Deixe um comentário

Crítica: O Homem Duplicado

enemy-featDepois de ganhar um Oscar de Melhor Filme Estrangeiro com o ótimo Incêndio (2010) e ser ignorado pela Academia com o elogiado, e mediano, Os Suspeitos (2013), o diretor Denis Devlleneuve faz uma ousada e totalmente livre adaptação do clássico livro O Homem Duplicado, de José Saramago. Um filme com uma história de difícil e de pessoal entendimento e que coloca a questão se o público atual que e e é capaz de assistir uma obra que não lhe dá respostas prontas.

A trama acompanha Adam Bell (Jake Gyllenhal) um professor de história que tem uma vida maçante e com uma rotina fixa que é quebrada ao assistir um filme e se deparar com um ator que é igual a si mesmo; Adam então descobre a existência de Daniel (também Gyllenhaal) o seu homem duplo, uma pessoa igual a ele, com as mesmas cicatrizes e outros detalhes físicos, porém com vidas opostas. Enquanto Adam tem sua chata e sem alegria como professor e com uma namorada (Mélanie Laurent); Daniel é um homem que busca o sonho de ser um ator famoso, casado com Helen (Sarah Gadon) que está grávida.

enemy-2O roteiro do espanhol Javier Gullón (Invasor) faz uma adaptação aos tempos modernos para o livro lançado no que já parece ser longíquo ano de 2002, porém vai muito mais longe ao pegar a premissa original e suas ideias e passá-las de uma forma bem mais complexa. Se Os Suspeitos pecava por ser um filme comum, em O Homem Duplicado Devilleneuve faz uma obra muito mais autoral, onde o diretor conta sua história através de muita simbologia; as diferenças de cenários entre os locais que Adam e e Daniel moram, as diferenças e igualdades entre os dois muito bem-criadas na atuação impecável de Gyllenhaal, o controle das mulheres na vida de ambos os personagens e principalmente a enigmática aranha. O cineasta coloca as possíveis explicações para sua proposital desconexa história em detalhes rápidos dos diálogos; a conversa de Adam com sua mãe e Helen, as citações políticas sobre poder, a questão de como a história se repete, como ambos estão de alguma maneira presos as mulheres em suas vidas.

Em cada país que estreia O Homem Duplicado cria polêmica pela sua narrativa introspectiva e principalmente seu peculiar e aberto final, dividindo opiniões desde os críticos até o público. O próprio Devilleneuve já disse em entrevistas que jamais iria explicar o que quis dizer com o seu polêmico final e que cabe a cada espectador tirar suas conclusões. Nesta proposta do diretor é que encontra-se o brilhantismo e muita ousadia para o cinema atual que peca exatamente pela falta de obras que não sejam tão didáticas e que coloquem o público para pensar.

Enemy 3Em uma época onde você assiste um filme e o esquece na semana seguinte, O Homem Duplicado por não dar respostas prontas ao seu final traz a deliciosa sensação de ficar pensando, até por dias, até conseguir criar um entendimento sobre a história; porque dificilmente a minha conclusão será igual a de outras pessoas; entender O Homem Duplicado é um exercício pessoal onde as conclusões estão muito ligadas as experiências pessoais de cada espectador e os sentimentos que o filme lhe trouxe.

quatro_e_meio

Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s