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Game of Thrones – Quarta Temporada

tyrion-lannister-1024Após quatro temporadas produtores e roteiristas já sabem muito bem o que os fãs, tanto os telespectadores como os leitores, querem ver na telinha, aprenderam como conquistar seu público, principalmente com com suas surpreendentes sequências de mortes de queridos personagens.

Hora de falar do que aconteceu neste ano, o qual resumiria como uma temporada de evolução e amadurecimento para todos personagens principais. Claro que vou começar falando de Peter Dinklage que deve receber todos os prêmios possíveis por sua atuação esplêndida neste ano que comprovou ainda mais Tyrion como um dos ou o melhor personagem de Game of Thrones. Todo o drama que passou desde a humilhação no casamento de Jeffrey, a acusação de tê-lo matado, a chance perdida de salvação pelas mãos de Oberyn e até os seus atos no último episódio mostraram o início de uma mudança radical neste personagem. Depois de tudo que Tyrion sofreu neste ano, não teria como terminá-lo ligado ainda aos Lannister, é hora dele seguir seu rumo já que no fundo nunca foi um membro desta família. Ter matado seu pai Tyrion foi quase um ato de libertação para Tyrion cortar os laços com sua família, mas nada comparado a dor da traição de Shae e por ter que matá-la, era preciso matar ambos para poder se sentir em paz e ter sua vingança completa; gostava de Shae, mas ela não entendeu porque Tyrion a afastou para protegê-la, ter falado contra ele no tribunal só não foi pior do que ter dormido com Tyrion.

Quem também vive uma fase de transição é Jaime que não é mais, pelo menos totalmente, aquele homem ruim do início da série; após perder sua mão e ver Jeffrey morrer, Jaime ficou ainda mais próximo de Tyrion e foi um belo gesto salvá-lo. O que impede Jaime de ter uma redenção é sua relação doentia, literalmente, com Cerseia; a polêmica e talvez desnecessária cena do estupro no funeral de Jaime é o exemplo perfeito de como o amor que Jaime sente por sua irmã é o seu principal pronto fraco. Jaime terminou a temporada mais uma vez preso em Cersei, a única que não pagou pelos seus pegados; o que pode vir acontecer em um futuro breve ao ver seu filho e novo rei nas mãos de Margaery e seu pai morto e seu odiado irmão livre.

Falando dos principais inimigos dos Lannisters, os Starks que tiveram um espaço bem menor nesta temporada; a grande reviravolta foi com agora menos insossa Sansa que finalmente parece acordar para a vida e depois de tudo que aconteceu percebe que precisa se levantar e agir mais; sua aliança com Mindinho depois de ter matado Lysa pode vir a ser benéfica para ambos, tendo em mãos o controle do agora rei Robin, que perdeu sua fábrica de leite com a morte de sua mãe. Arya também ficou ainda mais forte em sua jornada por vingança contra os Lannisters, sem medo de usar sua agulha para cortar a garganta de quem passar pelo seu caminho. O ápice de Arya na temporada foi no último episódio com o espetacular confronto entre o Cão de Caça e Brienne (nula neste ano), a melhor luta da temporada e uma despedida merecida para o Cão e que mostrou toda frieza de Arya ao roubá-lo e deixá-lo morrer lentamente enquanto partiu para Braavos.

O personagem que mais odeio atualmente na série é Jon Snow, toda sua história de amadurecimento e ganhando mais respeito na Patrulha da Noite não me agradou, ainda mais pela maneira que aconteceu a sua despedida com Ygritte, personagem que acredito que deveria ter tido mais espaço e uma morte mais decente; sendo ainda mais polêmico achei o episódio da luta entre a Patrulha e os Selvagens uma repetição de outras batalhas já mostradas na série. Até o fedelho do Bran teve em menos espaço uma história mais cativante e que foi resumida em uma curta cena no último episódio quando encontrou finalmente com o corvo de três olhos, não sem antes enfrentar um exército de caveiras, encontrar uma menina bizarra com poderes especiais e ver Jojen morrer, sendo que não fará falta alguma, pelo menos o simpático Hodor sobreviveu; Bran chega ao momento de conhecer mais sobre seus poderes e quem sabe ganhar mais espaço na trama.

Pouco tenho a dizer sobre os outros personagens; a cada temporada fico mais decepcionado com o pequeno espaço dado para Khaleesi que neste ano entendeu o preço de ser considerada a rainha dos escravos e dos dragões; um preço alto e onde nem sempre conseguirá o que deseja para todos. Bastante poético e contraditório seu ano terminar exatamente com Khaleesi tendo que aprisionar seus cada vez mais incontroláveis dragões, justamente ela que sonha dar liberdade a todos. Para completar o seu difícil ano Khaleesi perdeu seu braço direito Jorah ao descobrir de sua traição e o mesmo acabou perdendo a confiança da sua amada. No resto o maluco do Ramsay tem Theon, agora chamado Fedor, em suas mãos e conquista mais força para deixar sua imagem de bastardo; Stannis contínua com seu ilusório sonho de voltar a guerra e derrubar os Lannisters, não esquecendo do polêmico episódio onde conhecemos como funciona o processo de reprodução dos caminhantes brancos, grupo de personagens que gostaria de ver mais na história.

Nelson Rodriguez escreveu magnificamente que toda unanimidade é burra e essa frase é a melhor maneira de resumir a minha opinião sobre a série; estou longe de fazer parte daqueles que a consideram a perfeita, pelo contrário enxergo muitas falhas que comentei nas temporadas passadas e que ficaram bem visíveis neste ano. Todo mundo sabe que Game of Thrones tem como base uma franquia literária com longos livros e adaptá-los para televisão realmente não é uma tarefa fácil, o que coloca sempre a questão para os fãs do livro sobre aquilo que entra ou fica de fora a cada temporada, ainda mais para uma série que tem apenas 10 episódios por ano. Por isso que a minha maior decepção com a série é realmente o seu exagerado ritmo lento com episódios que apresentam poucas ou quase nenhuma novidades e outros que vão pelo caminho contrário onde tudo acontece em uma só semana. Enxerguei isso por exemplo no segundo episódio com a rápida e inesperada morte de Jeffrey, um episódio espetacular e que parecia ser o início de uma temporada espetacular, mas depois dele o ritmo caiu muito e voltando ao normal somente quatro episódios depois, exatamente no sexto onde a história ganhou mais ritmo e ação. Outro exemplo desse descontrole de ritmo e narrativo foi após a também clássica cena da derrota de Oberyn contra o Montanha, com isso todo mundo ficou esperando para saber como seria a inevitável punição de Tyrion, porém o episódio seguinte foi sobre a guerra dos patrulheiros da noite contra os selvagens, um corte brusco demais na história.

Desde o inesquecível Casamento Vermelho a fórmula usada pelo ceifador e autor George R.R. Martin não deixa espaço para você adquirir carinho pelos personagens porque logo o mesmo pode partir; uma história que não tem medo alguma de matar seus personagens. Em um passado recente temos o caso de Lost que investiu pesado em seus flashbacks e depois flashfowards, uma fórmula que inicialmente deu muito certo, mas que ao longo das temporadas foi se desgastando algo que pode vir acontecer com essa sequência de mortes em Game of Thrones.

As incessantes mortes já viraram piadas na internet e se a do segundo episódio com a despedida de Jeffrey deixou todo mundo chocado, as mortes do último episódio já foram levadas como algo até esperado; só o futuro irá ou não comprovar a minha teoria de que essa fórmula de matar os personagens irá em breve cansar e pode prejudicar o futuro da série. Fato é que Game of Thrones conseguiu um novo marco nesta temporada, continuou sua jornada de sucesso no seu quarto tornando-se a maior audiência da história do canal HBO superando a histórica Família Soprano.

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