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Crítica: O Candidato Honesto

O Candidato Honesto-1A política no Brasil sempre foi um grande circo, um perfeito ambiente para a comédia ser feita, na maioria das vezes o público servindo como palhaço e os políticos como público. Aproveitando a época de eleições a comédia O Candidato tenta fazer rir da nossa política e suas conhecidas características. A trama acompanha o candidato a presidência do Brasil, o deputado João Ernesto (Leandro Hassum), o típico político corrupto, algo que não tem vergonha de ser. Depois que sua avó o amaldiçoa a se tornar uma pessoa honesta, João não consegue mais mentir, o que coloca sua eleição em risco.

O queridinho do público nacional Leandro Hassum repete o mesmo estilo de humor que, inacreditavelmente, conquistou os brasileiros em filmes como De Pernas Pro Ar e Até que a Sorte nos Separe, deste último o ator traz o roteirista Paul Cursino e o diretor Roberto Santucci para este novo projeto. Não faltam as tradicionais piadas escrachadas e muitas vezes de mal gosto, sobre homossexualidade, essa repetida diversas vezes, flatulência e diferentes religiões. A novidade para a o estilo de humor de Hassum é a forte inspiração de O Candidato Honesto na comédia O Mentiroso (1997), estrelada por Jim Carrey; muda a profissão do personagem principal de um advogado para um político, mas a premissa é a mesma e Hassum se inspira demais em Carrey, incluindo nos trejeitos do ator americano nas cenas onde tenta contar a verdade.

O Candidato Honesto-2O primeiro ato é longo demais e demora para chegar chegar a parte que todo o público quer assistir que é o protagonista sendo incapaz de mentir. Parte que chega até ter uma leve graça, a visita do político a um programa igual ao da Ana Maria Braga é realmente engraçada, humor logo cortado para uma repetição sem fim das típicas piadas sobre a política nacional e do ultrapassado humor brasileiro. Diferentemente de O Mentiroso, o filme desiste de fazer rir e prefere se centralizar excessivamente na parte humana do protagonista, algo que no filme de Jim Carrey e em quase todas as comédias americanas é sempre deixado para os minutos finais.

O roteiro se preocupa muito mais em passar uma mensagem crítica a política nacional balanceada pela ideia clichê do que colocar uma jovem jornalista (a fraquíssima Luiza Valdetaro) que acredita ainda nos políticos brasileiros. Uma comédia que prefere passar um discurso, com cara de livro de autoajuda, otimista sobre a política nacional, em uma quase lição forçada ao público de como deve escolher seus candidatos, um discurso pobre, cheio de frases prontas e com Hussum nada preparado para essa parte mais séria.

O Candidato Honesto-3Mesmo com as muitas inspirações nas comédias americanas O Candidato Honesto é mais um típico produto do humor feito no nosso país, cada vez mais pobre e sem graça,, mesmo assim o público lota as salas de cinema. Isso não deixa de ser um símbolo do que acontece também nas urnas do nosso país onde a cada quatro anos o povo escolhe os candidatos sem se preocupar se eles realmente vão fazer algo para o país ou apenas falam o que o povo quer ouvir.

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