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Chicago PD – Primeira Temporada

Chicago PD - Season 1Chicago PD estreou envolta de uma enorme desconfiança pelo público e crítica em geral; começando por ser uma série derivada de Chicago Fire que até então estava apenas na metade do seu segundo ano; o segundo motivo seria por ter como protagonista Voight, um personagem dúbio e que começou como vilão em Chicago Fire e terceiro pelas mudanças em seu elenco, já que o episódio piloto de Chicago PD foi exibido na primeira temporada de Fire e daquele elenco apenas três restaram. Motivos consistentes para ter um certo receio com série que deu a volta por cima e com apenas 15 episódios conseguiu não só conseguiu acabar com este medo inicial como provou ser uma série muito superior ao esperado. O que fez de Chicago PD uma série agradável de se assistir foi sua proposta de ser diferente do padrão, seja a não ter absolutamente nada parecido com Chicago Fire, como também mostrar a realidade de como funciona a polícia nos EUA, sem medo de ousar como ao matar logo de cara uma das protagonistas, e muito mais que isso apresentou personagens imperfeitos e por isso bastante realistas.

Não deixa de ser audacioso ter como protagonista um personagem como Voight (Jason Beghe, no melhor papel da sua carreira), um herói atípico, violento, corrupto, mas também leal aqueles que estão do seu lado e que principalmente não deixa ninguém mexer com a sua querida Chicago. Os roteiristas souberam muito bem como trabalhar com Voight e transformá-lo em alguém mais humano, seja com o drama vivido pelo seu problemático filho e também como deu uma vida melhor para sua quase filha adotiva Erin, além de mostrar que quase todos no sistema são corruptos, até a corregedoria que deveria punir policiais corruptos, também joga sujo.

A série felizmente não ficou presa em seu protagonista e soube equilibrar relativamente bem o espaço dado aos seus outros bons personagens. O maior destaque foi Sophia Bush que fez uma atuação impecável como Erin, uma personagem bastante densa com um passado triste envolvendo drogas, prostituição, abandono dos pais e que foi salva por Voight que a usou inicialmente como seus olhos na rua e depois a ajudou a se levantar, tornando-se uma detetive bastante competente. Interessante como a história do passado de Erin foi contada de forma tranquila ao longo da temporada, seja seus problemas com drogas através de sua amiga Nadia, sua complicada vida amorosa com Halstead e Severide; no final da temporada fechando uma fase de sua vida ao resolver seu passado com Charlie, homem que foi um dos culpados por ela ter chegado ao fundo do poço.

Falando de seus romances, acredito que o certo seria Erin ficar com Halstead, mais este romance não daria certo por causa da pressão de Voight por eles trabalharem juntos; por isso o caminho fácil foi colocá-la como par de Severide, assim os intérpretes mais bonitos de ambas as séries ficaram juntos para agradar homens e mulheres. O romance de Erin e Severide é bem sem graça, parece faltar química ao casal, mas não deixam de funcionar também como uma maneira de interligar as séries. Já falei disso no meu review da segunda temporada de Chicago Fire e repito que só tenho elogios a maneira natural como as duas produções estão sendo ligadas, criando assim um universo real.

Tenho pouco para falar sobre Jay Halstead (Jesse Lee Soffer), esperava muito mais deste personagem que na minha visão ficou quase em terceiro plano. Seu grande enredo foi a sua busca por vingança contra o pedófilo que matou o irmão de sua antiga namorada, no resto ele ficou nessas idas e vindas com Erin, um casal que em algum momento irá acabar acontecendo. O meu único desapontamento foi em relação a Antonio (o seguro Jon Seda), o qual assumo que esperava bem mais por ser um personagem que já tem história desde suas participações em Fire, obviamente por ser o irmão da personagem Dawson. Antonio realmente se destacou nos arcos envolvendo sua rixa com Pulpo; sempre trabalhando bem a sua forte ligação com sua família, como no empolgante sequestro de seu filho. Família a qual perdeu exatamente pelo seu amor excessivo ao trabalho, Antonio ama sua família, mas também adora seu trabalho, é do tipo que leva um tiro em um dia e no outro já volta ao trabalho; não sei se foi impressão minha, mas pareceu que ao mesmo tempo que sua mulher o abandonou, Antonio começa a ter uma certa atração por Nadia, a amiga drogada de Erin, o que não deixa de ser um enredo promissor para o personagem.

Ao montar sua equipe Voight escalou um velho amigo como Al Olinsky (fantástico Elias Koteas), com que nutre um passado cheio de segredos. Al foi outro personagem muito bem trabalhado, relacionando também seu amor ao trabalho com seus problemas familiares, o arco de sua filha sendo testemunha de um homicídio foi ótimo. Al passou por uma fase de autoconhecimento e enfrentou os fantasmas do seu passado, como a morte de um parceiro, resolvida em uma vingança, para poder seguir em frente ter uma vida melhor e mais em paz. Al é um especialista em operações que envolvem disfarces, especialidade que passa aos poucos para o novato Adam Ruzek (Patrick John Flueger) que subiu rapidamente de cadete a integrante da equipe de inteligência tudo por causa da morte de Julia no primeiro episódio. Ruzek e Al criaram uma rápida ligação, Al foi quase um pai para Ruzek, dando boas lições para o policial deixar de ser um garoto e torna-se um adulto.

Sendo sincero Ruzek não me agradou, o humor dele pareceu muito exagerado e muitas vezes foi irritante demais com toda essa sua história com a mala da sua noiva, relacionamento que jamais daria certo e a melhor coisa que aconteceu para ele foi levar um fora dela. No meio deste relacionamento fadado ao fracasso de Ruzek com sua noiva a maior prejudicada foi a mais que adorável Burgess (fofa Marina Squerciati), a policial que começou como alívio cômico e foi crescendo até torna-se uma das personagens mais queridas da série. Injusto que Burgess tenha perdido a sua chance de entrar para equipe de inteligência por causa do seu romance com Ruzek, mas por um lado Voight está certo porque namoros entre companheiros de trabalho raramente dão certo. Quem saiu ganhando nessa história foi o Atwater (fraco Laroyce Hawkins) que até então não tinha feito nada de memorável na série, mas agora que faz parte do time principal, nem que temporariamente, é hora de torná-lo um personagem mais agradável.

É possível criar um paralelo entre Burgess e Ruzek, ambos são policiais novatos que ainda estão aprendendo suas funções, mas são dois potenciais talentos; ele com seu jeito meio maluco de agir sem pensar e ela com seu lado sensível age muitas vezes pelo seu coração;  foram adotados por dois veteranos, ele por Al, e Burgess por Platt (excelente Amy Morton), a sargento e alívio cômico da série que muitas vezes pegou no pé de Burgess, mas quando foi preciso ficou do lado dela. Era meio que inevitável os dois acabassem juntos, afinal seria injusto demais depois de perder sua grande chance de subir na carreira Burgess acabar também sozinha.

O maior inimigo enfrentado por Voight não foram os bandidos locais, mas sim a corregedoria no seu encalço por causa do acordo que fez para evitar a prisão em troca de entregar bandidos importantes e outros policiais que jogam sujo. Se por um lado Voight se livrou rapidamente da primeira enviada da corregedoria, terá muito mais trabalho para tirar o seu substituto, Edwin (Ian Bohen), da sua cola. Edwin é um homem ganancioso que entregou no jogo de propina de Voight ao mesmo tempo que quer também prendê-lo se for preciso; chegou ao ponto de mandar sua amante Sumners (Sydney Tamila Poitier, participação discreta) ficar de olho em Voight e depois jogou sujo ao usar o próprio membro da equipe de Voight, Jin (Archie Kao, também discreto), para ficar de olho em Voight. A temporada terminou com o coitado do Jin morto e sendo encontrado por Edwin que claro tem certeza que foi Voight que o matou; Jin morreu por ter errado ao não confiar em Voight e cair na armadilha de Edwin, deveria ter contado logo para Voight sobre as ameaças de Edwin sobre o seu pai, porque Voight com certeza iria ajudá-lo. Não tenho uma opinião formada se Voight matou ou não Jin, não ficarei surpreso se fez isso para mostrar para Edwin que quem manda é ele, por outro lado pode ser até um golpe de Edwin para tentar incriminar Voight.

Foram 15 episódios de muita ação com bons e reais casos que mostraram a rotina de uma equipe de inteligência em uma cidade grande e perigosa como Chicago. O roteiro soube apresentar situações que colocaram os personagens sempre em risco, acompanhando de um excelente trabalho na parte técnica da produção com cenas de ação bem arquitetadas e bons efeitos especiais. Chicago PD ultrapassou todas as dificuldades e receios iniciais e deixou uma ótima primeira impressão na sua primeira temporada e uma ansiedade pela estreia do seu segundo ano.

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