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Série Nova: Outlander – 1×01 – Sassenach

outlander_keyart_1200_article_story_largeRonald D. Moore (Battlestar Galactica e Caprica) assina para o canal Starz a produção e adaptação de Outlander, elogiada série literária da autora Diana Gabaldon. Outlander mistura romance, uma história de época e ficção científica para contar a história de uma mulher perdida entre o presente e o passado.

A história começa em 1945 após o fim da Guerra, Claire (Caitriona Balfe, de Truque de Mestre) é uma mulher destemida que durante o confronto trabalhou como enfermeira. Depois de cinco anos separados e com o fim da guerra Claire reencontra finalmente com seu marido Frank (Tobias Menzies, de Game of Thrones) com quem parte para a Escócia para uma segunda lua de mel. A primeira parte do piloto se dedica a mostrar o amor incansável de Claire e Frank, ambos traumatizados pelo que viram na guerra e que escolhem sempre o sexo como a maneira de esconderem seus problemas. Frank tenta esquecer o presente pensando no passado ao buscar na Escócia as suas origens em uma obsessão pela sua genealogia.

O roteiro joga de forma forçada o tempo todo a ligação de Frank com seu passado e o que aconteceu no local onde o casal está, preparando assim o terreno para a segunda parte do piloto. Temas como misticismo e até a linha das mãos de Claire também são usadas como artifícios para criar essa ligação da personagem com o passado. Filosoficamente a comparação entre a viagem do tempo de Claire e uma capotagem soa bonito, mas na prática o motivo dela ter ido para o passado é mal explicado.

Claire então se vê no mesmo local na Escócia, mas em 1743 e no meio da batalha entre escoceses e ingleses. A primeira pessoa que Claire encontra é exatamente o antepassado de Frank, o temido e violento Black Jack Randall (também interpretado por Tobias Menzies). Com medo e sem entender o que está acontecendo Claire encontra apoio de um grupo de escoceses liderados por Dougal (Graham McTavis, de O Hobbit) que mesmo sem entender essa moça que fala diferente das outras mulheres, vê nela uma ajuda para enfrentar os ingleses e também usa de seus conhecimentos médicos.Claire já começa a ter um clima com o durão Jamie Fraser (Sam Heughan, de Doctors) que vê nela algo especial e a defende dos ataques dos ingleses e de seus próprios colegas de grupo. Claire então percebe que o futuro é menos importante que o passado e que a vida que conhecia acabou, começando assim uma nova jornada e a busca para voltar para o seu verdadeiro tempo.

Moore optou por adaptar Outlander com fidelidade a obra original e também utiliza uma linguagem literária, o que quase sempre não funciona na televisão. As inacabáveis e chatas narrações da protagonista aliadas ao ritmo lento da história, centrada demais no romance de Claire Frank, fizeram com que o piloto tivesse um efeito de sonífero. Existe uma certa beleza nas palavras de Claire que no livro devem funcionar bem, porém em uma série o artifício da narração precisa ser usado com cuidado e não em excesso. A narração de Claire no livro é utilizada para que os leitores imaginem o que está acontecendo, em uma série a narração fica mais como uma explicação desnecessária de algo que já está sendo mostrado através de imagens.

Passar este estilo literário de Outlander para a televisão foi a pior ideia possível, em uma adaptação como essa era mais do que necessário fazer mudanças na maneira de contar essa história para a torná-la atrativa para o público geral e não apenas para os fãs do romance de Diane Gabalden. Romance que não li, mas pelo que assisti no piloto não tem nada de diferente de outros do gênero; o uso da viagem no tempo é apenas uma maneira diferente de criar um clássico triângulo amoroso e colocar a sua protagonista presa literalmente e filosoficamente em duas épocas diferentes e em busca do seu lugar no mundo.

Vai dar certo? Incerto, Starz acredita no sucesso da série muito pela base de fãs do livro, porém o canal fez uma opção curiosa em dividir a primeira temporada em duas partes de oito episódios, a primeira será exibida neste ano e a segunda no início de 2015. Particularmente não acho isso uma boa opção para uma série estreante e isso pode prejudicar ainda mais a série alcançar o seu público fora da base de fãs da obra literária.

Para quem gosta de…: da obra Outlander, séries de época e romance.

O TV Cinema e Música vai acompanhar? Não, somente em caso de insônia já que Outlander é um perfeito sonífero.

dois

 

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