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Crítica: Transcendence – A Revolução

Transcendence-12mar2014-01Transcendence – A Revolução explora o antigo debate sobre até onde o homem deixará ser controlado pela tecnologia e quais serão as consequências desta dependência, como o eterno medo de que um dia as máquinas podem assumir o controle. Tema que já foi explorado de diferentes maneiras seja a ação do blockbuster Exterminador do Futuro ou de forma mais intimista e filosófica no recente Ela; Transcendence pode ser frusrtadamente situado no meio destes filmes com uma história que vive um choque ao tentar ser ao mesmo tempo um filme comercial e de arte.

A história acompanha o casal de cientistas Will Caster (Johnny Depp) e Evelyn (Rebecca Hall, de Homem de Ferro 3); Caster é um respeitado cientista perto de conseguir fazer uma revolução com sua pesquisa sobre inteligência artificial, este polêmico trabalho não é aceito por um grupo terroristas que acredita que Caster está tentando tomar o lugar de Deus. Caster acaba sendo vítima de um atentado e fica a beira da morte, por isso sua esposa Evelyn decide dar o próximo passo na pesquisa de seu marido e coloca sua consciência dentro do computador.

Transcendence-27Mar2014_12Depois de ler a premissa e assistir o trailer, que vende muito bem o seu produto, esperava-se um possível novo clássico do gênero sci-fi aliado a um elenco de peso como Johnny Depp, Morgan Freeman e Paul Bettany, o que acaba sendo o posto do que a história é na prática. O roteiro, do estreante Jack Paglen, tem uma ligação com seu astro e chamariz Johnny Depp, seja por ter um ritmo sonolento e que beira ao insuportável como a maneira de falar do ator, como também a ideia de tentar ser uma história filosófica e que tenta debater o seu tema principal, algo falso como a imagem virtual de Depp por ser nada mais do que uma tentativa fracassada de fazer um filme comercial.

Johnny Depp ainda atraí público com sua legião de fãs, mesmo não tendo feito uma atuação decente há mais de 5 anos; a sua versão máquina nesta história é uma reflexão do próprio ator que cada vez mais parece no piloto automático, sem fazer o mínimo esforço e apenas parece preocupado em pegar mais um recheado cheque. O bom elenco é desperdiçado em papéis secundários e sem personalidade; Morgan Freeman e seu já conhecido papel do homem sábio que está lá para falar o óbvio; Paul Bettany, o narrador e herói comum, Cillian Murphy, o caricato agente do FBI e Kate Mara como sempre vivendo a mulher louca e estranha. Com essa preguiça de Depp e um elenco coadjuvante inútil, a verdadeira protagonista torna-se Rebecca Hall, uma atriz subestimada e com sérios problemas em sua atuação caricata ainda mais piorada pela total falta de química com Depp.

WillNComputrA ficção científica é a estreia do diretor de fotografia Wally Pfister como diretor de filmes, um profissional que tem uma longa parceria com Christopher Nolan, uma delas em A Origem que rendeu um Oscar para Pfister. Contraditoriamente essa longa colaboração com um diretor prestigiado como Nolan acaba sendo prejudicial para Pfister que mesmo com um orçamento de peso em mãos fica preso demais as influências de Nolan e carece e muito de novas referências; Pfister descaradamente traz o estilo de Nolan de fazer cinema para a sua estreia, o que causa um choque diante de uma obra que necessitava de uma visão e estilo diferente.Outro ponto onde o estilo de Nolan fica ainda mais visível é na fotografia, Pfister passou o cargo de diretor de fotografia para Jess Hall, mas poderia o mesmo ter feito este trabalho que parece nada mais do que uma cópia da fotografia que o próprio diretor fez nos filmes de Nolan.

Conceitualmente existe na trama um questionamento do poder dos computadores paralelo ao sonho do homem de ser um deus onipresente com controle de tudo, discussão que se perde em uma história rasa atrelada demais aos seus efeitos visuais e a necessidade de vender a imagem de seu protagonista. Transcendence – A Revolução como reflexão da era digital se assemelha muito mais a sensação de estranheza e falta de emoção dos shows com artistas já falecidos e que aparecem através de hologramas.

dois_e_meio

Um comentário em “Crítica: Transcendence – A Revolução

  1. Transcendence é um filme meio suspense, meio sci-fi, meio policial, e nada romântico sobre algo que pode estar acontecendo em laboratórios do planeta e você ainda não considerou isto da forma adequada. Este thriller de ficção científica mais de 100 minutos, eu gostei. Transcendence é um filme estranho e muito futurista que eleva a curto prazo um futuro muito sombrio para toda a humanidade. A coisa interessante sobre este filme é o debate e o dilema moral que surge quando se discute os limites da ciência e tecnologia. Transcendênce é o primeiro filme que fez Wally Pfister, diretor de fotografia de quase todos os filmes de Christopher Nolan.

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