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Crítica: A Marca do Medo

A Marca do Medo-1A produtora de filmes de terror Hammer Film investe mais uma vez em uma produção de época, desta vez ambientada no início da década de 70 para contar uma história levemente baseada em fatos reais. Nela o professor Joseph (Jared Harris, de Sherlock Holmes – O Jogo de Sombras) realiza ao lado de seus alunos uma polêmica experiência onde tenta ajudar a atormentada Jane Harper (Olivia Cooke, de Bates Motel), uma jovem órfã que nunca conseguiu encontrar uma família por dizer ser aterrorizada por um fantasma. Joseph tenta provar que na verdade Jane criou o fantasma e que os estranhos eventos que acontecem ao seu redor nada é do que sua própria mente que se expandiu e criou poderes telecinéticos. O grupo de alunos que acompanha a experiência é formado pela atraente e atirada Krissi (Erin Richards, de Breaking In), seu namorado e imprestável narrativamente Harry Abrams (Rory Fleck-Byen, de Academia de Vampiros) e o jovem Brian McNeil (Sam Claflin, de Jogos Vorazes – Em Chamas), escolhido unicamente por saber usar um câmera que será utilizada para documentar a experiência.

O que se cria então é uma história bem comum ao gênero ultimamente, uma mistura de filme de assombração ligada ao falso estilo documentário, a única diferença é ambientação setentista que de tão forçada fica extremamente falsa, muito pelo seu caricato elenco. Uma reunião de artimanhas do gênero desde a grande e assustadora casa, uma boneca possuída, vômitos e sustos baratos, a maioria baseados em efeitos sonoros. Outras escolhas narrativas tornam a história ainda mais enfadonha, como o rápido e inexplicável romance entre Brian e a jovem Jane, o professor caricato que não deixa de aproveitar sua fama para conquistar suas alunas e também, principalmente, a resolução da história. O último ato onde acontece a conhecida, e cansativa, reviravolta na trama onde tudo é explicado de forma didática demais para uma narrativa que não apresenta absolutamente nada que surpreenda. O que não faz a Marca do Medo ter o mesmo efeito de um sonífero são as atuações de Olivia Cooke e Sam Claflin que mostram talento e química em cena.

A Marca do Medo-2A Marca do Medo vende-se em sua cena inicial como uma história baseada em fatos reais o que de fato não é, já que o roteiro pega apenas poucos elementos de uma pesquisa real feita por um grupo de cientistas nos 70 que tentaram criar um fantasma; algo totalmente diferente da narrativa do filme. A parte mais cômica é que nos créditos finais o longa mostra fotos que deveriam simular os verdadeiros personagens desta história, quando na realidade são apenas atores vestidos com roupas da década de 70. Essas mudanças drásticas na história real se devem pelo roteiro ter sido revisado por quatro roteiristas diferentes, o que fica bem explícito ao longo de uma trama que parece uma roupa que foi costurada no mesmo lugar diversas vezes; o que leva a uma narrativa cheia de furos e que reúne fórmulas prontas do gênero. Defeitos narrativos que são atrelados e piorados pela direção de um profissional sem recursos como John Pogue, que tem em seu currículo como diretor Quarentena 2 e como roteirista o fraquíssimo Navio Fantasma (2002).

A Marca do Medo-3Entre os anos 50 e 70 a Hammer Film ficou marcada por lançar alguns dos melhores filmes de terror da época, fama que a produtora levou por muito até ter sua história interrompida. Com um novo dono a produtora retornou em 2007 e desde então tenta recuperar seus áureos tempos, seja com bons filmes como Deixe-me Entrar (2010), que é um remake de um longa sueco ou o subestimado A Mulher de Preto (2012). Ao mesmo tempo a Hammer estreou neste seu retorno produções esquecíveis como Despertar dos Mortos (2010) e A Inquilina (2011) e agora o fatídico A Marca do Medo, três obra que provam que a produtora terá que ser muito mais criativa e audaciosa para recuperar a sua antiga fama.

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2 comentários em “Crítica: A Marca do Medo

  1. confesso que cochilei assistindo esse filme.

  2. […] bonitos e absolutamente nada mais do que isso. Olivia Cooke, que recentemente estreou o terror A Marca do Medo, cumpre à risca o papel de mocinha, com sua cara de garota indefesa que depois se torna forte e […]

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