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Crítica: O Grande Hotel Budapeste

O Grande Hotel Budapeste -1 Como todo grande artista que vive a sua melhor fase o cineasta Wes Anderson a cada novo filme se supera, um real e raro autor da sétima arte que sabe usar os gêneros do cinema para contar suas deliciosas histórias, visualmente perfeitas, e que são atrativas para todo o público como em O Grande Hotel Budapeste.

Anderson brinca ao contar uma história dentro de uma história sobre outra história, porque como diz o autor (Tom Wikinson) os escritores não inventam histórias, mas contam histórias que escutam e que viveram. A divertida história se passa em 1968 na fictícia, mas com traços de locais reais, Zobrowka, e acompanha a aventura do concierge M. Gustave (Ralph Fiennes) e seu fiel escudeiro Zero (estreante Toni Revolori) para descobrir o responsável pelo assassinato da milionária e bastante idosa Madame D. (irreconhecível e perfeita Tilda Swinton).

O Grande Hotel Budapeste -2A busca pelo assassino de Madame D. é a deixa para uma viagem a diferentes gêneros do cinema e ao mesmo tempo uma belíssima homenagem as origens da sétima arte. Anderson explora comédia, drama, sátira e ação com uma narrativa que tem um ritmo estável e que não se perde, cada reviravolta, e não são poucas, serve para trazer mais dinamismo; Anderson e seu parceiro de roteiro Hugo Guiness vão além ao recriar uma história clássica de detetive, no estilo de Arthur Doyle e Agatha Christie, com pitadas de humor. Como o próprio diretor Wes Anderson coloca nos créditos finais o longa é baseado na obra do autor austríaco Stefan Zweig que deprimido pelos eventos da 2ª Guerra Mundial acabou se suicidando quando morava aqui no Brasil; desta maneira em seu roteiro Anderson aproveita para recontar paralelamente e de forma satírica a história de guerra vivida na Europa.

O prestígio de Anderson na indústria atraí cada vez mais a atenção de grandes nomes do cinema porque sabem que nas obras do diretor vão ter em mãos personagens únicos, carismáticos e que dá a cada ator a chance de explorar novos tipos de interpretações em suas carreiras. Neste novo projeto o elenco é talvez o melhor com o que o diretor já trabalhou, como o mais que talentoso Ralph Fiennes, Adrien Brody (excelente!), Edward Norton, a doce Saoirse Ronan e um assustador, no melhor sentido possível, Williem Dafoe. Mesmo com um elenco recheado de estrelas quem surpreende é o inexperiente Toni Revolori como o doce Zero que é o fio condutor desta história e aquele tipo de personagem que fica na memória.

O Grande Hotel Budapeste -3Wes Anderson tem suas predileções artísticas, seja por trabalhar com alguns parceiros, por exemplo o mestre Bill Murray, e claro sua já conhecida paleta de cores; Anderson como um pintor tem suas cores prediletas, mas a maneira que as coloca é diferente em cada cena; sendo um dos raros diretores da atualidade que se preocupa em fazer de cada quadro uma obra de arte própria, um filme que se assistido em casa merece ser pausado a cada frame para ver cada um dos cuidadosos detalhes; com  impecável direção de arte com cenários cuidadosamente montados e caracterizações perfeitas. Wes Anderson vai a além ao explorar muitos recursos cinematográficos clássicos como maquetes, miniaturas, tudo em busca da perfeição. O Grande Hotel Budapeste é a obra de um diretor que é um autor de verdade que tem a capacidade de fazer a mistura perfeita entre arte e entretenimento.

cinco

Um comentário em “Crítica: O Grande Hotel Budapeste

  1. […] filme American Sniper Birdman Boyhood The Grand Budapest Hotel The Imitation Game Selma Theory of Everything […]

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