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Californication – Sétima e Última Temporada

411_7_0_prm-keyart_1024x640Todo viciado em série tem uma produção que marca a sua vida, aquela história que por algum motivo você ama cegamente, não importa o que os outros digam. A minha sempre série deste tipo foi Californication, quando a série estreou em 2007 estava na transição para a fase adulta e a história de Hank Moody tem diversos momentos lembram a minha própria vida e daqueles ao meu redor. Por esse e outros motivos ter que me despedir de Californication não seria uma tarefa fácil inicialmente, porém acabou sendo pela enorme decepção que foi a sétima e última temporada.

A sexta temporada já tinha dado fortes sinais do desgaste da história e foi salva por personagens coadjuvantes hilários como o inesquecível Atticus Fetch; porém não foi nenhuma surpresa o anúncio de que a sétima temporada seria a última, o inesperado foi ver uma série que beirou a perfeição terminar desta maneira. A equipe criativa de Californication perdeu a mão sobre a sua própria história ao tirar dela as suas melhores qualidades, a principal foi amolecer demais o seu protagonista, Hank Moody que mesmo com suas inúmeras falhas de caráter conquistou uma legião de fãs, por isso foi triste vê-lo virar este homem comum.

O próprio ator David Duchovny, melhor atuação de sua carreira foi nesta série, reclamou publicamente que gostaria de ver Hank morrer no último capítulo, não concordo, mas realmente não esperava um final tão “feliz” para uma série que sempre mostrou a vida de verdade e não este mundo fantasioso, como na romântica, mas pegajosa, cena do avião com a declaração de Hank para Karen (Natascha McElhone, linda e excelente atuação). O maior erro desta temporada foi que o tema deixado no último capítulo da temporada anterior sobre Hank reconquistar Karen foi esquecido ao longo deste último ano, jogado em alguns episódios, como o fatídico e com cara de falsa lição de moral episódio sobre o acidente de Karen. A jornada deveria terminar sim com Hank e Karen juntos, mas não desta maneira, pareceu falso Karen ficar toda a temporada dizendo que não daria uma chance para Hank e no último minuto ela muda de ideia, caindo no papo da carta romântica dele, alias um texto fraco para um autor de belas palavras como Moody.

No lugar de Hank, Karen e a fofa da Becca tivemos os insuportáveis do Levon (fraco Oliver Cooper) e da Julia (canastrona Heather Graham), dois personagens encaixados totalmente na hora errada. Incábivel essa ideia de apresentar um filho perdido de Hank no último ano da série; inexplicável a proposta de trocar personagens carismáticas e adoráveis como Karen e Becca pelo mala do Levon e a insossa da Julia. Se a proposta não era ficar centrado somente no romance de Hank e Karen, uma segunda trama até existia com Hank trabalhando como roteirista de uma série de televisão; enredo que funcionou relativamente bem e que também se destacou pelos seus personagens coadjuvantes como o roteirista homem/mulher e ator principal Hasthtag e também Rath (Michael Imperioli dando show!). O melhor coadjuvante acabou sendo mais uma vez Rob Lowe com seu lunático Eddie Nero que em um único episódio roubou todas as atenções.

Além de tirar Hank de perto de Karen, os roteiristas também o afastaram de seu melhor amigo Runkle (cômico Evan Handler); a amizade maluca destes dois personagens sempre foi um dos pilares desta série e os dois ficaram separados demais neste ano. A melhor cena do último episódio foi exatamente da dupla com Runkle dormindo no peito de Hank, uma imagem que mostra perfeitamente o que foi essa estranha e sensível amizade, sentirei muitas saudades desta dupla. Runkle que foi o mesmo fracasso divertido de sempre chegando quase ao fundo do poço ao deixar Marcy (a segura Pamela Adlon) transar com Stu (Stephen Toblowsky) por um milhão de dólares, mas no último segundo Runkle assumiu pela primeira vez o papel de macho alfa e não só evitou que Marcy transasse com Stu, que ficou sozinho com sua boneca Marcy, como ficou com a grana que irá os deixar sossegado por um tempo, mas claro que os dois vão brigar muito e Ruckle continuará sendo este maluco atrapalhado.

Fato é que os dois últimos episódios não foram ruins somente pelo atrasado retorno de Becca  essa fofa roqueira que acompanhamos crescer e torna-se uma mulher madura e muito mais consciente sobre a vida do que seus pais. Quem também cresceu e apareceu foi Madeleine Martin que começou a série com apenas 13 anos e a cada temporada foi amadurecendo em sua impecável atuação, tomara que ela tenha uma longa e bem-sucedida carreira. O discurso de Becca para Hank sobre o motivo de aceitar o pedido de casamento, e também o pesadelo que ele teve com sua filha, foram perfeitos; essa pequena moça conseguiu dizer o que todo mundo pensava sobre a vida de Hank e o fez o próprio acordar para a realidade e parar de fugir da possibilidade de ter uma vida feliz.

Hank e Karen vão tentar mais uma vez, voltando para Nova York para ver o casamento de sua eterna pequena Becca; não será um relacionamento fácil e vão ter ainda muitas idas e vindas, mas vão acabar sempre voltando um para o outro. Não afirmo que o último episódio foi ruim, mas foi pouco para o se esperava de uma série que ficou sempre além da obviedade, o final pareceu igual a de todas as outras séries e feliz demais para uma história que nunca foi um mar de flores e sim que sempre prezou pelo realismo de seus personagens.

Nota da temporada:

dois_e_meio

Nota para a série em geral:

quatro

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