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Crítica: A Culpa é das Estrelas

A Culpa é das Estrelas-1Quase todo mundo já perdeu ou no mínimo conhece alguém que morreu por causa das consequências de um câncer, um tema antigo que sempre rende histórias fortes; o assunto retorna em A Culpa é das Estrelas onde ganha um tom menos dramático e sim mais sensível, mas ainda mais impactante ao contar a história de amor de dois adolescentes com a doença.

Baseado no livro homônimo de John Green, a história acompanha Hazel Grace (Shailene Woodley, de Divergente), uma jovem com estágio avançado de um câncer que lhe afetou gravemente os seus pulmões; Grace tem uma visão atípica e sarcástica sobre a sua doença e sobre tudo que a cerca. Contrariada vai em um grupo de apoio onde acaba conhecendo Gus (Ansel Elgort, também de Divergente), também com câncer que no seu caso resultou na perda de uma de suas pernas.

A Culpa é das Estrelas-2Diferente de muitos filmes do gênero drama e romances adolescentes, A Culpa é das Estrelas conquista rapidamente atenção pela sua autenticidade, seja pela maneira que a doença é tratada, como também é raro ver no cinema dois adolescentes tão reais como nesta história. Inevitavelmente falar sobre um tema como câncer é ter a certeza de que em algum momento você irá se emocionar, mas neste romance o tema é narrado de maneira oposta ao padrão, é uma história triste, mas conta com um humor sarcástico e que leva a doença como algo sério, mas que faz parte das nossas vidas e cabe a nós vê-lo de uma forma natural.

Os roteiristas Scott Neustadter e Michael H. Weber (dupla de 500 Dias com Ela) valorizam o rico material que tem em mãos, mantendo ao máximo a adaptação fiel a obra original; os diálogos sagazes e naturais, o tema da morte levado de uma maneira mais filosófica e a ideia de pensar o amor como algo muito maior do que as nossas próprias vidas. Uma pena que o diretor Josh Boone não quis ser diferente e ousado como a narrativa e preferiu usar de clichês do gênero como câmera lenta em momentos dramáticos, as velhas e bregas montagens e uma trilha sonora que abusa de músicas modernas e que parecem ter sido escolhidas só para lucrar com a venda da trilha.

A Culpa é das Estrelas-3Uma história que fluí de forma deliciosa e natural muito também as atuações impecáveis de seus protagonistas. Muito se fala de Jennifer Lawrence e outras atrizes desta nova geração, mas nenhuma conseguiu mostrar até o momento a versatilidade e segurança que a jovem Shailene Woodley traz para cada personagem, não deixando de dar para cada um pouco de si mesma. Woodley está impecável como a adorável e sarcástica Haze, como diz o próprio Gus realmente uma pessoa admirável e de causar orgulho de tê-la em sua vida. Repetindo a parceria de Divergente, Woodley tem como companheiro o ator Ansel Elgort que mesmo com pouquíssima experiência, apenas cinco filmes, está também perfeito como Gus; o personagem bem-humorado e que tem um tom de ironia constante em tudo que fala, a analogia sobre o cigarro na boca é genial; Gus é essencial para o desenvolvimento da história tanto para amadurecimento de Hasel e também sobre o ponto de como uma doença como o câncer é capaz de mudar qualquer pessoa. Nunca mais a palavra Ok será a mesma depois de conhecer a história de Hazel e Gus.

Apesar de ser uma história quase totalmente centrada em Woodley e Elgort, o elenco coadjuvante também tem suas qualidades; como Nat Wolf engraçadíssimo como Isaac, é nele que o humor negro da trama é bem exposto e que se repete também no personagem de William Dafoe (Anticristo) ótimo como o escritor Peter Van Houten; essencial para entender as ironias e lições filosóficas que Green passa em sua história. Por outro lado não deixa de ser decepcionante as atuações limitadas e exageradas de Laura Dern e Sam Trammel como os pais de Hazel, principalmente Dern caricata ao extremo, mas nada que atrapalhe o resultado final.

A Culpa é das Estrelas-4O comentário geral daqueles que assistiram ou leram o livro A Culpa das Estrelas é de que dificilmente você irá terminá-lo sem ter gastado muitas caixas de lenços. Apesar de ser uma realidade, diferente de muitas outras histórias do gênero a obra escrita por John Green emociona de forma natural e real ao contar uma bela e triste história, onde as lágrimas acabam sendo uma mistura de felicidade, compaixão e tristeza.

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