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Série Nova: The Night Shift – 1×01 – Pilot

The-Night-Shift-NBC-image-the-night-shift-nbc-36400775-1280-727Cinco anos após o fim da saudosa E.R. a NBC tenta criar um novo drama médico com The Night Shift que aposta em um roteiro com muita ação e drama em seu episódio piloto.

The Night Shift mistura drama médico com o tema do orgulho dos EUA pelos seus militares, unindo os dois mundos através de uma simples solução que é ambientar a história em um hospital que tem na sua maioria doutores que trabalharam no exército; todo mundo sabe que apesar dos motivos discutíveis das últimas guerras dos EUA, o seu povo tem um orgulho quase cego pelos soldados que dão suas vidas pelo país. Isso explica a história escolha do protagonista TC Callahan (Eoin Macken, de Merlin), um médico traumatizado pelo tempo que trabalhou no Afeganistão durante a guerra e que deixou cicatrizes internas que mudaram sua personalidade. TC é durão, não aceita ordens tanto que conseguiu ser expulso do serviço militar exatamente por não saber conviver com os jogos políticos do dia a dia.

Este comportamento autodestrutivo de TC o coloca em confronto direto, literalmente, com Michael Raposa (Freddy Rodríguez, de Ugly Betty), um ex-estudante de medicina que é agora o novo administrador do hospital. Raposa precisa encontrar uma maneira de evitar que o hospital seja fechado, por isso toma decisões difíceis e que o coloca em confronto com outros médicos, por pensar sempre primeiro na parte financeira do hospital do que nos pacientes. Raposa esconde de todos que tem um sério problema nos olhos que o está deixando cego e que foi o motivo de ter largado a faculdade de medicina. Raposa escolhe, por falta de opção, a Dra. Jordan (Jill Flint, de Royal Pains) como a nova chefe do turno da noite; Jordan acredita que pode fazer um ótimo trabalho e salvar o hospital, a doutora tem um uma forte ligação com TC com que já teve um relacionamento e é a única que acredita que pode transformá-lo em uma pessoa melhor, e que claro nutre ainda algum sentimento além de amizade pelo doutor galã.

Ainda na equipe Topher (Ken Leung, de Lost), médico dedicado e que faz de tudo pelos seus pacientes, funciona também como alívio cômico ao lado do residente Paul (Robert Bailey Jr., de City of Angels), um médico novato bastante atrapalhado; a outra novata é Krista (Jeananne Goosen, de Alcatraz), uma jovem e dedicada médica. Já  Tom (Brrendan Fehr, de Bones) é um jovem que fez medicina na escola militar e que por isso precisa correr para mostrar que pode ser bom como todos os médicos que fizeram o curso em respeitada faculdades; porém na verdade luta para esconder sua homossexualidade por ter medo de não ser aceito e sofrer preconceito dos outros militares. Por último a psiquiatra Landry (Daniella Alonso, de Revolution) que tem um relacionamento secreto com TC, criando assim um triângulo amoroso entre TC, Jordan e Drew.

Em pleno século 21 é fantasioso demais a imagem que The Night Shift quer vender de seus médicos, todos quase santos dispostos a tudo para salvar seus pacientes, ainda mais em um tempo onde o sistema de saúde dos EUA vive uma grande crise, tema que é bastante citado durante o episódio. Cada um dos protagonistas teve um ato de bondade extrema nesta estreia, todos colocados de uma maneira exagerada demais, sem contar as coincidências meio absurdas como na cena inicial de TC salvando um homem vítima de acidente durante seu caminho para o hospital.

Em uma época onde a maioria das produções apresenta protagonistas imperfeitos, TC segue essa linha, um homem capaz de bater em seu chefe, alcoólatra, viciado em apostas, mas também capaz de atos de bondade com seus pacientes lutando por eles ao máximo, além de ser amigo e e defensor de seus companheiros de trabalho. Pego por exemplo a cena em que TC conversa com Drew sobre o segundo esconder sua escolha sexual, uma discussão que é colocada de uma maneira que não parece real; TC tendo experiência militar sabe melhor que qualquer um que é quase impossível TC assumir ser gay e não sofrer as consequências disso, porém vem aquele velho discurso, fantasioso, de que ele não precisa ter vergonha disso e etc.

O piloto de Night Shift pode pecar pela sua falta de originalidade e credibilidade, mas revela um leque de personagens com funções bem clara na trama. Todos bem introduzidos no decorrer do agitado episódio que teve muitos e dramáticos casos, e neste ponto que se encontra o já comentado erro de mostrar os médicos como santos; a cena de Topher desligando a morfina do motorista bêbado que causou um sério acidente com vítimas é de um moralismo falso demais. O elenco pode não ser formado por atores de grande nível, mas cumprem suas obrigações narrativas, chama atenção também a rápida química criada entre eles. O único ponto um pouco inovador nesta série é maneira como os enfermeiros são mostrados, com um espaço decente e parte do núcleo principal, algo não muito tradicional para séries médicas onde geralmente os enfermeiros são praticamente esquecidos.

Entre os personagens gostei bastante dos novatos Paul e e Krista que devem crescer ao longo da temporada; já os dramas pessoais de Drew e Michael, médico perdendo a visão e o soldado gay, são bem complexos e podem render boas histórias, mas dependem muito de como serão discutidos e mostrados daqui em diante, nesta estreia os temas foram desenvolvidos de maneira bem rasa. Não senti simpatia pelos protagonistas TC e Jordan, o primeiro é o comum e já ultrapassado personagem militar traumatizado que precisa superar seus problemas de caráter e a segunda é a médica que quer fazer o bem demais e ajudar TC, porque no fundo ainda o ama.

Vai dar certo? Incerto, uma tentativa de criar um novo drama médico, mas sem chance alguma de ser um novo E.R. Por ter estreado nesta época do ano já mostra que a expectativa da NBC sobre a série é mínima.

Para quem gosta de…: dramas médicos, E.R.

O TV Cinema e Música vai acompanhar? Não, por acreditar que The Night Shift pouco acrescentará para o gênero e que logo será cancelada.

dois_e_meio

 

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