou melhor sigla usada pelo grupo terrorista Estado Islâmico do Iraque e da Síria que matou jornalistas neste ano. Uma resolução drástica demais matar a cadela somente pela coincidência do nome dela com o grupo terrorista.

Um tema leve e gostoso de assistir foi o amor na terceira idade com Isobel que ficou noiva e foi vítima do preconceito por causa de suas origens humilde, torço para que este casamento ainda aconteça, ela merece e muito ser feliz. Quem teve um ciúmes inicial com este relacionamento, e até tentou destruí-lo, foi a cada vez mais espetacular Violet (magistral Maggie Smith), tudo pelo medo de perder sua amiga Isobel. A própria Violet revelou um amor secreto com a chegada do russo Principe Kuragin, foi bonito ver como Violet teve essa reunião com este amor do passado e talvez o maior de sua vida, novamente desperdiçando a segunda chance de ficar com ele e ser feliz por causa do seus intocáveis valores morais. Essa foi a grande temporada de Violet que com este enredo ganhou mais espaço e presenteou o público com seus ácidos comentários e sua personalidade única, alem claro de colocar na trama o que estava acontecendo na Rússia nos anos 20.

No resto, Mr. Carson e Mrs. Hughes continuaram com seu ainda não real romance, não sei o que falta para eles assumirem que gostam um do outro; foi fofo Carson falando para investir junto com Hughes em um negócio. Ainda sobre os empregados gostei e muito do enredo de Baxter (Raquel Cassidy) e a revelação sobre o seu passado sombrio, a personagem ganhou merecido espaço e mostrou ter uma sensibilidade e caráter único. Outro ponto positivo foi seu flerte com Molesley (Kevin Doyle), que percebeu que é melhor ser careca, e também como lidou com o maquiavélico Thomas, alias o personagem só teve merecidas derrotas nesta temporada. O tema de Thomas tentando deixar de ser homossexual foi muito bem contado e trouxe todo o preconceito da época ao tratar a homossexualidade como uma doença. Uma nova lição para Thomas ao ter que pedir ajuda da própria Baxter após ficar doente com a falsa “cura gay”, mas Thomas jamais deixará de ser o vilão da trama.

Essa foi uma das melhores temporadas de Downton e de uma série no geral desta Fall Season/2014/2015, a mantendo na curta lista de melhores produções televisivas da atualidade. Oficialmente o quinto ano será finalizado no especial de natal que geralmente é muito mais uma abertura para a próxima e já muito aguardada sexta temporada da série.

cinco

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