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Crítica: Oldboy – Dias de Vingança

Oldboy-1Não deixa de ser estranho ao primeiro olhar imaginar um diretor como Spike Lee, conhecido por seu cinema engajado na causa negra, aceitar fazer o remake de um filme como Oldboy que foge totalmente ao seu estilo. O magnífico longa original do diretor sul-coreano Chan-wook Park foi um sucesso de público e crítica no seu lançamento em 2003, recebendo justamente o Grande Prêmio do júri em Cannes.

A premissa é quase igual a original, Joe (Josh Brolin) é um homem cheio de defeitos e problemas internos, alcoólatra, displicente com sua família, esposa e filha, e no seu trabalho como publicitário; durante uma noite de bebedeira é sequestrado e colocado em um falso quarto de hotel, que é na verdade uma prisão. Ironicamente o cartaz na parede do quarto fala que eles estão lá para fazer o máximo para melhorar sua estadia; Joe é largado no quarto apenas com uma televisão, papel e caneta, um banheiro e recebe todos os dias a mesma comida japonesa. O terrorismo psicológico prossegue com Joe descobrindo pela televisão que sua esposa foi estuprada e morta e que o verdadeiro culpado colocou provas que levam a conclusão de que Joe foi o responsável pelo crime. Joe chega a um ponto deplorável até ver na televisão uma matéria sobre sua filha, então decide se levantar e se preparar para sair do lugar ir atrás de vingança contra aqueles que o prenderam. Joe passa 20 anos tentando fugir e preparando sua vingança até que um dia é estranhamente libertado; lá fora tenta concluir seu plano de vingança com ajuda de um velho amigo (Michael Imperioli, de A Família Soprano) e da assistente social Marie (Elizabeth Olsen, de Godzilla), que o ajuda mesmo sem o conhecer direito.

Oldboy-2Oldboy é uma história violenta tanto no seu visual e ação como também no seu lado psicológico com sua trama que faz um duro ataque aos valores morais e tradicionais da nossa sociedade. Talvez tenha sido por este cunho de crítica social que Lee tenha aceitado assumir o remake, o qual pouco faz mais do que refilmar as cenas originais e pouco traz do seu conhecido estilo. Em comparação com o trabalho impecável de Chan-wook Park, Lee apenas o copia e quando faz leves mudanças de ângulos e estilo cria algumas opções visuais questionáveis. A maior derrota de Spike Lee para o trabalho de Park está na inesquecível cena da luta com o martelo, no original rodada em plano-sequência, uma visão que Chan-wook Park montou magnificamente e é copiada até hoje em outras produções; estranhamente Lee desmonta essa cena com muitos cortes que destroem todo o impacto original que deveria causa, acrescentando que toda a violência e sangue se perde nesta refilmagem.

O cinema asiático é conhecido pelas suas atuações exageradas que destoam muito do estilo hollywoodiano, porém o remake tenta manter este estilo de atuação com Josh Brolin atuando no limite entre incorporar ao máximo o papel ou fazer uma sátira sobre o mesmo. Este estilo escrachado também segue com os personagens de Samuel L. Jackson (ótimo como sempre) e Sharlto Copley (Malévola) que aqui pode usar ao máximo de seu conhecido estilo exagerado. A única que se destoa, no melhor sentindo possível, é Elizabeth Olsen como a benevolente Marie, a jovem e mais que talentosa atriz consegue com sua atuação aumentar ainda mais o choque da revelação final que é um soco no estômago.

Oldboy-3Mark Protosevich (Eu Sou a Lenda) acrescentou poucas novidades no seu preguiçoso roteiro, algumas mudanças criadas unicamente para trazer a história para uma realidade mais americanizada, porém nada destacável e algumas mudam demais o tom da história original. O único momento que obra original e remake se destoam é na conclusão da história, onde fica claro as diferenças entre a proposta chocante do filme de Chan-wook Park, com um final deprimente e triste, e essa versão que termina de forma bem mais branda; no cinema Hollywoodiano a esperança nunca morre mesmo em uma história onde seria impossível criar um final feliz.

dois_e_meio

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