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Crítica: Era Uma Vez em Nova York

Era Uma Vez em Nova York-1Depois de dois bons filmes policiais (Caminho Sem Volta e Os Donos da Noite) o diretor James Gray surpreendeu a todos em 2008 com o excelente Amantes. Cinco anos depois o diretor em ascensão retorna com Uma Vez em Nova York, onde novamente trabalha com sensibilidade o tema das relações humanas.

Na história ambientada na década de 20, a polonesa Ewa (Marion Cotillard, de Batman – O Cavaleiro das Trevas Ressurge) chega da Itália de navio a Nova York, com o sonho de uma vida melhor. O desejo é rompido logo na chegada quando Ewa é separada de sua irmã que está doente e não consegue a permissão para entrar nos EUA. Ingênua e perdida em um novo país, Ewa acaba nas mãos do inescrupuloso Bruno (Joaquin Phoenix, de O Mestre), um cafetão que a faz se prostituir para conseguir dinheiro para libertar sua irmã.

Era Uma Vez em Nova York-2Marion Cottilard faz um trabalho impecável como a delicada Ewa, uma jovem imigrante que passa por uma transformação deixando de ser uma pessoa ingênua para alguém forte e que jamais será usada por outro homem novamente. Presa entre o amor de dois homens. De um lado Bruno, o homem que diz amá-la, mas a vende como uma mercadoria para seus clientes e do outro surge o mágico Emil (Jeremy Renner, de Os Vingadores), o primo de Bruno, que também deseja dar ela uma vida melhor e com a promessa de tratá-la da maneira que merece. Phoenix, que pela terceira vez trabalha com James Gray, faz mais uma vez uma atuação completa, se transforma neste homem complexo que é Bruno, preso entre o poder e o dinheiro e o aprendizado de ser altruísta e capaz de amar outra pessoa. O ponto fraco do triângulo amoroso é o sempre instável Jeremy Renner, um bom profissional, mas que não está no mesmo nível que seus companheiros de elenco.

Gray se inspira em obras de grandes cineastas como Luchino Visconti, no triângulo amoroso, e no mestre Sergio Leone na questão da imigração, dois temas unidos com sensibilidade e também nos sinceros diálogos, faltando apenas a capacidade de escapar do lugar-comum de ambos enredos. Apesar da beleza visual e do delicado roteiro, Grey não deixa de contar uma história que já foi repetida diversas vezes no cinema, e com muito mais originalidade, seja na imigrante que chega aos EUA como no meloso triângulo amoroso. A Nova York dos anos 20 é recriada através da belíssima fotografia de Darius Khondji (Amor) e também nos detalhes impecáveis no figurino, pena que este cuidados não foram tomados na hora do uso da computação gráfica, alguns efeitos especiais são precários e visivelmente falsos.

Era Uma Vez em Nova York-3O diretor conta uma história de época para falar de um tema até hoje atual, sobre como ao longo das décadas o chamado “sonho americano” foi ruindo até virar uma piada como se vê no cenário atual dos imigrantes nos EUA, Grey tem a sensibilidade de colocar este tema através do olhar de Ewa que descobre um país que pode ser cruel como Bruno e gentil como Emil, mas indaga se os próprios estadunidenses também não são vítimas desta falsa ideia do sonho, Bruno e Emil, filhos de imigrantes e nascidos nos EUA, também são excluídos da sociedade e tentam cada um a sua maneira sobreviver. Apesar de nada inovador, Gray passa bem a sua mensagem sobre a capacidade do ser humano de perdoar alguém que não merecia isso e como o amor é capaz de mudar a natureza de uma pessoa.

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