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Crítica: Interestelar

interstellar01Desde 1968 quando estreou 2001: Uma Odisséia no Espaço uma corrida, porque não espacial, foi iniciada para saber qual cineasta conseguiria criar um filme que pelo menos se aproximasse ao nível da obra-prima de Stanley Kubrick. O odiado e também amado Christopher Nolan (trilogia Batman – O Cavaleiro das Trevas) tenta superar este desafio com seu Interestelar, mais um filme do diretor que vai dividir o público em sua opinião final.

A trama se passa em um futuro apocalíptico onde uma praga destruiu boa parte da comida do nosso planeta, além da humanidade sofrer com uma série de tempestades de areia, fatos que mudam a sociedade e seus valores, prevalecendo o trabalho rural do que o científico. Cooper (Matthew McConaughey) é um frustrado ex-piloto e atualmente fazendeiro que ao acaso descobre um projeto secreto da NASA, que com o eminente fim da Terra busca um novo planeta para os humanos. Cooper então precisa decidir se aceita ir na perigosa e longa missão espacial ou ficar ao lado de sua família, principalmente sua filha caçula que não aceita sua decisão de abandoná-la.

InterstellarO roteiro foi escrito por Jonathan Nolan, irmão de Christopher, e originalmente seria dirigido por Steven Spielberg, o que cria diversos questionamentos e já deixa claro que Nolan tem como influência maior os clássicos filmes de Spielberg do gênero. Uma das principais diferenças entre Spielberg e Nolan é que o veterano tem uma habilidade única de trabalhar com enredos familiares, o qual lembra um pouco Armageddon, o que falta a Nolan é a sensibilidade para desenvolver esta parte do roteiro que peca pelos melodramáticos diálogos. A sorte do diretor é ter como apoio nesta parte deu seu filme um elenco afiado, McConaughey continua mostrando sua gigantesca evolução como ator dramático, sendo acompanhado de atuações competentes e bastante emocionais de Anne Hathaway e Jessica Chastain.

Cria-se então uma batalha interna na trama entre ciência contra família, um tema derruba o outro ao longo da história e leva o roteiro a lugares conhecidos de ambos os gêneros. Um conhecido defeito de Nolan são seus diálogos excessivamente explicativos, algo ainda mais ressaltado neste projeto diante de sua complexidade narrativa, o roteiro acredita, e com certa razão, que o público não será capaz de entender tudo sozinho.  Nolan se embasa bem cientificamente em sua historia que realmente traz uma discussão científica e também filosófica sobre o tempo, o acaso e o propósito de cada um no planeta, temas bem abordados, mas perdidos pelo excessivo e choroso drama familiar, faltou coragem a Nolan de criar uma história mais científica e menos novelesca. O ponto de maior polêmica de Interestelar é a ousadia do roteiro em suas explicações finais, uma resolução que não deixa de causar uma certa confusão diante de sua complexidade, sendo mais aceita por pessoas habituadas as liberdades do gênero. O que Nolan faz também é repetir no complexo e polêmico último a mesma ideia filosófica e efeito especial já utilizado em seu filme A Origem.

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Falhando no desafio de ser um moderno 2001: Uma Odisseia no Espaço, Interesterlar é apenas o Gravidade deste ano, outro filme subestimado e que será excessivamente elogiado pela falta atual de obras realmente impactantes no gênero.

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