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Veep – Terceira Temporada

www.indiewireCom duas elogiadas temporadas Veep poderia continuar em seu terceiro ano com a fórmula de humor que está dando mais do que certo, mas os produtores e roteiristas sabem que o público é instável e pode mudar de opinião ou substituir a série por outra. Não querendo chegar a este ponto o novo ano de Veep foi audacioso ao mudar a rotina padrão do episódio, uma estratégia perigosa já que a televisão e as séries funcionam exatamente por causa de sua rotina; Veep manteve o mesmo estilo de humor de sempre, porém colocou seus personagens em uma nova fase de suas vidas.

A corrida de Selina para tentar disputar a presidência dos EUA foi um enredo escolhido a dedo para esta temporada e uma chance dos roteiristas rirem desta parte do universo da política americana; sempre sem medo de pegar na ferida ao retratar e criticar com humor negro as coisas que os candidatos fazem durante as primárias. Temas como a luta por investidores para a campanha, alianças nacionais e internacionais, as disputas com os outros candidatos o que leva as vezes a um jogo bastante sujo; no fundo uma reflexão sobre o quão ridículo é o sistema político dos EUA, não muito diferente de todos os outros. O ápice da temporada foi o episódio “Debate”, onde a série fez através dos candidatos fictício um retrato dos estereótipos dos políticos americanos, seja o ex-treinador de esporte, o militar orgulhoso, entre outros.

Veep faz essa sátira política atrelada a um personagem única como Selina Meyers, uma pessoa que com sua falsidade e talento para o jogo político consegue disfarçar suas falhas; como dito em um episódio Selina consegue enganar as pessoas a acreditarem que ela gosta delas, quando na verdade odeia quase todo mundo. Uma personagem capaz de no meio de uma corrida eleitoral ter um caso com seu treinador Ray (Christopher Meloni, participação sensacional!), talvez o melhor arco desta temporada. Seria redundante ficar aqui elogiando a atuação de Julia Louis-Dreyfus que teve mais um ano espetacular, comprovando ser a melhor atriz de TV no gênero comédia, com uma distante bastante superior as suas rivais.

Uma candidata imperfeita apoiada pela pior equipe da história da Casa Branca, um grupo formado por personagens atrapalhados que tornam a vida de Selina ainda mais difícil. Um grupo de incompetentes que ajudam a tornar a série ainda mais engraçada, afinal é impossível imaginá-la sem Gary com sua paixão que beira a loucura por Selina, disposto a ter uma lesão em seu ombro unicamente para servi-la; Gary é o braço direito de Selina e o real coprotagonista graças a excelente atuação de Tony Hale. O atrapalhado Mike (Matt Walsh) agora casado, com mais uma mulher para o controlar; Kent e Sue em um romance inexistente e por isso hilário e claro o sempre divertido estressado Ben de saco cheio desta vida na Casa Branca, a qual não consegue largar, trazendo um humor mais pesado com seu mau-humor.

Um enredo que teve uma ateção até maior do que merecia foi a disputa para ver quem seria o gerente da campanha, disputa que depois do candidato de Selina dispensar o cargo ficou entre Dan (Reid Scott) e Amy (Anna Chlumsky). Dan teve sua melhor participação na série nesta temporada, principalmente no episódio que  teve um ataque de ansiedade, já Amy continua sendo uma personagem supérflua e a mais fraca da série. A grata surpresa deste ano foi uma participação maior e merecida do bizarro Jonah (Timothy Simons, incrível!), todo o seu enredo foi muito engraçado com sua personalidade que se acha demais sem ser nada; interessante a reviravolta dele sendo despedido da Casa Branca, virando um fracassado blogueiro e sendo humilhado por todos, para no final voltar ao local de início e com um certo prestígio, Jonah acaba sempre conseguindo um emprego somente por causa do seu famoso e poderoso tio.

Foi nos dois últimos episódios que Veep teve uma nova mudança em sua linha narrativa com a decisão de Potus de renunciar e passar seu posto para Selina que deixou finamente de ser a vice; transição feita de forma apressada em apenas um episódio, o que pareceu muito mais um prelúdio para próxima temporada. Muda o cargo, mas as falhas de Selina e de sua equipe continuam, em apenas um dia na Casa Branca, a primeira mulher presidente dos EUA conseguiu criar uma crise com Irã por causa de uma demissão errada, virar piada por causa de um sapato barulhento (hilário) e claro a proeza de ter que fazer duas vezes o juramento para assumir o cargo!

Além de Selina deixar de ser a Veep, outra drástica mudança é a sua derrota nas preliminares e com isso seu sonho de ser por mais um tempo a presidente pode ter acabado; isso leva a questão de que  o quarto ano de Veep promete trazer uma mudança ainda mais radical com Selina aproveitando seu curto período liderando o país e depois despedindo-se da Casa Branca; se Selina já foi uma Veep bastante atrapalhada, imagina o que fará na política americana como presidente!

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