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Crítica: Versos de um Crime

Versos de Um Crime-1Versos de um Crime têm como premissa ser um retrato histórico de um evento que marcaria uma geração com o assassinato de David Kammerer pelas mãos de Lucien Carr, crime que foi o início da formação da geração de escritores que seria conhecida como beatnik. O longa do estreante John Krokidas acaba sendo fraco como relato histórico, porém acaba servindo muito mais para expor ainda mais uma nova geração de atores de alto nível de Hollywood.

Além de dirigir Krokidas assina o roteiro com o também estreante Austin Bunn, com isso a inexperiência de ambos fica visível tanto na parte técnica como também na maneira que conduzem a história. Um roteiro que fica sempre confuso entre contar a origem da geração beatnik como explicar os motivos que levaram Lucien a matar David; dois enredos que historicamente se combinam, mas que na linha narrativa deste longa vivem um confronto.

Versos de Um Crime-2.A sorte de ambos é ter em mãos jovens atores como Daniel Radcliffe (Harry Potter), Dane DeHaan (O Espetacular Homem-Aranha 2: A Ameaça de Electro) e Jack Huston (Boardwalk Empire); Elizabeth Olsen (Godzilla) e outros mais experientes como Michael C. Hall (Dexter) e Ben Foster (30 Dias de Noite); um elenco inspirado e cada um entrando de corpo e alma em seus papéis. Radcliffe vive o personagem principal, o poeta Allen Ginsberg, nesta versão ainda jovem conhecendo mais sobre si mesmo desde suas habilidades como escritor até sua homossexualidade; um personagem denso com cenas difíceis que Radcliffe vive calmamente tendo domínio total, um papel que deve ser considerado um marco para o ator que consegue se desvincular quase totalmente de sua imagem de eterno Harry Potter.

Ao seu lado tem um ator como Daniel DeHann impecável como Lucius Carr, o único personagem bem desenvolvido do roteiro, expondo bem suas falhas como pessoa, como sua homossexualidade reprimida que o levou a matar David interpretado por Michael C. Hall na sua melhor atuação no cinema. Estão acompanhados dos também competentes Ben Foster em uma incrível personificação de William Burroughs, a sempre competente Elisabeth Olsen como Edie Parker esposa do mítico Jack Kerouac, interpretado por Jack Huston que surpreende ao conseguir expressar em poucas cenas os sentimentos que o levaram a ser o escritor mais marcante da geração beatnik.

KillYourDarlings2_620_011813Um desperdício um marco histórico como este ser retratado por um diretor como Krokidas que faz escolhas cinematográficas que tentam ser ousadas, metida a artísticas, quando na verdade parecem erros de principiantes, clichês e escolhas narrativas que esbarram em um diretor que não consegue colocar da melhor maneira suas ideias através de sua lente. Os cortes do último ato são bruscos para um filme que inicialmente pareceria contar a história do assassinato de Dave, mas quando chega este momento faz uma edição confusa e um final anticlimático.

Versos de um Crime entra para cada vez mais longa lista de filmes recentes que tentaram e não conseguiram retratar realmente a alma e o impacto causado pela geração beatnik.

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