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Crítica: Tim Maia

Tim-Maia-3Baseada no livro Vale-Tudo – O Som e a Fúria de Tim Maia, de Nelson Motta, Tim Maia faz um retrato sincero, autêntico e sensível de um dos maiores artistas, e mais polêmicos, da música brasileira.

O roteiro de Mauro Lima (do ótimo Meu Nome Não é Johnny) , que assina também a direção, e Antônia Pellegrino não demoniza e muito menos julga, apenas narra a vida de um homem que sempre primou pela autenticidade, sem papas na língua, com seu temperamento difícil e principalmente seu enorme talento.Sempre explorando as questões mais internas de um homem que era tão explosivo, mas muitas vezes escondia seus reais sentimentos nessa sua imagem agressiva. A longa história passa por toda a vida do músico, desde aquele garoto gordinho que se chamava Tião da Marmita, por entregar marmitas na Tijuca, até sua importante passagem pelos EUA, a polêmica relação com Roberto Carlos, o primeiro auge, sua ligação religiosa com o Racionalismo, o segundo auge até chegar ao fundo do poço com as drogas e a bebida, terminando com sua precoce morte aos 55 anos.

Tim Maia-3Maia é interpretado na versão mais jovem por Robson Nunes e mais velho por Babu Santana, este faz uma impressionante atuação conseguindo passar a voz e os trejeitos de Tim. A mais que importante integração da história e a música de Tim Maia é muito bem montada, seja através das próprias cenas do músico compondo alguns de seus maiores clássicos ou usando as próprias músicas de Maia como trilha sonora, as encaixando na trama na época em que foram gravadas, criando assim uma agradável simbiose entre narrativa e música.

A opção de contar a história através de uma narração (feita por Cauã Raymond) ajuda a dar um tom documental para a trama, mas pesa pelo excessivo uso de frases de efeito e pela voz tranquila de Raymond. Mesmo para um filme de mais de 2 horas foi preciso excluir importantes pessoas que passaram pela vida de Tim Maia, incluindo o próprio Nelson Motta, resumidas em apenas dois personagens; Cauã Raymond como Fábio, o resume de todos aqueles amigos que conviveram com o gênio difícil de Tim e Janaina (Alinne Moraes), mãe do filho de Tim Maia e que serve para expor o lado mais sensível e os problemas do músico com as mulheres. A trama não deixa de contar paralelamente a história do nosso país, principalmente da música nacional, com a participação de figuras históricas em pequenos relances, como Rita Lee e Nara Leão. História que é contada através de caprichada e cuidados reconstituições de época.

Tim-Maia-1Uma cinebiografia que honra a memória de Tim Maia ao não exagerar nos dramas, não tentar demonizar ou muito menos santificar o músico, apenas contar a história deste que é um dos melhores músicos da história da nossa música. Tim Maia é bem resumido, tanto no lado pessoal como na música, em uma frase do filme que diz que ele ia de 0 a 100 em oitos segundos.

quatro

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