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Crítica: O Homem Mais Procurado

O Homem Mais Procurado-1Em um dos seus últimos e melhores trabalhos o ator Phillip Seymour Hoffman vive um espião em O Homem Mais Procurado, adaptação para o cinema do bestseller do excelente escritor John Le Carré.

Hoffman interpreta o espião alemão Gunther que após cometer um erro é obrigado a tomar conta da problemática divisão antiterrorismo em Hamburgo, cidade onde o atentado de 11 de Setembro foi planejado e que desde então todos que trabalham no local sofrem pressão para o erro não ser repetido. A chegada do checheno Issa Karpov (Grigoriy Dobrygin) é primeiro vista por Gunther e a divisão anti-terrorismo com um possível de sinal de um novo ataque terrorista, o que o torna objeto de perseguição ente as divisões antiterrorismo que existem no país, passando pelos russos, americanos e os próprios alemães.

O Homem Mais Procurado-2Nenhum outro autor conseguiu melhor que John Le Carré criar histórias sobre o mundo dos espiões, sabendo trabalhar e misturar bem ficção e fatos reais em suas histórias. O Homem Mais Procurado não deixa de ser uma análise sobre o mundo pós 11 de setembro, visando os dois lados desta guerra, o lado dos americanos e europeus em constante medo e pressão para evitar que um novo atentado ocorra e do outro outro os muçulmanos vítimas de preconceito e sendo considerados terroristas. Estas duas opostas, mas ligadas, realidades, são expressadas bem nas atuações e personagens de Houffman Dobrygin. Houffman, que faz um sotaque alemão perfeito, se transforma no espião deprimido que tenta corrigir os erros do passado, sarcástico, autodestrutivo (excessivo uso de cigarro e bebidas) e que sente o peso nas costas de ter que proteger o mundo. As consequências do 11 de Setembro no mundo dos espiões e da inteligência são bem narradas, a pressão para evitar que um novo atentado aconteça leva a uma série de novos erros, julgamentos injustos e brigas internas para quem será aquele que impedirá um novo ataque. O até então desconhecido Grigoriy Dobrygin com seu olhar triste e sempre com semblante de medo, passa bem a vida dura de uma pessoa que é vítima de preconceito simplesmente por acreditar em certos valores.

Como todas as histórias de Carré cada personagem é essencial para a trama e que vira realidade com um elenco impecável, Rachel McAdams, também com ótimo sotaque alemão, como advogada vítima dos espiões assim como o banqueiro interpretado pelo sempre competente Williem Dafoe e Robin Wright como a representante dos EUA, uma personagem dúbia e que exemplifica a pressão que o país dela vive para evitar um novo ataque terrorista. Um dos personagens mais complexos é Faysal Abdullah (Hornayoun Ershadi), porta-voz da comunidade islâmica e que entra para a lista de possíveis terroristas de Gunther. É através de Abdullah que Carré faz uma análise mais profunda sobre ambos os lados desta guerra, deixando no ar se existem mocinhos nesta história ou apenas vilões.

O Homem Mais Procurado-3O roteirista Andrew Bovell tendo em mãos uma história impecável não teve muito trabalho ao adaptá-la, pelo contrário faz ao certo ao tentar o máximo possível de fidelidade com a obra original, algo que pode ser para o bem ou para o mal. Pelo bem o longa tem uma história cheia de reviravoltas que se aprofunda no mundo da espionagem, tendo personagens atraentes e que ficam sempre entre heróis e vilões. O problema é que ao fazer uma adaptação fiel o roteirista mantém o ritmo contemplativo e longo que se encaixa melhor no livro do que no filme, com isso o segundo e terceiro ato se estendem demais até a esperada e chocante cena final. O diretor Anton Corbjin (Control) tem a sensibilidade de entender que aqui o seu papel é deixar a complexa história é a atração principal, ficando seu trabalho em segundo plano. A fineza e delicadeza de Corbjin aparecem na última cena onde coloca elegantemente a sua câmera em um ângulo atípico e que causa o impacto necessário que a trama pede.

Sendo um dos melhores filmes de espionagem dos últimos anos O Homem Mais Procurado é uma história atrativa e uma reflexão sobre o nosso tempo e como um ato terrorista mudou a maneira de vivermos e olharmos para cada pessoa.

quatro_e_meio

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