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Crítica: No Limite do Amanhã

No-Limite-do-Amanha-1No gênero da ficção científica a ideia de uma pessoa presa eternamente a um período do tempo já foi explorada de diferentes formas, seja como comédia no clássico Feitiço do Tempo (1993) ou em tom dramático como no recente Contra o Tempo (2011). Baseado livremente e levemente na HQ criada por Hiroshi Sakurazaka No Limite da Amanhã explora este tão usual tipo de história de forma ainda mais dramática e com um inspirado Tom Cruise no papel principal.

O longa já abre de forma dramática apresentando uma realidade onde os humanos vivem uma batalha mortal contra uma devastadora invasão alienígena que já dura um longo período. Após muitos derrotas a chance de uma vitória surge com a criação de uma super-armadura, um exoesqueleto capaz de tornar os humanos forte o bastante para enfrentar os alienígenas. O personagem principal é Bill Cage (Tom Cruise), um oficial do Exército americano que é o relações pública do país; o carismático garoto propaganda com rosto bonito usado pelo governo tanto para incentivar a população a se alistar como fazer o jogo político e alianças com outros países. Cage acaba sendo surpreendido quando um general o avisa que ele terá não só que participar da mais importante batalha, aquela que definirá o futuro da guerra, como ficará na linha de frente.

No-Limite-do-Amanha-3Cage é apenas um rosto bonito, sem aptidão e principalmente coragem para entrar em combate; vende para as outras pessoas a proposta de se alistar e dar suas vidas pela humanidade, mas o próprio é capaz de tudo para fugir da batalha, tendo até medo de sangue. Sem talento algum para ser um soldado, Cage acaba morrendo rapidamente na batalha, mas após sua morte é surpreendido ao acordar no dia anterior da batalha e então percebe que está preso a um contínuo espaço no tempo, onde sempre acaba morrendo e quando tenta explicar para as outras pessoas o que está acontecendo ninguém acredita nele. Cage muda de o homem covarde para o inesperado herói aquele que pode ser o único capaz de salvar a humanidade e acabar com essa guerra contra os alienígenas de uma vez. Para isso terá ajuda da soldado Rita (Emily Blunt, de Diabo Veste Prada), curiosamente também uma garota propaganda do governo, mas sendo usada por causa de suas habilidades únicas em combate.

Com uma longa carreira em papéis onde é sempre o herói é inovador ver Cruise interpretando um personagem que não nasceu para ser o salvador do dia, pelo contrário, acaba a cada nova morte percebendo que precisa deixar de lado sua covardia já que é o único que pode salvar a humanidade. Cruise está bastante inspirado neste papel, o ator deixa o seu usual piloto automático e parece querer atuar de verdade, dando vida para um personagem que exige bastante dele, principalmente na primeira parte da história. Qualquer filme com Cruise em cena nasce com a certeza de que seus companheiros de elenco vão ficar sempre ficar a sua sombra; Emily Blunt não foge desta regra, pelo menos sabe interpretar papéis como de Rita, uma mulher forte e que esconde seu lado sensível, a atriz também prova ser bem capaz de fazer perigosas cenas de ação; porém o maior destaque da atriz acaba sendo uma cena onde seus atributos físicos são destacados e que virou um engraçado gif que se espalhou pela internet.

No-Limite-do-Amanha-2Ter um argumento em mãos como de No Limite do Amanhã não é um trabalho fácil para qualquer roteirista; neste caso o trio formado por Christopher McQuarrie (Os Suspeitos) e os irmãos Jez e John-Henry Butterworth consegue inicialmente aproveitar bem essa premissa. O roteiro leva na primeira parte com humor a situação dramática em que Cage está preso, criando criativas e diversas maneiras de matá-lo, explorando na medida certa o humor que este tipo de história dá a oportunidade de trabalhar; aproveitando também ao máximo o carisma de Cruise para os momentos cômicos, lado que o ator deveria explora mais.

O roteiro faz, bem rasamente, uma crítica social ao nosso tempo e as guerras atuais, tudo feito de forma bem leve e que somente os mais atenciosos vão perceber e que dificilmente vão alcançar o grande público acostumados mais a prestar atenção nas cenas de ação. O diretor Doug Liman, mais conhecido por seu trabalho como produtor de séries de TV, desde que fez Sr. e Sra. Smith virou o queridinho dos estúdios para blockbusters onde ação é o ponto principal. Liman com ajuda de caprichados efeitos especiais faz o feijão com arroz do cinema comercial ressaltando as conhecidas habilidades de Cruise nas cenas de ação, novamente o ator dispensa dublês para alcançar o máximo de realismo.

No-Limite-do-Amanha-4Porém assim como o seu protagonista o filme quando alcança a sua metade fica preso demais ao seu próprio tempo contínuo e torna-se enfadonho, perdendo seu humor inicial trocado por um drama bastante cansativo. Em uma história sobre o tempo é curioso como a duração do filme é seu maior inimigo, duas horas é uma duração longa demais para uma trama que está ligada a uma repetição constante; os roteiristas começam a enrolar demais e a inventar inúmeras reviravoltas que desmontam a premissa inicial. Quando a trama começa a dar explicações demais para solucionar o problema vivido por Cage e Rita, fica excessivamente confusa e se você piscar os olhos é capaz de não entender o que está acontecendo. Ainda mais que a solução dada faz com que a trama na sua última parte mude até de gênero e vire uma aventura tradicional; além de soluções fáceis como a óbvia exploração sobre a relação entre Cage e Rita.

No Limite do Amanhã é mais uma vítima dos blocksbusters atuais onde as histórias com potenciais como esta não são exploradas ao máximo e pecam pela falta de originalidade e ousadia.

dois_e_meio

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