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Série Nova: Tyrant – 1×01 – Pilot

1386802288000-FX-Tyrant-starsAnunciado no final de 2012 o projeto da série Tyrant logo tornou-se um dos mais esperados por público e especialistas, principalmente por sido criado por dois nomes respeitados no universo da séries; Gideon Raff, responsável por Hatufim excelente série israelense que foi adaptada para os EUA com Homeland, remake criado por Howard Gordon que se uniu a Raff para juntos criarem Tyrant. Um ano e meio depois de seu anúncio Tyrant estreou no canal norte-americano FX com um polêmico episódio piloto seja pela sua visão americana do mundo árabe, a excessiva violência e principalmente uma história aquém do que se esperava de uma obra criada por Raff e Gordon.

A trama gira em torno de Bassam Al Fayeed (Adam Rayner, de Hunted), o filho mais novo de Khalid Al-Fayeed (Nasser Faris, de 24 Horas), o ditador de um país do Oriente Médio. Cansado da maneira de agir de seu pai, Bassam decide começar uma nova vida nos EUA, adotando o nome de Barry e tornando-se médico; no novo país Bassam casa com Molly (Jennifer Finningan, de Monday Mornings) com quem tem dois filhos Emma (Anne Winters, de The Fosters ) e Sammy (Noah Silver, de Os Bórgias). Depois de 20 anos Bassam volta com sua nova família ao seu país natal para o casamento de seu sobrinho, filho de seu irmão mais velho Jamal (Ashraf Gharaee, de 300: A Ascensão do Império ). Neste retorno Bassam relembra os motivos que o levaram a deixar sua família e país, mas percebe que talvez nunca mais poderá voltar aos EUA.

A proposta de Tyrant é analisar como funciona um sistema ditatorial no mundo árabe através do olhar de um personagem preso entre duas culturas como Bassam, nascido no país árabe, mas já acostumado a maneira norte-americana de viver. Ao longo do episódio piloto percebe-se que Bassam na realidade fugiu  quando jovem do país e de sua família por causa do medo interno da pessoa que iria se tornar se continuasse no local; seguindo os próprios passos e até uma versão pior de seu pai, o clássico ditador que não enxerga seus defeitos e que prefere se fazer de vítima dos ataques do povo, o qual acredita realmente somente ajudar, mesmo que seja através da violência.

Esse receio de torna-se um monstro fica ainda mais evidente no comportamento de seu irmão mais velho Jamal, que inicialmente era um menino covarde e que virou um homem mais cruel e nojento que seu pai; violento a ponto de estuprar mulheres e bater em sua própria esposa. Por ser herdeiro direto do poder tem tudo para ser um ditador ainda mais opressor, o próprio pai de Bassam e Jamal, Khalid refletiu em seu leito de morte que fez a escolha errada ao acreditar que Jamal seria o filho certo para o suceder. Percebe-se também um certo ciúme de Bassam em relação à atenção que seu pai deu a Jamal e por ter demorado para reconhecer suas qualidades; Khalid percebeu tardiamente que Bassam pode ser um líder melhor exatamente por ter duas culturas diferentes dentro de si; a maneira que resolveu a questão do inimigo de Jamal é o exemplo de um homem que tem talento para a política e é capaz de resolver os maiores problemas através do diálogo e não da violência.

Por causa deste constante medo de soltar este seu lado mais cruel, Bassam virou um homem fechado demais e que tem dificuldades com conflitos, incapaz de contrariar uma pessoa, como a mãe do paciente que o obriga a ir no consultório. Este comportamento afetou também seu casamento com Molly que mesmo depois de 20 anos casada sente que ainda não conhece totalmente seu marido, acreditava que o retorno ao seu país natal faria com que Bassam se soltasse mais; porém descobriu um lado mais sombrio em seu marido. Molly é uma personagem chata e dramática demais, com toda essa repetição de querer mudar seu marido.

O lado sombrio de Bassam surgiu nos minutos finais do piloto quando percebeu que com a morte de seu pai talvez teria que assumir o seu lugar; o medo disso acontecer o levou a se soltar mais e mostrar sua agressividade, como ao bater no seu filho mais velho Sammy. O filho mais velho de Bassam é um personagem que pode render um enredo promissor por ser um garoto que esconde sua homossexualidade de seus pais, exceto de sua irmã; Sammy traz o tema de um garoto americano gay em um país árabe conhecido pelo preconceito contra homossexuais; se este plot for desenvolvido de forma corajosa pode ser um dos pilares da trama ligado também a relação ruim que Sammy tem com seu pai.

Apesar de ter entre seus criadores um israelense como Gideon Raff, Tyrant mostra o mundo árabe através da conhecida visão preconceituosa e fechada estadunidense; não faltam vários estereótipos do gênero, um ditador odiado pelo seu próprio povo; carros bombas, muitas mulheres estupradas, grandes palácios, armas e etc. O único ponto que foge dessa visão americanizada é a ideia de colocar o personagem John Tucker (Justin Kirk, de Weeds), um diplomata americano que mora no país árabe e parece ser uma crítica sobre como em certos momentos os EUA fecha os seus olhos para o que acontece em alguns países desde que não o afete e seja bom para seus negócios.

A produção sente a falta de um elenco mais preparado para esses complexos papéis, exceto o ator Ashraf Barhom que está muito bem como Jamal. Cito principalmente o ator Adam Rayner que escolheu um tipo de atuação introspectiva demais para viver o protagonista Bassam que já é propositalmente fechado, com este estilo contido do ator Bassam acaba sendo um personagem quase incapaz de passar emoções. Os conflitos internos de cada personagem são muito atraentes, porém colocados da maneira errada; seja pelo o comportamento calado e inexpressivo demais de Bassam; as repetidas cenas de estupros de Jamal; os dramas comuns da família americana, como o clichê ultrapassado da insuportável filha adolescente rebelde. Tyrant repete em seu piloto os mesmos erros cometidos nas duas últimas temporadas de Homeland, por ter boas premissas e personagens, mas que são retratados de uma maneira rasa e repetindo tudo que já foi feito.

Vai dar certo? Incerto, Tyrant estreou com uma enorme expectativa e teve um piloto com muitas falhas, o que se refletiu na audiência morna que a série teve na sua estreia. A série terá agora apenas mais nove episódios para tentar consolidar-se e conseguir uma segunda temporada.

Para quem gosta de…: Homeland, Hatufim, mundo árabe.

O TV Cinema e Música vai acompanhar? Talvez, apesar das falhas citadas prefiro dar uma nova chance para a série que depois deste piloto pode entrar realmente na história que deseja contar para conquistar o público.

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