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Crítica: X-Men – Dias de Um Futuro Esquecido

X-Men -1Com o sucesso de X-Men – Primeira Classe os produtores da franquia tinham em mãos um problema e uma solução; problema porque para continuar adiante era preciso encontrar uma maneira de que a história não fosse apenas um prelúdio para o que foi contado na primeira trilogia, não deixando de ser uma solução e uma oportunidade para apagar também os inúmeros erros cometidos em X-Men 3. Para a felicidade dos envolvidos a resposta estava nos próprios quadrinhos dos X-Men, com o clássico arco Dias de um Futuro Esquecido, talvez uma das melhores histórias dos mutantes e que usa o conhecido e aceitável alicerce da viagem do tempo.

A premissa é bem básica, no futuro apocalíptico os X-Men e os humanos estão sendo massacrados pelas versões modernas dos Sentinelas, robôs criados inicialmente apenas para matar os mutantes, mas que começam a aniquilar a todos. Xavier (Patrick Stewart) e Magneto (Ian McKellen) decidem mandar a consciência de Wolverine (Hugh Jackman), usando os poderes de Kitty Pryde (Ellen Page), para o corpo do mutante imortal no passado para evitar o assassinato de Bolivar Trask (Peter Dinklage, fenomenal!), o criador das sentinelas, um evento histórico que foi o causador deste futuro. No passado, Wolverine encontra um Xavier (James McAvoy) deprimido e desiludido depois de ver sua querida Mística (Jennifer Lawrence) o trocando por Magneto, cabe então a Wolverine unir os inimigos Xavier e Magneto para lutarem juntos e mudar o futuro.

X-MEN-2Como esperado mudanças na história original são feitas, já que nos quadrinhos é Kyte Pride quem viaja para o passado; porém é cábivel a escolha de Wolverine e também de personagem Mística (Jennifer Lawrence, deslumbrante) como os pontos centrais da trama; o mutante capaz de se regenerar é o personagem mais querido e conhecido do público, já Mística é interpretada pela atriz do momento Jennifer Lawrece, que foi também o grande destaque de Primeira Classe. Dias de um Futuro Esquecido acaba sendo um roteiro menos dividido entre as duas gerações do que se esperava, o passado acaba sendo a peça chave e o futuro usado apenas no ápice dramático. Mesmo com este enfoque em Wolverine e Mística, outros personagens não deixam de ter seu destaque; Nicholas Hoult está ótimo como Fera, tanto na parte dramática como na hora da ação e Michael Fassbender faz uma personificação perfeita do Magneto interpretado por McKellen, sem deixar de trazer novidades para o personagem. Os dois Charles Xavier acabam protagonizando as cenas mais densas e com as melhores atuações; Stewart tem um domínio total de seu personagem e com certeza será o ator que fará mais falta do elenco original; James McAvoy é a essência do futuro da franquia, o personagem novamente é muito bem desenvolvido sobre o jovem destinado a ter um brilhante futuro, mas que precisa ainda amadurecer para chegar ao ponto que todos conhecemos.

X-Men-Dias-4Com apenas algumas cenas fica bem visível o tradicional estilo do diretor Bryan Singer que volta à franquia depois de dirigir os dois primeiros filmes e produzir Primeira Classe, assumo o posto deixado por Matthew Vaughn que não quis retornar; um fato curioso é que o diretor retorna para corrigir principalmente os erros de X-Men 3, filme o qual não dirigiu porque preferiu fazer o esquecível Superman – Returns. Singer é um diretor bastante quadradinho, tem um estilo padrão de fazer cenas de ação e de contar histórias, não tem a ousadia técnica e muito menos narrativa de Vaughn, o que torna discrepantes as diferenças entre entre o primeiro filme e a sequência. Singer é um diretor muito mais básico, porém bastante funcional, sabe muito bem como encaixar as piadas ao mesmo tempo que sabe dirigir seus atores; na ação se não ousa, pelo menos faz um trabalho competente montando cenas que brilham os olhos, como na fuga da prisão de Magneto onde em uma curta participação o mutante Mercúrio (Evans Peter) rouba a cena, como também na melhor cena do filme que coloca os mutantes do futuro enfrentando os Sentinelas, onde os poderes de cada mutante é muito bem explorado.

Apesar de ser um dos melhores filmes da franquia X-Men- Dias de um Futuro Esquecido ainda tem algumas falhas que poderiam ter sido evitadas como buracos do roteiro que criam novos problemas na confusa cronologia dos mutantes no cinema. Ao longo de seus 131 minutos fica bem claro que o objetivo maior é apagar os erros cometidos não só em X-Men 3 como em X-Men Origens: Wolverine, os piores filmes da franquia e que precisavam realmente ser esquecidos. Este objetivo é relativamente cumprido, o primeiro é totalmente apagado, mas é cometido um novo erro ao deixar um gancho para o futuro muito fechado e feliz demais, o que pode impedir a geração do passado, e agora protagonistas, de criarem um novo e próprio futuro; já Wolverine ganha um novo e empolgante passado que pode ser muito bem explorado se não existir um medo de ousar e mudar a conhecida origem do personagem.

X-Men-3Uma despedida honrosa para o elenco original, apesar de que provavelmente alguns deles devem voltar em futuro filmes, e o começo da consolidação da nova geração que agora estabelecida terá no próximo capítulo da franquia enfrentar um dos maiores e melhores vilões do universo dos mutantes, o Apocalipse no longa que estreia em 2016.

tres

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