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Continuum – Terceira Temporada

20130215KharenHillShawContinuum_Group_4382A proposta do terceiro ano de Continuum foi reinventar a história da série aproveitando o seu tema principal que é a viagem no tempo, foi com essa deixa que Alec e Kiera voltaram ao passado por diferentes razões e acabaram ambos criando um novo futuro.

Depois de duas estáveis temporadas era hora de usar as inúmeras possibilidades do seu tema principalpara recriar a história conquistando e assim chamar ainda mais a atenção do seu público; missão que acredito ter sido cumprida, mas não da melhor maneira. Relendo meus reviews dos episódios reparei que a sensação maior que ficou é que aquela empolgação inicial foi diminuindo a cada episódio até chegar a esse final mais do que óbvio. Esperava muito mais desta temporada que depois de um começo empolgante voltou a sua antiga estrutura de Kiera lutando contra a Liber8 e com ambos tentando, por motivos diferentes, criar um novo futuro; paralelamente o tema dos dois Alecs foi desenvolvido de forma bastante interessante e este foi o maior acerto da temporada.

Nestes dois pontos, Libe8 e os dois Alecs, estão os maiores opostos deste ano; ao continuar da mesma maneire de sempre o  enredo da Liber8 a equipe criativa pareceu ter medo de ousar e ir além, não teve inicialmente coragem de mudar tudo; o último episódio colocando todos para trabalharem juntos, inimigos e amigos, foi o exemplo de como essa temporada poderia ter explorado essa nova linha narrativa no lugar da mesma de sempre. Ainda sobre a Liber8 o meu único elogio foi ao final dado a Sonya que sempre foi aquela que mais acreditou na causa e que mesmo sabendo que não conseguiram realizar o seu sonho, decidiu fazer um último sacrifício dando sua própria vida pelo que acreditava. A morte de Sonya está ligada a Dillon que sobreviveu ao atentado, mas está entre a vida e a morte; o personagem foi o reflexo do que pode vir a ser o futuro com as corporações no controle. Dillon era o oposto de Sonya, acreditando demais nas corporações, perdendo o limite entre o certo e o errado, chegando até usar sua filha para pegar os terroristas do futuro, por isso mereceu este fim.

Por outro lado o enredo sobre a transformação do Alec desta nova realidade foi muito bem desenvolvido, passo a passo até ele virar realmente o empresário maléfico do futuro disposto a trair seus amigos para conseguir o poder desejado com o Halo. O outro Alec seguiu o caminho inverso aprendendo com seus erros e transformando-se em uma pessoa melhor, o Alec que parecia perdido por viajar ao passado para salvar sua querida Emily no fim virou uma pessoa melhor que pode ajudar a mudar o futuro. Muitos elogios ao jovem ator Erik Knudsen que conseguiu dar distintas personalidades para cada Alec e fez a melhor atuação desta temporada. O mesmo não pode ser dito sobre a personagem Kiera como também sua cada vez mais mediana intérprete Rachel Nichols; a protagonista pareceu muitas vezes coadjuvante de sua própria história e as mudanças feitas na personalidade dela demoraram a dar certo. Kiera demorou demais para perceber que desde o começo estava trabalhando para o lado errado e que não existe bem ou mal, mas sim pessoas que cometem ou vão cometer decisões erradas que vão definir o futuro. O enredo dramático dela querer voltar para sua família acabou ficando de lado e talvez seja deixado de lado para sempre, o que considero uma decisão errada já que ter o sonho de uma família esperando por ela no futuro dava a personagem um necessário tom realista e humano.

Quem assiste ao gênero da ficção científica há um bom tempo percebeu facilmente que o que criador de Continuum, Simon Barry, fez neste ano foi reutilizar ideais do gênero de uma maneira mais fácil para o grande público entender. Usando ideias de diferentes autores do gênero e as colocando em sua história, a maior delas é que o futuro é incontrolável, no instante que Alec viajou ao passado para salvar Emily e Kiera o seguiu para evitar que o seu futuro fosse destruído ambos acabaram criando uma nova realidade; um futuro ainda mais sombrio do que aquele que Kiera conhecia e que foi mostrado pelos olhos do novo personagem Brad, o novo e rápido demais interesse romântico par Kiera.

Todo o enredo do último episódio sobre tentar evitar este futuro sombrio pareceu pura enganação e enrolação; matar o outro Alec foi apenas a desculpa para colocar Kellog finalmente em um ponto onde assume um poder que sempre desejou; é uma burrice deixar a Liber8 assumir o laboratório dos Freelancers, o que jamais seria uma boa ideia; o único mistério real deixado é sobre a identidade do homem que Curtis libertou e que parece saber o que vai acontecer no futuro.O resultado de tudo isso foi que Kiera e seus parceiros mais uma vez não conseguiram evitar que um futuro ruim acontecesse, parecendo até que criaram um pior com a chegada daqueles estranhos robôs.

Percebo nesta última cena o resume do que virou Continuum, uma série presa demais a sua estrutura e que dá muitas voltas para chegar ao mesmo local; novamente Kiera e todos os outros personagens vão continuar tentando criar um futuro melhor e claro que não vão conseguir e tudo vai se repetir mais uma vez. Continuum não foi ainda renovada para sua quarta temporada e não ficarei surpreso se o canal Showcase decidir cancelar a série que revelou ser uma história que vive em uma repetição contínua.

Como já escrevi em diversos textos no blog estou fazendo uma política de desapego de algumas séries para abrir espaço para novas produções e também ter um pouco mais de tempo para ter uma vida pessoal; apesar de gostar Continuum não acredito que a série irá evoluir mais e que chegou ao seu limite, sendo nada mais do que uma repetição de tudo que já foi feito no gênero da ficção científica.

tres

 

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