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Crítica: O Apocalipse

O Apocalipse-1Nicolas Cage estrela O Apocalipse, adaptação da série literária e bestsellers Left Behind (título original do filme), escrita por Tim LaHaye e Jerry B. Jenkins. O polêmico enredo tem como tema principal o temido arrebatamento citado na Bíblia e que finalmente acontece, crianças e aqueles que acreditam na palavra desaparecem da Terra, apenas os incrédulos e pecadores são deixados.

O filme tem como personagens principais a família Steele, o patriarca da família é Rayford (Cage), um piloto que estava no meio de um voo quando o arrebatamento acontece e precisa salvar a vida das pessoas que ficaram dentro do avião, incluindo o jornalista investigativo Buck  Williams (Chad Michael Murray, de One Three Hill). Na terra, a filha de Rayford, Chloe (Cassi Thomson, de Switched at Birth), uma ateia assumida, vê sua mãe e irmão desaparecer e vive o caos criado na terra pelo arrebatamento.

O Apocalipse-2O cinema já foi muitas vezes usado  para vender uma ideologia para o público, o que acontece em O Apocalipse, uma obra que apresenta assumidamente um discurso religioso, desde a sua história até sua insuportável trilha sonora, parecendo muito mais um típico programa religioso que passa na TV do que propriamente um filme. Ao vender a ideia de que somente aqueles que acreditam em Deus serão salvos no Apocalipse, o roteiro apresenta um discurso polêmico e até preconceituoso, o que fica descaradamente claro com o personagem islâmico que é o único que fala em rezar durante o caos, mas não é aceito por não acreditar no Deus que é considerado certo pelo roteiro.

Para disfarçar esta propaganda religiosa os roteiristas Paul Lalonde e Joh Patus criam uma subtrama de filme desastre, essa que logo se torna cômica diante do esdrúxulo orçamento do filme de aproximadamente US$ 16 milhões. Boa parte do orçamento do filme deve ter sido gasta para conseguir contratar um ator de peso como Nicolas Cage, o que talvez explique os precários e muitas vezes ridículos efeitos especiais da produção. O Apocalipse parece uma produção feita para televisão diante da sua falta de qualidade técnica, não somente nos efeitos, mas no precário roteiro com diálogos ridículos e uma direção que beira ao amadorismo de Vic Armstrong, mais conhecido pelo seu trabalho como dublê. A parte mais cômica da trama se encontra no enredo do avião, com personagens caricatos que incluem uma senhora com demência, uma drogada, um muçulmano (porque todo voo tem que ter um) e um anão! O mais triste é que mesmo com este leque de estranhos personagens e com atores limitadíssimos como Murray  e Thomson é Nicolas Cage que consegue afundar ainda mais sua carreira ao aceitar um papel como este e ao fazer mais uma atuação vergonhosa.

O Apocalipse-3O Apocalipse é uma ofensa para a história do cinema ao ser produzido unicamente para ser uma propaganda religiosa, mas sarcasticamente a única “lição” deixada é que se você não for um dos escolhidos, não se preocupe, para sobreviver basta ter um celular e todos os seus problemas serão resolvidos.

meio

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