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Fargo – Primeira Temporada

af473a33-ed87-4515-a622-8fbe3135e5fb_Fargo_CL_0872_firstlook1Hannibal pode ter iniciado uma nova moda no universo das séries que são as adaptações de filmes para a televisão. É entrando nesta nova mania que estreou neste ano, com muito receio e baixa expectativa, Fargo adaptação do clássico filme de 1996 dos irmãos Ethan e Joel Coen.

Adaptar um clássico como Fargo não era um desafio fácil, por ser um filme único com uma identidade tão própria seja visualmente e também em sua narrativa; com uma temporada de apenas dez episódios a série Fargo calou a boca de todos os seus críticos ao criar uma história que não era uma cópia do filme, mas uma homenagem a obra original. Começando por ter uma história que se passava paralelamente com a do filme, o dinheiro encontrado por Stavros (Oliver Platt) era o dinheiro deixado por Carl (Steve Buscemi) no filme; além do que os próprios personagens e também seus diálogos são parecidos com os do filme.

Muito mais que isso produtores e roteiristas respeitaram a identidade visual e humor da obra original, começando já com o letreiro inicial igual ao do filme que faz uma sátira sobre histórias baseadas em casos reais. A série Fargo conseguiu manter o humor sarcástico e inteligente do filme com seus diálogos ácidos ao mesmo tempo que também não deixou de apresentar sua própria identidade visual e narrativa.

Quase em uma sátira a Breaking Bad, Fargo também contou a história da transformação de um homem que inicialmente começou digno de pena e depois virou um personagem odiável. No instante que Lester (Martin Freeman) encontrou no hospital com Lorne (Billy Bob Thornton) um monstro começou a ser criado; Lorne que é uma espécie de demônio que onde chega traz o caos acendeu a fagulha que faltava em Lester se soltar. O homem que era depois de velho ainda agredido pelo homem que fez bullying durante toda sua adolescência tornou-se um homem forte, cruel capaz de matar sua primeira esposa, incriminar seu irmão pelo crime e ainda mandar sua segunda esposa para a morte para salvar sua vida.

Uma pessoa que cruza pelo caminho de Lorne nunca mais será a mesma, foi assim desde com o menino do hotel no primeiro episódio, com Molly (Allison Tolman), Gus (Colin Hanks), os agentes do FBI, entre tantos outros. Sarcasticamente isso teve um efeito bastante curioso no próprio Lorne que era tão confiante e que acabou sendo morto pelas mãos de Gus, o policial que atirou na sua própria parceria e que por isso decidiu realizar seu maior sonho de ser um carteiro! Gus é a ironia perfeita desta história, o homem comum sem talento algum para ser o herói, escondido na sombra de sua mulher mais forte e que no final da história torna-se o improvável herói ao ganhar forças para matar Lorne, aquele que parecia indestrutível.

Um dos principais motivos para Fargo ter tido uma primeira temporada excelente foi seu magnífico elenco, nenhum ator ou atriz fez uma atuação mediana todos estavam perfeitos em seus papéis; até em pequenas participações como Oliver Platt, Keith Carradine, o hilário Bob Odenkirk e a sexy e engraçada Kate Walsh. Inegável que a série deu muito certo pelo seu quarteto principal; Billy Bob Thorton, Martin Freeman, Allison Tolman e Colin Hanks.

Thorton voltou ao seus bons tempos com sua memorável atuação com o seu Lorne, entrou realmente na pele do assassino e ajudou muito no marcante humor do personagem, não só ajudado pelos diálogos, mas também em suas expressões, como sua capacidade de dar um sorriso amigável e um segundo depois um olhar de causar medo. O britânico Martin Freeman continuou seu caminho de merecido reconhecimento nos EUA que começou com Sherlock, passou por O Hobbit e agora em Fargo mostrando todo seu talento como ator. Apesar de personagens mais simplórios e com mensagens mais óbvias, tanto Colin Hanks como até então pouco conhecida Allison Tolman foram essenciais para a proposta final ser contada, já que está nos personagens deles a resolução da história centrada de forma não menos cômica no tema de criar uma família e a vitória das pessoas comuns.

O roteirista e criador da série Noah Hawley teve uma compreensão perfeita das ideias tanto práticas como narrativas do filme dos irmãos Coen, as quais passou para a televisão e as inovou com suas próprias ideias. Outra boa opção de Hawley foi fazer uma primeira temporada com começo e fim, com uma história que começou muito bem e terminou de forma esplêndida com o último episódio que foi o melhor da série.

Depois de um primeiro ano excelente e que deve render a produção muitos prêmios. a segunda temporada dá a oportunidade para Hawley e sua equipe criarem uma nova história ainda com mais estilo e personalidade próprios e com menos pressão de ser parecida com o filme dos Coen. Oficialmente o canal Fx não renovou Fargo para sua segunda temporada, o que se espera que aconteça e o que seria ótimo para todos os envolvidos.

quatro

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2 comentários em “Fargo – Primeira Temporada

  1. Excelente review, como sempre.
    Adorei Fargo e já estou com saudades. Acho que, ao lado de True Detective, elas foram as melhores do ano.

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