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24: Live Another Day – Primeira Temporada

24_aQuatro anos depois do seu precoce término 24 Horas retornou em um novo formato com a minissérie 24: Live Another com missão de provar que a série ainda era atrativa e isso teria que ser feito com uma temporada de apenas 12 episódios no lugar dos tradicionais 24, o que mudaria o seu tradicional estilo de cobrir 24 horas de um dia.

Esse corte pela metade no número de episódios foi o primeiro motivo para tudo dar tão certo neste triunfal retorno de Kiefer Sutherland ao papel mais importante de sua carreira, Jack Bauer; o agora fugitivo da justiça e sem país voltou para mais uma vez salvar o mundo e novamente pagou um alto preço por ser aquele que precisa sempre se sacrificar pelo bem maior. Bauer está sempre presente quando seu país precisa dele e sentia ter uma dívida com o presidente Heller (o ótimo William Devane) e Audrey (limitada Kim River) por tudo que aconteceu no passado, sendo um homem integro colocou sua liberdade em risco para evitar que uma tragédia acontecesse. Como esperado ao longo da temporada Bauer passou de fugitivo para a única solução quando  ponto que Heller percebeu que somente o agente é capaz de salvar o mundo.

Existem muitos motivos para a temporada ter chegado a beirar a perfeição; começo com a escolha do cenário saindo dos EUA e passando a história na Inglaterra o que trouxe um necessário clima diferente. Outro importante motivo foi ter uma história bastante atual envolvendo os polêmicos drones e muito mais do que isso uma vilã magnífica como foi Margot interpretada brilhantemente por Michelle Fairley (Game of Thrones); Margot com seu plano de vingança pela morte de seu marido terrorista trouxe uma interessante carga dramática de uma pessoa disposta a sacrificar sua própria filha para concluir seu objetivo.

Ter uma grande vilã fez com que Bauer tivesse mais trabalho e mais uma vez contou com sua melhor amiga Chloe (Mary Lynn Rajskub); o episódio de estreia mostrou todo o amor de Bauer por Chloe e como a distância não apagou essa amizade. Pondero que Chloe poderia ter tido uma participação ainda mais ativa e por exemplo o enredo dela ter perdido sua família, apesar de útil, foi desenvolvido de maneira rasa e a personagem serviu mais como ligação com Adrian Cross (Michael Wincott) e consequentemente o segundo enredo da temporada. Crítico a opção de tirar o espaço de Chloe para entrar Kate (a linda Yvonne Strahovski)que também foi introduzida muito mais como fio de ligação com o segundo enredo da temporada do que para algo realmente importante na trama. A cada papel Yvonne Strahovski é questionada pela sua fraca atuação e por viver personagens com quase nenhuma utilidade dramática; o enredo da falsa acusação contra seu marido não comoveu o público e serviu mais para criar uma ligação com Bauer, já que os dois não tinham a confiança que mereciam do seu governo. O lado cômico é que apesar de ter sido torturada e ajudado Bauer em alguns momentos, a maior marca de Kate na trama foi ter deixado Audrey morrer.

O primeiro arco da perseguição de Bauer contra Margot teve altos picos de ação e drama e por isso quando Bauer matou de forma sensacional e cruel Margot ainda faltando alguns episódios para a temporada acreditei que a série não iria se sustentar até o fim. Sempre fui um forte crítico desta mania de 24 Horas de ter dois enredos principais ou se preferir missões em uma só temporada, porém preciso dizer que desta vez essa fórmula funcionou; primeiro por ter sido reduzida a poucos episódios e também por ter trazido Cheng (Tzi Ma) de volta. O terrorista oriental foi um segundo vilão que manteve o nível deixado por Margot e sua busca por criar uma terceira guerra mundial trouxe o ritmo que a história precisava para não cair.

Já o desenvolvimento dos personagens secundários deixou bastante a desejar, além das já citadas Chloe e Kate, coloco nesta lista, Cross, Donovan (Benjamin Bratt) e o Primeiro Ministro britânico Alastair (talento de Stephen Fry desperdiçado) que mais atrapalharam do que ajudaram. Por outro lado personagens como Cross, Audrey e Mark (Tate Donovan) cresceram ao longo da temporada; tanto a proposta de fazer com que Heller tivesse Alzheimer e também sua falsa morte, além do ciúmes infantil de Mark sobre Bauer e Audrey, foram todos elementos criados e essenciais para que a reviravolta com a morte de Audrey tivesse o efeito desejado.

A ação e o ritmo acelerado permaneceram até o último e emblemático episódio que solucionou bem o problema de como completar as 24 horas, algo que foi feito através de um simples e eficiente avanço no tempo que foi lógico e que não prejudicou a história no seu final. O último episódio trouxe aquele Bauer alucinado em busca de vingança da última temporada após descobrir sobre a morte de Audrey. Jack Bauer ligou o seu modo assassino e foi atrás, literalmente, da cabeça de Cheng que foi o responsável por tirar mais uma pessoa especial de sua vida. O melhor episódio da temporada, e exemplo a ser seguido, foi o capítulo final que  ligou muito bem drama e ação; matar Audrey foi uma proposta ousada e certa, já que traria uma carga dramática que não deixa espaço para um final feliz e também ajudou a tirar da série uma personagem que nunca foi querida pelo público.

A morte de Audrey foi como um castigo para todos; Mark ficou cego pelos seus ciúmes e criou assim uma situação para que a pessoa que estava tentando proteger acabasse morrendo e Heller colocou seu país em primeiro lugar e esqueceu de sua filha; foi brilhante o diálogo final de Heller sobre como perder sua memória acabou sendo algo bom porque poderá esquecer da dor de ter perdido uma filha. Bastante lógico terminar com Bauer mais uma vez tendo que salvar a vida de Chloe e percebendo finalmente que ela foi única pessoa que sempre esteve ao seu lado e que continuou sendo sua amiga; Bauer sabia que teria que resolver seus problemas com os russos e agora partirá para Moscou, uma cidade que o protagonista definitivamente não irá gostar e não terá boas lembranças.

Mais uma vez a série termina com um final aberto que pode ser tanto uma conclusão para a história ou também um gancho para o próximo ano; afinal Bauer será morto pelos russos ou Chloe e seus amigos vão ajudá-lo? Os produtores da série já mostraram o desejo de fazer mais uma temporada e acredito que a Fox está satisfeita com a audiência e repercussão da série, por isso espero que desta vez o canal tome a decisão certa e a renove para mais uma temporada. O retorno de 24 Horas neste novo formato provou ter dado mais do que certo e que a série continua relevante e atraente.

quatro

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