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Crítica: Godzilla

Godzilla-1Depois da fatídica adaptação de 1998, que pouco respeitava a obra original e nada mais era do que um monstro destruindo Nova York; é chegada a hora da segunda tentativa dos americanos tentam criar a sua versão do clássico filme japonês de monstro Godzilla, se por um lado a nova adaptação respeita mais as origens do gigantesco monstro, acaba deixando a deixar pela falta de uma presença maior exatamente do seu protagonista. A campanha de divulgação de Godzilla foi criticada pelo seu exagerado mistério sobre a história, a qual todo mundo sabia há tempos que envolveria o confronto de monstros, e por apenas mostrar relances do Godzilla; o que poucos suspeitavam é que esta propaganda seria o reflexo de um roteiro que prefere dar ênfase aos dramas humanos do que as suas gigantescas criaturas.

O remake americano se inspira muito mais nas inúmeras sequências japonesas pós-sucesso do primeiro filme de 1954 que colocava sempre Godzilla enfrentando outras criaturas pré-históricas; essa nova adaptação repete essa fórmula e também cria uma relação interessante entre fatos históricos e a existência do monstro, além da ligação das criaturas com a radiação. Diferente do filme de 1998 Godzilla não é um monstro que apenas destrói tudo por onde passa, mas sim um ser forte e que tem em sua natureza o desejo de ser o rei dos monstros, por isso depois de anos desaparecido ressurge na frente de todos para enfrentar os M.U.T.O, criaturas gigantescas que decidem tomar a Terra como seu habitat.

Godzilla-2O diretor Gareth Edwards foi convidado para dirigir o longa após o sucesso de público e crítica do seu filme Monsters, principalmente por ter ultrapassado de forma criativa os problemas de uma produção de baixíssimo orçamento, onde os monstros realmente não poderiam aparecer o tempo todo. Mesmo agora com um orçamento bem maior e uma excelente equipe para cuidar dos efeitos especiais, Gareth traz novamente este seu estilo parecendo o tempo todo esconder Godzilla e os outros monstros, e quando eles aparecem não os mostra diretamente através de sua câmera, mas através de uma terceira visão, seja através de televisores ou em intermináveis janelas; um artifício que já foi usado, de forma muito melhor, em Cloverfield, essa sim uma produção de baixo orçamento onde isso não era só estilo, mas sim uma questão de orçamento.

Gareth prefere focar o drama do que a ação para contar sua história, quando os monstros surgem e o público acredita que finalmente vai poder apreciar o gigantismo, e um pouco de excesso de peso, do Godzilla e os confrontos com seus inimigos; o diretor bruscamente corta a ação em seu pico diminuindo o impacto e o substituído pelo drama da história dos humanos. Diferentemente do recente Círculo de Fogo que equilibrava bem o lado dramático dos humanos ao lado de batalha entre robôs contra monstros; o raso roteiro de Max Borenstein e Dave Callaham se perde ao dar atenção demais ao sonolento drama familiar dos protagonistas interpretado por Bryan Cranston (Breaking Bad), Aaron Taylor-Johnson (Kick-Ass) e Elizabeth Olsen (A Casa Silenciosa), uma história absolutamente nada original e que pouco utiliza do seu talentoso elenco. Ainda mais irritante é o personagem de Ken Watanabe, um especialista em monstros que fica o tempo todo com cara de assustado e parece ter sido colocado apenas para falar as, óbvias, frases de efeito.

Godzilla-3O roteiro tenta sem sucesso criar um paralelo entre o personagem de Taylor-Johnson, que claro preza pelos valores militares e familiares americanos, e Godzilla, os colocando como os heróis, porém o último ato não deixa dúvidas de que o protagonista e salvador da humanidade nesta história é Godzilla. O que o público espera por todo filme acontece infelizmente apenas em relances no último ato com os confrontos entre os monstros, cenas espetaculares, mas que poderiam ser mais apreciadas na claridade do dia e não na escuridão da noite.

Apesar de ser um real esforço para criar uma história que honre o legado desta clássico monstro, não foi desta vez que os americanos conseguiram fazer um filme de monstros melhor ou no mínimo igual ao dos japoneses; uma versão que preza demais pelos valores morais e cinematográficos americanos e que comete o erro fatal de colocar Godzilla como o coadjuvante de seu próprio filme.

dois_e_meio

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2 comentários em “Crítica: Godzilla

  1. […] Rodan e King Ghidorah. Que pelo menos a sequência mostre mais cenas do monstro principal. Leia aqui a crítica do primeiro […]

  2. […] Max Borenstein (Seventh Son) vai escrever o roteiro de Godzilla 2. O diretor Gareth Edwards irá retornar para a sequência que deve incluir os monstros Mothra, Rodan e King Ghidorah. Godzilla 2 estreia em 8 de junho de 2018. Borenstein e Edwards vão ter três anos para trabalhar bem nesta sequência que precisa ser muito melhor que o primeiro filme. […]

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