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Crítica: O Doador de Memórias

THE GIVERO ator Jeff Bridges tem uma forte ligação pessoal com o Doador de Memórias, livro do autor Lois Lowry lançado em 1993. Após ler o livro Bridges ficou apaixonado pela história e comprou os direitos da adaptação, até chegou a gravar um de curta-metragem teste interpretando o papel principal e seu falecido pai Lloyd Bridges como o Receptor; foi somente duas décadas depois que Bridges conseguiu como produtor e coprotagonista tirar o projeto do papel, uma adaptação que tira pouco do melhor obra original e se entrega demais aos filmes voltados para o público jovem.

A trama ambientada em um futuro pós-apocalíptico onde a sociedade para se reestruturar recomeça do zero, criando novas e restritas regras, onde  cada cidadão tem o seu objetivo nesta nova sociedade, algo decidido pelos líderes mais velhos. Uma sociedade que vive em perfeita harmonia, onde não existe mentiras, mas também não existem sentimentos, tudo pelo bem de todos e da paz. No dia da formatura de um grupo de adolescentes, Jonas (Brenton Thwaites, de Malévola) é o escolhido para ser o novo Doador de Memórias, aquele que é o único a saber do passado da humanidade e responsável por ser o conselheiro dos mais velhos. Jonas foi escolhido pelo Receptor (Jeff Bridges) que precisa treinar o garoto e mostrar para ele os erros e acertos da humanidade, algo que mudará Jonas e a todos.

O Doador de Memorias-2O veterano diretor Phillip Noyce (Salt) teve até uma visão criativa ao rodar parte do longa em preto e branco para intensificar o choque do protagonista Jonas ao descobrir o que é ser humano de verdade, com liberdade de sentir e pensar o que desejar. Noyce acerta na ideia da dualidade da cor, enquanto erra na hora da passagem das memórias do Receptor para James, um trabalho precário que apenas reúne belas e costumeiras imagens do nosso cotidiano, assim não consegue transmitir através delas a sensação que Ethan sente ao conhecer o passado da humanidade.

Bridges deve ter se imaginado tanto no papel de Jonas que quando chegou a vez e a idade de viver o Receptor faz uma atuação muito abaixo da sua brilhante carreira, também o roteiro não o ajuda, com diálogos que tentam ser filosóficos, mas sendo apenas uma mistura de frases de efeito. Menos preparado para viver Jonas é Brenton Thwaites, um galãzinho querido do público adolescente que não tem ainda experiência e esperteza para pegar as nuances de seu personagem. Ainda mais decepcionante é ver Meryl Streep totalmente no piloto automático não se dando nem o trabalho de fazer um mínimo de esforço, sendo fria como Katie Holmes, incapaz de passar emoções na vida real e por isso a única do elenco que faz a atuação que seu papel exige.

O Doador de Memorias-3Apesar de ter sido escrito há mais de 20 anos o livro Doador de Memórias tem muitos elementos populares da literatura juvenil atual, a sociedade cheia de regras, com cada cidadão tendo o seu propósito, o que lembra Divergente, com um comando opressor e mentiroso que será quebrado por um jovem, o que se  assemelha a Jogos Vorazes. O Doador de Memórias sofre do mal de todos os filmes voltados para o público adolescente atual, tendo o tradicional, e desnecessário, romance impossível, entre Jonas e Fiona (a bonita e insossa Odeya Rush). Este romance faz com que adaptação não passe da melhor forma a mensagem principal da obra original, com seus questionamentos sobre o alívio arbítrio de sentir e aprender a ser uma pessoa melhor através dos seus erros acertos.

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