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Série Nova: The Leftovers – 1×01- Pilot

140303-the-leftovers-2p-900Quatro anos após o fim de Lost o criador da série Damon Liindelof, que neste tempo conseguiu um respeitável currículo no cinema principalmente com a franquia Star Strek, retorna à televisão em The Leftovers, série da HBO baseada no livro homônimo de Tom Peralta, escritor que acompanha Lindelof na adaptação de sua obra.

A trama começa no dia 14 de outubro quando um inexplicável evento acontece onde 2% da população desaparece misteriosamente; a escolha de mostrar o sumiço de um bebê, com uma displicente mãe, e uma criança procurando desesperadamente seu pai ajudaram a dar o choque da estranha perda, o que fica ainda mais ressaltado nas cenas seguintes. Três anos depois os que ficaram tentam lidar com o que aconteceu e em busca de respostas sobre o que aconteceu naquele dia 14 de outubro; a pergunta principal que rodeia toda a história do episódio é sobre o que sentir em uma situação como essa? afinal sem um corpo para enterrar é difícil acreditar que eles realmente foram embora.

Outro tema, este muito mais interessante, é a discussão entre fé e ciência e como ambas analisam essa situação. Por um lado muitos acreditam que Deus tenha levado algumas pessoas escolhidas e os que ficaram estão aqui em uma espécie de penitência, mas em diversos momentos é ressaltado que os que sumiram nem sempre eram boas pessoas, cômico é que até o Papa e a Jennifer Lopez foram levados. A ciência não consegue explicar o fato, o que causa choque já que o homem quando não consegue se apoiar na religião não tem vergonha de correr para a ciência, mas quando ambas, fé e ciência, não conseguem dar a resposta que buscam, o caos acaba prevalecendo.

Apesar de não saberem lidar com a perda a maioria das pessoas tenta prosseguir com suas vidas; algo que o próprio governo tenta ajudar, como visto na homenagem da cidade onde a história é ambientada. A fé levada ao extremo, como sempre acontece em situações deste tipo, surge nos Remanescentes Culpados, um culto que prega o ideal de que aqueles que ficaram não podem esquecer os que se foram e muito menos continuarem com suas vidas como se nada tivesse acontecido. O efeito do culto foi visto em Meg (Liv Tyler, linda e fraca) que parece viver um conflito dentro de si com seu noivo que quer continuar a vida normalmente enquanto ela não parece pronta para superar o evento; por isso vai atrás de respostas no culto. A personagem servirá muito mais para explicar a estranha dinâmica de como funciona este grupo formado por fumantes e que não podem falar.

A proposta mais ousada da trama é ter como protagonistas uma família que não foi diretamente afetada pelo estranho evento, mas sim pelas suas consequências. Kevin e sua disfuncional família é a personificação do mundo após os eventos; Kevin com sua revolta, e bastante culpa pelo que estava fazendo na hora do evento, é aquele que acredita que todos precisavam seguir em frente, porém não consegue porque sua esposa Laurie deixou ele e sua própria família para entrar no culto dos Remanescentes. Essa decisão de Laurie destrói Kevin que por causa disso não consegue seguir em frente; sendo consequentemente uma vítima do evento por ter perdido, de uma maneira diferente, uma pessoa que ama. Isso também afeta seus filhos; Jill a estereotipada adolescente problemática que parece viver em um transe que é uma mistura de raiva e depressão; já Tom seguiu o caminho de sua mãe seguindo o hipócrita líder religioso que usa a perda de seu filho para torna-se um pastor, que claro é abençoado com lindas garotas ao seu lado.

O produtor e roteirista Damon Lindelof retorna à televisão sabendo que terá que superar a eterna sombra de Lost que vai acompanhá-lo por toda vida ainda mais ao apostar em uma nova série que também tem sua trama principal ligada a um mistério. Por mais que o episódio piloto tente vender a proposta de que o tema da série não é sobre o mistério, mas sim sobre as consequências do desaparecimento das pessoas naqueles que ficaram; o nome de Lindelof está ligado demais ao tema para fugir dele e consequentemente o próprio público irá pedir respostas. Mesmo sendo exibida em um canal como a HBO, conhecido por suas séries com liberdade artística que prezam por enredos dramáticos de alto nível e conflitos internos de seus personagens, The Leftovers exagera demais ao tentar vender essa proposta de ser uma série “série de arte”, o que acaba ficando falso.

O diretor Peter Berg (Friday Night Lights) faz um esforço exagerado para passar o clima de solidão e desespero de seus personagens, criando um ambiente introspectivo demais, acompanhado de uma trilha, ou a falta da mesma, que parece desconexa com as imagens; Berg tenta fazer arte ao mesmo tempo que faz uma direção comercial usando as cansativas cenas de slow motion, tentando ser moderno ao jogar flashs, no lugar de flashbacks concretos, rápidos para contar detalhes dos passados dos personagens, o que cria um efeito bastante insatisfatório quando colocado em prática. Discutíveis escolhas visuais e ainda mais de elenco formado na maioria por atores inexpressivos; como Justin Theroux muito mais conhecido pelo seu trabalho como roteirista do que seu talento como ator.

O que me incomodou em muito nesta estreia foi o ritmo excessivamente lento da trama para um episódio piloto longo até demais, no momento que um pouco de ação aconteceria na cena do confronto entre o culto e o povo local, o diretor Berg escolheu rodar a cena em câmera lenta o que estragou e diminuiu o seu próposito narrativo. The Leftovers poderia sim fazer uma série mais introspectiva e centralizada nos conflitos causados pela situação em que vivem seus personagens, mas isso não necessariamente precisava ser feito desta maneira prepotente e excessivamente dialógica.

Vai dar certo? Talvez, a audiência do episódio piloto foi muito abaixo do esperado, tanto que a HBO está fazendo uma forte campanha de marketing para aumentar audiência no segundo episódio. Apesar das boas críticas, ficou claro pelos comentários nas redes sociais que o público esperava mais do episódio piloto; ainda assim aposto em uma empolgação inicial do telespectador, o que é padrão em uma série deste gênero e que deve cair logo. Apostando ainda mais acredito que a HBO não deve demorar para renová-la para um segundo ano, o que não significa que a série irá passar disso ou realmente apresentar uma história interessante.

Para quem gosta de…: séries de mistério, Lost.

O TV Cinema e Música vai acompanhar? Não, serei ousado ao afirmar que The Leftovers tenta ser uma versão prepotente de Lost copiando tudo que deu certo em outras produções de sucesso da HBO. Nada mais do que uma moda passageira e uma série para os pseudo intelectuais amarem.

tres

 

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