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Crítica: Malévola

MALEFICENTContinuando a moda sem fim da Disney de reinventar suas clássicas fábulas é chegada a hora do projeto mais ousado do estúdio que é transformar a odiável vilã Maléfica em uma personagem mais agradável e protagonista, deixando Aurora, a Bela Adormecida, como coadjuvante de sua própria história. Para conseguir colocar este projeto em prática o estúdio chamou Angelina Jolie que abraçou o filme com um enorme carinho e faz a sua melhor atuação desde Garota Interrompida; fugindo do padrão de sua carreira, Jolie não se prende a sua hipnotizante beleza que aqui não é o atrativo principal, mas parte da sensível construção que Jolie fez para a personagem que respeita a sua versão original, mas ganha um tom mais realista e humano na atuação da atriz.

É no primeiro ato que começa a desconstrução de Malévola apresentada inicialmente como uma jovem (carismática Isobelle Molloy, de EastEnders) fada feliz e que ama todas as criaturas. Malévola é a fada mais poderosa e responsável pela segurança do reino de Moors que vive sendo atacado pelos humanos que querem invadir o local; o início da transformação de Malévola começa exatamente por causa de um humano, Stefan (Sharlto Copley, de Oldboy), por quem se apaixona e ingenuamente confia nas suas doces palavras, mas acaba sendo traída pelo humano que com sua ganância é capaz de tudo para torna-se rei; então a conhecida e temida Malévola é apresentada de verdade, mas a imagem de vilã logo desaparece ao longo da fábula que a humaniza.

MALEFICENTO correto roteiro foi escrito por Linda Woolverton que tem um longa experiência no gênero de fábulas e com o estúdio, seja em animações como O Rei Leão e nesta nova fase com Alice no País das Maravilha. Bem estruturado o roteiro de Linda faz o pedido no primeiro ato ao explicar os motivos, lógicos, que vão levar Malévola a deixar de ser a fada bondosa para a terrível vilã; como também na segunda parte utiliza a própria Aurora (Ellen Fanning, de Super 8) para mostrar o lado humano que ainda existe dentro da protagonista. O roteiro não deixa dúvidas de que este filme é sobre Malévola e que os outros personagens são apenas coadjuvantes usados para contar a história proposta; Aurora, interpretada por Ellen Fanning, simpática e talentosa demais para sua pouca idade, até então protagonista é usada de forma muito sagaz para mostrar como Malévola acaba criando um elo de carinho com a jovem que amaldiçoou e que deveria odiar. Aurora torna-se a personificação do que Malévola foi antes de ser traída e consumida pela vontade de vingança, por isso a vilã acaba encontrando um resquício de humanidade dentro de si ao ter um contato com Aurora.

Malevola-3Essa concentração em Jolie acaba inevitavelmente prejudicando os outros personagens, que também não se ajudam por serem irritantes ou por causa de péssimas interpretações; como Sharlto Copley como o o Rei e pai de Aurora, uma interpretação exagerada, servindo unicamente para ser o real vilão da história; ainda mais irritantes são as três fadas (Juno Temple, Imelda Staunton e Lesleuy Manville) personagens insuportáveis e descartáveis. O único que se destaca um pouco, bem pouco, é Sam Riley (Control) como Diaval, metamorfo e conselheiro de Malévola, um bom ator jogado em um papel secundário, mas que mesmo assim se destaca e forma uma dupla atraente com Jolie.

O projeto antes de sair do papel foi recusado por diversos diretores de peso, como o próprio Tim Burton, o que levou a Disney a apostar em Robert Stromberg, designer de produção que faz sua estreia como diretor; um profissional que em sua inexperiência prefere não arriscar e segue à risca a cartilha Disney de se fazer filmes, não é possível enxergar nenhum traço de autor no trabalho de Stromberg que apenas cópia o que já foi feito antes. Visualmente a produção não apresenta nada de novo, mas uma repetição dos bons efeitos especiais já vistos nos mais recentes filmes da Disney, com isso fica ainda mais visível a falta de um diretor capaz de dar um tom mais autoral para uma obra que peca pela sua falta de personalidade própria.

É uma pena que o roteiro até então bem estruturado e agradável de assistir nas duas primeiras partes, com ótimas pitadas de humor, se perde totalmente no seu último ato quando a história investe demais na ação e perde seu bom ritmo para correr contra o tempo e mostrar que Maléfica não merece ser odiada e sim ser amada; todo o processo lento para mostrar uma nova face da personagem é acelerado demais e o resultado parece uma mudança drástica demais em Malévola. Desta última parte o acerto maior é a maneira como Príncipe (Brenton Thwaites, de Oculus) tão importante na obra original torna-se um nada nesta versão, um exemplo da tentativa de modernização que a Disney está fazendo em suas fábulas e que começou em Frozen.

MALEFICENTSe pensando como uma tentativa de fazer uma vilã torna-se uma personagem agradável, Maléfica cumpre muito bem seu objetivo graças à atuação de Angelina Jolie; analisado pelo todo Malévola não traz nada de novo para essa nova moda da Disney que tenta modernizar suas fábulas, mas esquece de atualizar a maneira de contá-las.

tres

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