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Crítica: Amantes Eternos

Amantes Eternos-1O diretor, roteirista, e ocasionalmente músico, Jim Jamursch utiliza a a história de dois centenários vampiros para fazer uma análise crítica ao nosso tempo e aos males da nossa sociedade.

Adam (Tom Hiddleston) e Eve (Tilda Swinton) são dois antigos vampiros casados e que depois de tantos anos de existência tem visões diferentes sobre o mundo; ele é um vampiro nunca satisfeito com o presente, vivendo agora uma fase roqueiro dos anos 70 e se questionando se vale a pena continuar com esta eterna vida. Eve ainda enxerga certeza beleza no mundo atual e busca uma maneira de mostrar para seu amado que ainda existe motivos para que continuem juntos por toda a eternidade.

A história de Adam e Eve é uma longa reflexão sobre o nosso tempo, cada diálogo tem seu objetivo de questionar e criticar algo da nossa sociedade. O diretor logo de cara faz uma crítica aos EUA ao escolher como cidade ambiente a destruída e esquecida Detroit que a cada crise do seu país afunda-se mais; as discussões filosóficas entre os personagens seguem adiante por temas como ambientalismo, arte em geral, incluindo a música, e o vício da internet.

Amantes Eternos-2Jamursch cria dois personagens únicos e interpretados por dois atores magníficos como Hiddleston e Swinton formando uma dupla que merece ser repetida o máximo possível. Hiddleston é capaz de atuar apenas usando seu olhar que recebe diversos close-ups para acentuarem os sentimentos de seu personagem passando do deprimido ao raivoso; Tilda Swinton é uma camaleoa que entra de corpo em alma em cada personagem dando a cada um pouco de sua beleza andrógina.

Para completar o espetacular elenco atores como Anton Yelchin, um leve alívio cômico e uma ironia dos jovens que vivem como se tivesse nascido em outra época; Mia Wasikowska interpretando uma jovem vampira que cria um interessante paralelo entre o seu vigor juvenil e o cansaço da vida dos dois protagonistas. Este paralelo entre gerações diferentes aparece também com o ainda mais antigo vampiro interpretado por John Hurt onde o roteiro faz uma bela homenagem a um dos maiores autores que já existiu e também a outras grandes mentes da literatura.

Como já é habitual nos filmes de Jamursch a trilha sonora é importantíssima e se conecta de uma maneira a narrativa que juntas se complementam de forma única, tanto que a trilha Amantes Eternos foi merecidamente premiada no Festival de Cannes. O diretor como sempre reúne artistas de diferentes países e passeiaa por diferentes gêneros criando, assim como é visto na história, uma mistura de ocidente e oriente. Outro detalhe técnico sempre cuidado com carinho por Jamursch é a fotografia feita aqui por Yorick Le Saux que cria uma seleção de belas imagens daquele tipo que você tem vontade de parar e ficar apreciando um pouco mais.

Amantes Eternos-3Amantes Eternos em seus últimos e afiados diálogos faz uma reflexão nada otimista para o futuro da nossa existência ao questionar se apesar dos erros do passado somos realmente capazes de fugir de nossa natureza, seja como humanos ou como vampiros.

P.S. Assisti Amantes Eternos no Cine Belas Artes aqui em São Paulo que agora se chama Caixa Belas. Depois de um longo período fechado o cinema foi felizmente reaberto e o resultado ficou espetacular, São Paulo ganha um cinema que mistura o clássico e o novo, com uma ótima projeção e som. A única crítica fica ao excessivo número de escadas e a falta de uma melhor sinalização do elevador que pode ser utilizado para passar parte destas escadas.

quatro_e_meio

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